Lupas (1592)
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Eastwood cria mais um filme que, nas entrelinhas, coloca em cheque os valores norte-americanos - aqui, no caso, a confiança dos cidadãos em suas instituições. É uma obra que funciona como questionadora, mas também a nível pessoal, fazendo o espectador se sensibilizar com Jewell. Há problemas de roteiro, especialmente em relação ao tratamento unidimensional de personagens secundários, mas é um filme acima da média, com elenco de alto nível.
Silvio Pilau | Em 11 de Março de 2020.
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É um filme surpreendentemente bem desenvolvido e construído, com um roteiro que, apesar de soluções questionáveis no desenrolar da trama, estabelece as bases necessárias para o envolvimento com a protagonista - beneficiado pela sempre ótima presença de Moss. Wannell também demonstra talento ao evitar os 'jump scares' e apostar em uma tensão calculada, fazendo sua câmera explorar os espaços vazios que colocam o espectador ao lado de Cecilia. Por vezes, bem angustiante. Merece ser visto.
Silvio Pilau | Em 04 de Março de 2020.
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Filme-panfleto que peca pela falta de sutileza e, principalmente, por não conseguir dar conta de tantos personagens - além da inconstância narrativa, como a narração em off mal trabalhada. O tema é importante e algumas passagens têm grande força, mas é o elenco que realmente se destaca. Theron, Robbie e Lithgow, principalmente, superam as deficiências do material, magnetizando a tela.
Silvio Pilau | Em 27 de Janeiro de 2020.
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Os filmes de Taika Waititi, mesmo quando falhos, sempre apresentam boas ideias, momentos espirituosos e certo grau de subversão. É o caso aqui. A história é ótima e os personagens adoravelmente excêntricos (Scarlett Johansson está muito bem), sustentando a produção. Mas nem tudo funciona, como a situação relacionada ao amigo imaginário, e o peso do tema acaba diluído em meio ao humor escrachado.
Silvio Pilau | Em 27 de Janeiro de 2020.
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O desafio a que Sam Mendes e Roger Deakins se propuseram era altíssimo, mas foi alcançado com louvor. "1917" entra desde já na galeria do gênero, com uma realização técnica exuberante, criando momentos de cair o queixo, outros de pura tensão e ainda outros em que a beleza e a poesia dominam. O roteiro é melhor trabalhado do que parece à primeira vista, dando espaço a instantes mais intimistas em meio ao caos. Uma obra espetacular, para se ver e rever. Nasce um clássico.
Silvio Pilau | Em 27 de Janeiro de 2020.
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É o típico filme de esportes hollywoodiano, embora feito com extrema competência. A estrutura é previsível e o roteiro pesa a mão ao apresentar "mocinhos" e "vilões" bem claros. Por outro lado, há atenção aos relacionamentos entre os protagonistas, o que serve como base para a plateia realmente torcer por Miles e equipe nas - empolgantes - cenas de corrida. E Christian Bale dá mais um show, atraindo todos os holofotes para si. Longe de ser um grande filme, mas é bastante eficaz.
Silvio Pilau | Em 21 de Janeiro de 2020.
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Apesar da impressionante história de Harriet Tubman, o filme de Kasi Lemmons carece de força, uma vez que os personagens são mal desenvolvidos e os acontecimentos não têm peso dramático algum. Tudo parece fácil, asséptico e formatado para parecer uma genérica aventura hollywoodiana, como se o próprio tema já fosse o bastante para tocar o espectador. Não é. Nem mesmo a boa presença de Cynthia Erivo consegue esconder os problemas narrativos.
Silvio Pilau | Em 20 de Janeiro de 2020.
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Eggers parte de um enredo simples para criar uma narrativa repleta de simbolismos e ideias cujos significados podem ser debatidos por muito tempo, potencializando a força da obra. Mas é em toda a construção visual que o filme realmente se destaca, em uma ambientação impecável e claustrofóbica (ainda que bela) que prioriza a entrega de uma hipnotizante experiência dos sentidos em detrimento de uma história mastigada. Desafiador, mas gratificante.
Silvio Pilau | Em 20 de Janeiro de 2020.
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A construção de toda a trilogia é interessante, acompanhando o amadurecimento dos personagens e desenvolvendo muito bem a relação entre Soluço e Banguela. Isoladamente, este é o filme mais fraco da série, mas encerra com propriedade a história, trazendo alguns momentos empolgantes e bonitos.
Silvio Pilau | Em 20 de Janeiro de 2020.
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O filme tem problemas no início, enquanto o vaivém temporal e as personagens não se assentam junto aos espectador. Porém, ganha muita força no decorrer, construindo um belíssimo documento sobre a sociedade da época (especialmente o papel da mulher) e desenhando maravilhosamente bem suas personagens, que são defendidas por um elenco em grande forma. Uma obra divertida, reflexiva e emocionante, na qual Gerwig se permite até leves exercícios de metalinguagem.
Silvio Pilau | Em 18 de Janeiro de 2020.
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O filme dos irmãos Safdie é uma verdadeira dose de adrenalina, um trem-bala que dispara no primeiro minuto e não para mais. Com ritmo vertiginoso, os diretores constroem uma obra intensa, que faz o espectador mergulhar no meio dos problemas e da vida atribulada do protagonista. E Sandler, surpreendentemente, faz tudo continuar com os pés no chão, criando um personagem complexo e falho mas pelo qual, mesmo assim, torcemos. Uma grande realização e um filme que vai se tornar cult nos próximos anos.
Silvio Pilau | Em 08 de Janeiro de 2020.
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Apesar da história relativamente simples, a narrativa é um tanto caótica, com subtramas e personagens que nunca chegam a ter razão de existir. É um roteiro que parece incompleto, conduzido no modo automático por Linklater, que se beneficia muito do talento de Cate Blanchett, carregando o filme praticamente nas costas. A típica obra que, se não ofende, vai ser esquecida muito brevemente.
Silvio Pilau | Em 08 de Janeiro de 2020.