Lupas (1592)
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É um filme que não se preocupa em momento algum em suspender a descrença da plateia, o que resulta em cenas totalmente artificiais, nas quais o espectador percebe não haver lógica exceto o desespero para gerar risadas - como as longas trocas improvisadas entre os protagonistas sobre assuntos aleatórios. Mas as risadas não vêm, Kumail Nanjiani é muito fraco e o diretor Michael Showalter jamais equilibra a comédia com o romance. Fraquíssimo.
Silvio Pilau | Em 24 de Agosto de 2020.
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A premissa é interessante e se sustenta bom durante 2/3 do filme. Durante esse tempo, André Ovredal cria uma boa ambientação e mantém o mistério em torno da autópsia, embora ainda derrape em alguns clichês de "jump scares". É uma pena que o último ato caia totalmente no lugar comum, quando o filme abraça o terror bobo e explicações que não fazem muito sentido. Com um pouco mais de cuidado, poderia ter sido ótimo.
Silvio Pilau | Em 24 de Agosto de 2020.
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A premissa poderia render alguma coisa minimamente inteligente, mas "Power" é um genérico desnecessário como a Netflix tem se especializado em fazer. O filme não desenvolve de maneira apropriada nenhum de seus elementos, abordando superficialmente a história da droga, a trama e até mesmo os relacionamentos entre os personagens. De quebra, traz algumas das mais incompreensíveis cenas de ação do último ano. Para ser esquecido.
Silvio Pilau | Em 17 de Agosto de 2020.
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Interessante estreia da cineasta Natalie Erika James, que mostra saber construir uma excelente atmosfera e como compor quadros com grandes significados. O roteiro talvez aposte demais nos simbolismos, deixando de lado a lógica do enredo e os personagens, mas funciona ao propor uma reflexão sobre a demência e a terceira idade. Se nem tudo funciona, o filme jamais deixa de prender a atenção, resultando em uma experiência original, tensa e surpreendentemente bela.
Silvio Pilau | Em 17 de Agosto de 2020.
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O mais recente filme de Jeremy Saulnier pode não ter a mesma força de seus trabalhos anteriores, muito em função de um roteiro que é mais raso do que imagina, mas a condução do cineasta segue bastante sólida. A ambientação é impecável, utilizando o cenário inóspito para refletir reforçar sua mensagem sobre selvageria e solidão, e há cenas muito bem orquestradas, como o tiroteio. Se não chega a marcar, é uma boa pedida para quem busca filmes originais em sua abordagem.
Silvio Pilau | Em 10 de Agosto de 2020.
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É um filme com alguns problemas em sua estrutura, especialmente um primeiro ato que parece pertencer a outra obra, mas é interessante acompanhar a visão de Billy Wilder sobre um dos maiores personagens da literatura. Como sempre, o cineasta tem uma abordagem provocante (como ao afirmar que Holmes era gay) e apresenta boas ideias (um submarino com a forma do monstro do Lago Ness comandado por anões?), mas o filme não envelheceu tão bem como outras de suas obras.
Silvio Pilau | Em 10 de Agosto de 2020.
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Parece haver um filme interessante em algum lugar de 'O Contador', mas infelizmente não é este. A narrativa é truncada, com flashbacks excessivos, reviravoltas gratuitas e subtramas que ou se mostram rasas (como a investigação) ou são praticamente ignoradas (como a da personagem de Anna Kendrick). O resultado é um filme confuso, sem foco, no qual a suspensão da descrença não funciona, deixando tudo o que se vê bastante inverossímil - sem contar a atuação de papelão de Ben Affleck.
Silvio Pilau | Em 07 de Agosto de 2020.
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Aquela típica história de amadurecimento que o cinema americano adora contar. Embora traga uma abordagem rasa em boa parte dos temas e personagens, o filme consegue transmitir charme e doçura, liderado de forma incrivelmente carismática pela pequena McKenna Grace. Tudo é previsível e não há nada de inovador dentro do gênero, mas é bonitinho e encerra deixando um sorriso no rosto do espectador.
Silvio Pilau | Em 29 de Julho de 2020.
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Mais uma obra que desenvolve sua narrativa a partir de um único espaço, utilizando-o de forma positiva para gerar tensão e claustrofobia. O diretor Patrick Vollrath consegue explorar bem essa premissa, colocando o espectador ao lado do protagonista, tanto em suas ações quanto em seus dilemas. É um filme eficiente nesse sentido, que prende a atenção e constrói nervosismo, embora careça de um clímax melhor e de um roteiro capaz de surpreender e se aprofundar um pouco mais em suas escolhas.
Silvio Pilau | Em 28 de Julho de 2020.
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Há muito a ser questionado no conteúdo apresentado pelo filme, desde a abordagem de Garrison como um paladino da verdade (quando muitos dizem que ele só queria chamar a atenção) até a pouca atenção que o roteiro dá ao papel da Máfia na conspiração. Mas, como cinema, "JFK" é impressionante, uma verdadeira "tour de force" de Oliver Stone, que transmite um oceano de informações de maneira sempre interessante, beneficiado por um trabalho de edição impecável. E que elenco!
Silvio Pilau | Em 27 de Julho de 2020.
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Um verdadeiro tiro de energia pura dos irmãos Safdie, levando o espectador a uma jornada insana e alucinada pelas ruas de Nova York. A imprevisibilidade do roteiro, os recursos estéticos que criam um visual particular e a trilha sonora quase incômoda compõem uma obra frenética e original em sua abordagem, mostrando algo cada vez mais raro no cinema atual: cineastas com uma verve autoral (estilo que viriam a lapidar no excelente "Joias Brutas"). Ótimo filme.
Silvio Pilau | Em 27 de Julho de 2020.
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Mais um filhote de "Feitiço do Tempo" que, embora peque pela falta de originalidade, traz boas ideias e momentos divertidos. Andy Samberg e Cristin Milioti têm carisma suficiente e química de sobra para conduzir o filme, que flui em um ritmo ágil e não tem dificuldade alguma para entreter. E, por alguma razão, a premissa de viver sempre o mesmo dia segue com apelo. É bobo e não apresenta nada de novo, mas pelo menos diverte.
Silvio Pilau | Em 27 de Julho de 2020.