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Zé do Caixão - Parte 1: O Monstro Descordial

O maldito das fitas escrotas contra as raízes da jumentice civilizada

Zé do Caixão. José Mojica Marins. Nascido numa sexta-feira 13 de março de 1936, completaria neste mês sexta 84 anos, e exatamente numa sexta-feira 13. E nada mais justo que homenagear o guru terrorífico neste mesmo mês em que o dia simbólico existe. Mestre do horror. A minha intenção aqui é discorrer sobre sua obra encaixando-a não com uma biografia linear, mas, sim, apontando como vários acontecimentos influenciaram as obras debatidas aqui, através de um direcionamento histórico, social e moral bem específico. A história. A criação principal do cara fora inventada, usada, avacalhada, estuprada, ressignificada (das mais variadas formas) e esculhambada de todo jeito, mas o Zé é a ideia de personagem de horror absolutamente nacional com idiossincrasias próprias em cenários conhecidos bares, favelas, terreiros e o escambau. É da galera, tendo direito a uma união ao tradicionalismo do cinemão também. O terror ocidental ancestral citado, dos monstros clássicos europeus, buscava ter em sua gênese um encaixe histórico justificando sua identificação com um público afeito àquele material. Contudo, não com um protagonismo ideológico tão exacerbado tal qual o Zé, e, ao mesmo tempo, conseguia abertura para outras plateias. Assim fora com Drácula, Frankenstein e A Múmia, por exemplo. Figuras trágicas e escrotas com trajetórias de maldição sendo concernentes à aceitação cultural. O nosso é popular à sua maneira. Desde o perambular pelas cidades ao discurso escrachado com alguém entendendo o poder exalado, e do povo que pode escutá-lo e a ele obedecer, já que fracos assim o são. Desde já esta característica do Zé permanece até o seu derradeiro fim (fim?). Ora. Baseada em clássicos sendo difundidos e que adaptados no cinema criaram regras do gênero. O cara toma de assalto o visual destas figuras, mas parte para o caminho contrário do sobrenatural. O próprio já é uma peça desacreditando isso. É o cara que come o frango da macumba e joga na parede o crucifixo do carola católico. 

A intenção desse artigo é tecer uma linha de análise que permita mostrar o fiasquento cabra da cartola tendo sua essência na terra brasilis. E isto não pode nos ser negado. Não temos aqui a versão de um Drácula tupiniquim, ou Nosferatu, ou qualquer estrangeirismo que o valha. Temos fatores externos, sim, mas o material é de orgulho nosso. E é desse caráter ao qual falaremos. As raízes da existência. Não somente da filosofia delirante, escalafobética e genial por ele exposta, mas de sua gênese histórica cheia de personificação crítica a elementos vulgares e invulgares de nossa sociedade através do tempo. Porque até o tempo merece ser vítima de um vil, principalmente se for um passivo. Com passivos o Zé não tem conversa. Ora, se temos algo a diferenciá-lo dos vilões citados é o tom grave das suas percepções sociais, morais e ideológicas, enquanto aqueles outros animais se portam de forma clássica ao objeto literário inicial. O nosso vai no caminho inverso e abarca o exagero como princípio, a filosofia e violência como meios e a hereditariedade como fim. Total e absolutamente ativo na gestação de suas tensões e ações.

O nosso personagem-objeto já está na seara mítica, e, como tal, é fruto de período histórico específico. O Brasil do começo dos anos 60. Aqui crescia a influência de obra usada por mim, com o intuito de tecer rápida análise do significado deste tão vil e invocado personagem através de um clássico livro de história. Raízes do Brasil, por Sérgio Buarque de Holanda. Ora essa, tal figura nefasta do coveiro existe com seu dinamismo ligado a elementos dramaticamente nacionais, mesmo se apropriando daquilo que funciona de outras origens ocidentais. Mas sob que aspectos podemos encaixar este material da história com a criação do Zé do Caixão? Sérgio propõe em sua obra que a nossa evolução não parece ser nossa. Nos faltaria um trato menos descompensado na questão de identidade nacional. E isto é vinculado mediante várias questões, desde o clima ao trato político e social. Sim, mas o que diabos isso tem com o nosso chapa Zé? A colonização brasileira e suas intempéries e consequências. Os ibéricos (portugueses e espanhóis) eram tidos como figuras liberais no trato com a esfera colonizatória. Que isto fique entre aspas gigantescas. A herança cultural. Eles se permitiam associar sua cultura com a de outrem. Com a dos dominados. Obviamente, isto não impede em nada os genocídios perpetrados, não embaçou em droga alguma a hecatombe escravagista do Atlântico, que proporcionou ao Brasil a negativa liderança dos números e destroços de seu próprio projeto escravagista com 300 anos disso. O tom liberal que por ventura tivessem não mudou esta questão. Por isso é sempre bom ter o devido cuidado com o uso destes termos e alcunhas para não esquecermos dos fatos ligados a eles. E daí com tudo isso?

E daí que estes países possuíam caráter organizacional diferenciado, considerado transitório para o resto da Europa. Transitório no que tange à importância dos mesmos como nações modernas, mas tratados como fuleiragens mesmo. Espécies de territórios-ponte. Isto porque estas peças se interligavam de tal maneira aos seus colonizados, o que tornar-se-ia incomum a outros europeus que viam isto – assim como Sérgio Buarque – como uma fraqueza administrativa destes povos. Porra, mas isso parece cruel. A intenção é o enfraquecimento através de fraca hierarquia e não impedia massacres. Pura e simplesmente. Era tão somente uma questão de arrumação coletiva. É aqui que a porca satânica torce seu rabo. A população da cidade ribeirinha na qual o Zé aterroriza é fruto de quê? Duma organização frouxa com um povo absolutamente supersticioso e passivo, não suportando a existência de um ser altamente ativo tal qual nosso coveiro. A frouxidão da estrutura pública é tema debatido pelo autor como ponto nevrálgico de descendência cultural e moral de lusitanos e – a posteriori – brasileiros. Ora, se ainda hoje, na era da informação, ainda temos características de, como diria Nelson Rodrigues, viralatismo, que dirá nos altos dos anos sessenta, com um povo semianalfabeto e sedento por uma ordenança que não se sabia de onde vinha e que se imaginava ameaças inexistentes. Por isso o território é perfeito para o Zé do Caixão surgir. O da crendice. Da falta de informação, falta e busca, na verdade. Porque isto lhes foi enfiado goela abaixo. 

Querem mais pontos de inferência? Cumplicidade com os seus e indolência. Características explicitadas do português/brasileiro a crescer no país. Tem exemplo melhor que a cidade citada? Com gente medrosa e lotada duma suposta moral católica que dever-se-ia impor naturalmente àquilo que dela discordasse. Caráter indolente, né não? Mojica seria a superioridade a esta indolência. O ativo tomando conta das rédeas populares de uma galera com outras preocupações que não se adiantavam além da óbvia ordenança do controle bovino pelo qual eram aloprados. Então a incapacidade sociocultural, tal qual considerada nos moldes europeus, é explicada pela passividade e pela passionalidade, ao invés dum racionalismo necessário a quaisquer figurações políticas. E isto tudo é herdado. Como tal, temos a cidade medrosa, com o tom de tradicionalismo cristão em pauta, também com tom de autoimportância devidamente defenestrado pelo desdém do Zé ao comer carne neste dia, pleno feriado católico, o que sua instituição criminaliza religiosamente, enquanto rola uma procissão ao seu lado, como é feito na sua obra-prima À Meia Noite Levarei Sua Alma (1964). Nada mais que uma tentativa de manutenção tradicional duma sociedade em atraso, e avacalhada em seguida, e usa deste expediente não somente para cumprir ritos sociais, mas no usufruto dos mesmos como freios a todos que os seguem. Por isso lá está o Zé. O iconoclasta incorrigível. Uma resposta ao caráter de atraso carola da população brasileira ali existente, que tinha receio, terror e os caralhos de um coveiro com ideias fortes. O mesmo crescendo sobre eles com facilidade bastando impor discurso e força crítica sobre crenças defendidas com objetivos diversos.

E a tradição? A volta ad eternum ao passado é uma incapacidade de criar? O Zé cria. Por isso desperta tanto receio na galera. A ele independe a história das crenças externas e continuadas gerindo seu comportamento. A sua preferência é causar descontentamento com objeções e imposições àquela turma. Este pessoal existe dentro de um esquema viciado de passividade brasileira, lotado de tradicionalismo cristão e sem capacidade de adaptação coletiva. Impera no povo a tradição, por vezes com motivação imemorial, e não a razão. Tal quais quem? Nossos portugueses.  vem outro ponto clássico do livro, em parte escrutinado aqui: o homem cordial, definição criada pelo autor para classificar o brasileiro como um ser mais preocupado com o bem-estar dos seus do que com uma coletividade social, e isso acessa marmotas outras como corrupção, nepotismo e o diabo a quatro. Aquele ser que vincula organicamente – de forma simbiótica e parasítica, para ser mais coerente e sacana – estado e família no seio da estrutura estatal. Um patrimonialismo dos seus, das suas, dos seus issos. Zé vem para quebrar isso também. Não interessam laços escusos. Só interessa a perpetuidade do sangue, e se lasquem outros vínculos. Ele tem o objetivo de passar sua imortalidade adiante. O homem cordial, pelo contrário, quer as benesses do estado. Quer a moleza permissível, o que para alguns é tratado como diferencial proveitoso para o brasileiro. Não para Sérgio Buarque de Holanda.

Essa ideia de homem cordial acabar-se-ia por dar vulto a um desequilíbrio social e jurídico, enfraquecendo os discursos que se defendia por questões familiares ao fundo e impondo suposta retidão moral. Tal quais os mais variados seres que tanto criticam Zé na trilogia, e, olhe, o Zé não é salvador de porra nenhuma. Ele é a iconoclastia violenta apontada na demagogia da existência dessa turma. Bate de frente com um povo assustado – em desespero com os próprios dogmas alimentados por eles mesmos  que não reage, e se preocupa apenas com a rotina estabelecida, mas defende os seus obviamente. E no Brasil isso viraria um monstro de conduta social descontrolada desembocando na corrupção endêmica como o verdadeiro horror nacional, com o demérito das lideranças políticas, mas diante de um modus operandi corroendo tudo pelas entranhas. O patrimonialismo viciado não aguenta pressão e escrutínio, e, assim, viraria padrão criando resistência, tanto por crer na essência dos seus atos em abraçar tudo pela conjuntura dos laços de família vistos como mais imponentes do que estruturas sociais maiores, quanto por já ter concedido ao povo o tom anestésico necessário. A turma já nascia e crescia sob esta égide; nos maneirismos da cordialidade brasileira viria o futuro “jeitinho brasileiro”. Na superfície era tratado como algo comum e docilizado, mas no campo da macroestrutura nacional isto seria visto como um câncer a ser combatido. A mudança, quando ocorre de forma estrutural desde o seio familiar desembocando no todo, é quase impossível de se reverter. E é isto que Sérgio acusa. Nosso coveiro famigerado bate nisso também, nos supostos cordiais em sociedade que querem o próprio bem-estar, com o caráter de exclusão ao diferente afrontoso. Ah, o Zé é inimigo do homem cordial. Destroçador dele. Estas relações ele abomina, ainda mais quando abraçados a uma moral torpe e frágil. Zé é o caos para a ordem escusa dessa turma.

Cadê a hierarquia? Seria a falta dela, ou liderança, que permitiu ao Zé aterrorizar. Isto é interessante. Quem seria o antagonista a bater de frente com Zé? Quem realmente é a liderança a bater de frente com ele? Podemos citar alguns da trilogia principal, desde os fracos transeuntes de bares do primeiro filme à polícia escrota do Encarnação do Demônio (2008). Quando não vemos a hierarquia desorganizada dos populares – e sem valentia necessária –  vemos uma caricatura do exagero policial agindo, não em organização para com o coletivo, mas com objetivos meramente próprios. Por quê? Zé vai da ação à consequência. De provocador inconteste na primeira obra, vai do perigo real no aumento do escopo do medo – mas sempre com a situação em controle através do terror e do seu discurso –, como é visto no segundo da trilogia, Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967). Então, a tal consequência citada vem no derradeiro filme, onde várias supostas lideranças ferem suas condutas morais, o que seus serviços exigem. O policial corrupto e violento e o padre vingativo. Ou seja, a iconoclastia do cara vai de uma ponta a outra. E a herança objetiva n'alguma estrutura de conjuntura comum inexiste. Como disse Sérgio sobre os lusos, o passional destrói o elementar de coordenação e necessidade objetiva. Por isso mesmo o terror perpetrado pelo nosso monstro nacional é de suma importância existencial; ele aponta os podres de uma estrutura social excludente, atrasada e conservadorescamente estúpida. 

Os objetivos da hereditariedade do personagem constituem sua gênese ideológica. Amplamente carregado de filosofia niilista, e racional à sua maneira, junto a isso suas ações de conflito corroboram sua gênese histórica, correlacionando-o como espécie de resistência – marginal, por que não? – ao modus operandi estabelecido. É história, é cinema, é violência, e se impõe como tal, dando lições de forma a mostrar como, sem uma severa força (esta, eu digo, por uma questão de razão) por trás, quaisquer organizações padecem mediante o conflito. E Zé é conflito. É porrada. Chibata. Muitos consideraram seu frenesi da procura pela mulher algo vinculado ao tom eugenista nazista, porém este tipo de besteirol pensante escapa de toda a funcionalidade do personagem como ser eminentemente brasileiro; não está ali para dar lições ou compor o politicamente correto familiar, ou fazer de sua existência qualquer tipo de proselitismo político. Ele está ali com o fim de mostrar como funciona uma parcela comum popular e como ele, Mojica, cineasta, entende isso. E no subconsciente da porra toda, na cabeça do mestre, estão suas influências cinematográficas e seus atributos sociais e morais adquiridos. Neste campo de interpretação do material dele, muitos pesquisadores, estudiosos outros e companheiros de câmera analisam o cinema do Zé sob algumas perspectivas. Entre elas existem duas frentes relacionadas às obras de Buñuel e Nietzsche. Tudo isso no caráter de subliminaridade da coisa. O meu ponto é que existem outras vertentes além destas tão subrepticiamente comentadas.

O jogo do Zé é no substancial das ações e como estas vieram a existir numa hereditariedade passada do meio intelectual para o popular e vice-versa. Isto deixado pelos antigos colonizadores como legado, para o bem e para o mal, e o próprio cinema mojiqueano viera a abraçar, seja de forma crítica ou na base da busca pelo puro entretenimento, em busca de um lugar ao Sol e de encher os bolsos, claro. Por isso seu primitivismo, alcunhado por um Glauber Rocha em êxtase, não é pernóstico ou rotular, mas sim assumido como a existência da figura que, sem o preparo acadêmico, fora lá e expusera sua arte com um enriquecimento popular não visto em muitos de seus pares contemporâneos mais abastados. Não por falta de tentativa ou qualidade deles, mas sim por questão de classe. Mojica é da galera e como tal entende o povão por osmose e não por análise de conjuntura com o distanciamento que esta questão de classe e o academicismo implicam. O primitivo por condições e gigante pelos resultados. Ou seja, ele não precisou ler a porra do livro. Mas é uma interpretação do próprio por suas vivências e exposições fílmicas.

Então, o Zé, além do terror marginal autocorroborado ad infinitum, seria também um registro de uma puta anarquia perigosa em combate a toda forma de controle, não uma possuidora de estrutura concebida com bases sólidas, mas, sim, com um coleguismo falso e assassino, tal qual os colonizadores com sua noção da falsa solidariedade sem findar a exploração. E de forma estupidificante também avacalharam relações internas com algo agora maior que o tal coleguismo entre os seus, mas sim um esquema de uma vaca gigante e seu hospedeiro sanguessuga correspondente  aliás uma colônia inteira destes. Com todos os amigos a participar. Acabando com esta vaca, inicialmente por dentro, tirando suas forças e mantendo-a sobrevivendo anestesiada. Este é o homem cordial. Este é o atrasado pela crendice. Se abraça com os seus, feito um animal acuado que resiste destroçando o seu meio, independentemente do que se apresente. Este é o Brasil. Está por aí, e não temos um Mojica físico na área, mas temos um legado de um Zé escroto, chafurdando no imaginário de quem se permitir a aloprar o próximo.

Texto integrante do Especial Zé do Caixão

Comentários (1)

CitizenKadu | sábado, 04 de Abril de 2020 - 21:43

Textaço...e muito importante tu incluir aí de forma auspiciosa um dos livros mais importantes e sempre atual da História do Brasil. Sérgio Buarque de Holanda e Zé do Caixão. Genial Ted!! "Raízes do Brasil", por favor leiam este livro; não estou dizendo para ler devido a algum contexto atual. Há 10 anos atrás eu teria indicado, foi algo que eu li na adolescência e sempre que eu me invoco com o Brasil eu releio e lembro o quanto é bom ser brasileiro. Entendam como quiser,mas é uma grande recomendação.

Ted Rafael Araujo Nogueira | domingo, 05 de Abril de 2020 - 21:38

Valeu mestre. Pois é bicho, com isso quero incitar o debate. Onde um livro basilar para o entendimento histórico/cultural/moral do Brasil se faz presente imputando suas influências num cara como o Mojica. E este abraço isso de forma natural, ora, ele pertencente às classes influenciadas, as conhece bem. Foi assim que tive esta percepção. O cinema dele é muito grosso e honesto. Sempre foi. E reflete bem vários sintomas morais do período. Foda.

Ted Rafael Araujo Nogueira | domingo, 05 de Abril de 2020 - 21:44

O Sérgio Buarque fizera esta radiografia de um Brasil com padrão de vivência de colonizado, cheio de vícios. Apareceu de um tempos pra cá um ferrenho crítico do modelo dele, o Jessé Souza com sua obra a "Elite do Atraso". Material que taca o pau no Sérgio principalmente no que tange na questão do Homem Cordial. Ele expõe que o Raízes do Brasil fora uma das principais influências da academia e assim fora para o povo elegendo a política como problemática e não o capitalismo com principal problema. Aí lasca, imputar isso ao Sérgio. O Jessé é a nova coqueluche da de boa parte da esquerda. O analista político oficial. Tem seus méritos, mas essa putaria aí é um puta esticamento de baladeira.

CitizenKadu | domingo, 05 de Abril de 2020 - 22:01

Não li "A Elite do Atraso", mas conheço a polêmica. Pra mim é coqueluche da esquerda que implora por um Politicamente Correto, através de interpretações semânticas de conceitos ajambrados por ela como um exemplo de condescendência do autor com o opressor num relação de "opressor x oprimido". Alguns querendo meter na cabeça que Sérgio usa o conceito de raça para definir um aspecto do brasileiro "cordial"; outros querendo meter na cabeça que Freyre é conivente com a submissão da escravatura na sua definição de miscigenação. Não curto! Acho essa fatia da esquerda muito pseudo-progressista, que insiste em apagar o contexto de determinadas obras, e consequentemente apagar a História, muitas vezes deturpando a real intenção do autor.Muito fruto do que a França deixou com os filósofos pós-modernos, que eu prefiro chamar de pós-estruturalistas para não confundir com outros conceitos de pós-modernismo.Mas não li Jessé, só sei da polêmica.

CitizenKadu | domingo, 05 de Abril de 2020 - 22:07

Inclusive muitos do que os idiotas chamam de "marxismo cultural" ao reclamar do Politicamente Correto( e no caso de idiotas a luta contra o PC é desculpa para ser idiota - vide o caso Eduardo Bolsonaro vs. BBB; no caso de pessoas com eu, a luta contra o PC vem da luta à favor da liberdade de expressão no âmbito educativo/intelectual/cultural). Não era gramscismo e nem doutrinação política, isso vem de Foucault, Derridá,Barthes...sendo que a maioria negava naquela época o marxismo. E eu não rejeito nenhum autor, ao contrário deles, acho que eles são sim importantes e interessantes, mas há de se cuidar a influência.Eu acho muito importante para mim me distanciar dessa esquerda sabonete, porque pra mim a luta contra o Politicamente Correto não é desculpa para ser escroto, é uma questão de honra ao pensamento universal mesmo.

CitizenKadu | domingo, 05 de Abril de 2020 - 22:10

...essa é a Esquerda que eu jocosamente chamo de "a esquerda que ostraciza Zizek".

CitizenKadu | domingo, 05 de Abril de 2020 - 22:14

É foda quando as pessoas usam Marx para atacar o culturalismo; pra mim são como os cristões querendo usar Cristo como norte para ser a antítese da filosofia cristã.Pra quê?Muito politicamente correto pra mim, muito higienizado...e na verdade só aumenta o ódio.Lembrando que não li Jessé, então não culpo autores mesmo sendo tidos como "oficiais"; às vezes autores são usados como arma por interpretação conivente.

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 07 de Abril de 2020 - 01:20

Eu acho muito problemática esta questão. Esculachar um autor mediante o que ele, supostamente, veio a influenciar quando da escrita dele já assumia uma responsabilidade tácita. Tem que ser um negócio muito bem armado a arregimentado com provas canais. E sem excluir o trabalho do cara. Estou lendo o material do Jesse ainda, mas ainda não vi provas do discurso dele. Que o Sérgio teria a responsabilidade de desviar o foco do real problema. E porque tem de existir um? Ora, os problemas políticos e históricos do Brasil perpassam por várias fontes. O Jesse apontou um severo indo até a escravidão pra comprovar. O abraço das elites com o atraso. Isto não impede em nada que o homem cordial do raízes não tenha sua parcela de fuleiragem. Sérgio tinha uma puta razão em vários aspectos.

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 07 de Abril de 2020 - 01:22

Tu cita o Gilberto Freyre. O Jesse também cita, mas com uma condescendência e respeito pesado que não fora dado ao Sérgio. Mas estou neste trecho e não posso abarcar mais. Tô no caminho ainda.

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 07 de Abril de 2020 - 01:29

Macho esta esquerda cirandeira quer impor seus juízos de valores sem impetrar a história na jogada. Não é defender o indefensável, como se fosse pra passar pano pra senhor de engenho do século 17 por ter escravos já que a mão de obra era essa e ele assim fora criado pra aceitar. Cito logo este exemplo. Mas estou falando mesmo de outro tipo. Pegar o exemplo do Mojica. O cara fazia cinema autoral sem grana nenhuma, sem estudo, sem apoio dos intelectuais de esquerda do cinema à época, com raras exceções. E ainda tem gente a classificar o cinema dele como sádico, machista e misógino. Ora, tínhamos um país aloprado nestas características e numa ditadura militar e o cara mais transgressor, moralmente, é posto nesta marmota? Este é um caso de analisarmos o cidadão e o período pra não cometermos anacronismos porra. Porra de purismo. Onde estavam os meninos puros quando o Zé pra não passar fome fazia pornografia?

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 07 de Abril de 2020 - 01:36

Galera choramingar muito em cima do que o Marx disse e os caralhos, mas taí a influência do cara até hoje.

Gramsci funciona como uma espécie de releitura, grosso modo, marxista aos novos tempos. Na cultura. Que era algo subalternizado em Marx. Ora, o Gramsci tinha na revolução cultural elementos marxistas mas com um modus operandi silencioso. E isto influenciou muita gente e é exatamente por isso que os liberais e alas da direita puro sangue escrotizam sobre o tal marxismo cultural. Porque o Gramsci atualizou o discurso marxista. Então partem para a deslegitimação dos autores.

Até acho que te falei, mas numa faculdade de economia daqui um grupelho de liberais - professores e alunos - conseguiram tirar a obrigatoriedade da cátedra em ter textos do Marx na pauta. A defesa deles é uma só. A do liberal burro daqui. De que não são mais obrigatórios mas podem ser usados.

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 07 de Abril de 2020 - 01:38

Ora porra, tirar da obrigatoriedade tem uma simbologia. Que está instituição não crê na importância deste autor. Isso abre um precedente filho da puta. Abrem a boca pra falar de liberdade e os caralhos, mas com discurso demagogo de canalha impondo restrições simbólicas.

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 19:26

Ted, na minha opinião Revolução Cultural não funciona, se tu parar pra pensar, essa nova ideologia querendo ser imposta através de Brasil Paralelo/Olavo de Carvalho também uma Revolução Cultural. Quanto à Marx, ele é muito importante para se entender o dinamismo do capitalismo(clichê) através do Capital. "O Brumário..." é outra grande análise.Mas eu repudio o comunismo como uma maneira utópica de se ver uma sociedade evangelizada pelo bem-comum na queda do Estado.O interessante que a luta de classes marxista foi usada por filósofos franceses pós-estruturalistas, que alguns diziam negar a visão marxista(como Foucault), mas através do livre uso sofístico da linguística transformaram a luta de classes em micro-agressões de oprimido vs. opressor de maneira exorbitante, o que acabou desandando no "progressismo" politicamente correto e autoritário tanto quanto o BB de Orwell.E agora eu vou linkar com Mojica uma ideia conforme tu mencionaste ali...

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 19:32

...se tu é uma pessoa que conhece arte e cultura e não é preso a conceitos de "alta-arte"(entre aspas!), tu vai encontrar obstáculos tanto da direita bitolada quanto da esquerda bitolada. Imagino intelectuais de esquerda olhando com nojo para a película de Mojica nos anos 60/70/80/90 e pelo Politicamente Correto até hoje e dizendo: "Não é Godard!", com um ar francófono.Eu vou adaptando meu pensamento político conforme vejo do que o Brasil precisa sem pensar em meus investimentos na Bolsa(mesmo se eu os faça) ou apenas no meu umbigo. Mas conhecendo todas as formas de arte, se descobre cada vez mais o quanto a mesma e a própria liberdade de expressão sofre com esse excesso do Politicamente Correto. Tu não pode chamar uma mulher de "rapariga", sem que os justiceiros sociais punheteiros das redes sociais tentem te derrubar de todo modo como machista. Há idiotas, e isso não é ser politicamente incorreto..mas há que se lutar contra o PC.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:11

Macho a revolução cultural não aconteceu. Este é o ponto. Pegue o exemplo do Brasil - que é o que me interessa e por onde é possível enxergar uma turma grande acusando a existência do marxismo cultural capitaneado pelo material do Gramsci. O país é conhecido em se bater com regimes autoritários e neles permanecer, o que é algo que tolhe a intelectualidade, a liberdade, então com o crescimento do acesso à informação e com regimes de esquerda rodando o mundo, com a guerra fria em curso, era óbvio que uma linha de pensamento escrota surgisse para bater na ditadura. E quando a mesma oficializa seu fim, o pensamento mais progressista dessa galera ganha espaço. Ganha vulto. Cresce nas universidades. O ar republicano de uma democracia começa a cheirar no país, e aquilo que fosse vinculado à ditadura logo era esculhambado por vários setores. Não é uma revolução. É uma linha de pensamento que cresceu e influenciou bastante. Se fosse uma parada tão revolucionária teríamos um Bolsonaro no poder?

Ted Rafael Araujo Nogueira | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:18

Macho esse justiceirismo social é compreensível até certo ponto. Ora, os grupos vinculados a eles sofreram muito esculacho, porém há de se saber em quem bater. Porque não ir atrás de bater nas figuras que embaçam o cinema nacional financeiramente? Como o estado atual assim o faz. Porque não pensar historicamente em como figuras como o Mojica não conseguiram produzir porque simplesmente não eram aceitos em determinados círculos exatamente por estarem à margem do mesmo? É tu ser um fodido e querer bater num cara que tá pra perder o emprego. Jajá todo mundo lascado junto. É uma estupidez estratégica. O legado do Mojica fica. Ainda há muita resistência moral sobre o cinema dele, mas que se foda. No frigir dos ovos porra, ele foi o cara que teve um filme inteiro vetado e outros cortados por um regime autoritário. O que a esquerda colorida faz? Continua enaltecendo o Chico Buarque e chamando o Mojica de machista. Não cabem em algum espectro os dois? Os coloridos que se fodam.

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:19

Mas eu não disse que existiu uma Revolução Cultural no Brasil.Apenas disse que não gosto da ideia. Agora, qualquer ideologia permeia um certo de inteligência cultural, o exemplo desses "liberais" do Brasil Paralelo e desses olavistas é um que que mostra a tentativa de fingir uma anulação de qualquer ideologia, para impor a deles.Isso que chamam de marxismo cutural é uma má interpretação desse conceito de ideologia; para mim não importa qual ideologia impera enquanto houver liberdade de exprimir qual ideologia eu quiser. E existem pessoas que confundem a influência dos pós-estruturalistas franceses no sofismo do manejo da linguística para categorizar aleatoriamente universais que desafiam tanto a História como a Ciência, querendo censurar qualquer coisa que soe ofensivo, dando um tiro no próprio pé e criando ainda mais ódio pelo excesso de concentração de subterfúgios de censura em relação a algo que nem sempre é ódio.

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:25

Agora eu tenho que dizer uma coisa, sem fazer apologética de qualquer ideologia aqui, as pessoas usam filósofos para censurar de qualquer lado.Usam Marx para censurar livros, mas não podem ser chamados de marxistas. Usam o termo "liberal" para censurar Marx, mas são reacionários, sendo que Stuart Mill reprovaria tanto a censura quanto às atuações de liberais como o reacionário e pseudo-intelectual Instituto Liberal do Rodrigo Constantino, o Hélio Beltrão, ou as crianças do MBL. Mesmo que não funcionem no Brasil, autores que vão de Marx a Adam Smith, ou Keynes vs. Heyek...todos são interessantes para entender a dinâmica social pelo quanto são influentes, e lendo eles, tu chega a conclusão que esse liberalismo brasileiro é uma máscara para reacionários.

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:31

Cara, eu sou admirador do trabalho de Chico Buarque, acho ele um dos grandes poetas e ele fazia um grande trabalho com os arranjos musicais.Quando ele ganhou o Prêmio Camões e recebeu críticas por ser músico(como Dylan no Nobel) eu disse que quem merece o Prêmio Chico Buarque é Camões. Mesmo quando eu criticava e critico algumas situações que o PT nos meteu(muita corrupção e não resolução da concentração de renda, que é o que sentimos agora, depois de 16 anos deles no poder), alguns imbecis diziam:"-Como tu gosta de Chico criticando o PT?!".Enfim.Ignorância do iletrado que acusa uma pessoa por ter ligação com um partido desde criança, vide o envolvimento do Sérgio na fundação do partido.Esse é o ponto em que chegamos.Não pode gostar porque acha ruim, mas porque se envolveu com um partido que eu não gosto???Bullshit..

CitizenKadu | quarta-feira, 08 de Abril de 2020 - 23:48

Senhoras e senhores do Cineplayers, por mais que meu linguajar fique entre o avançado e o chulo, assim como a minha cabeça, lhes apresento: uma conversa de alto nível.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 02:17

Macho tu comentaste sobre o grupelho do Brasil paralelo e Olavo de Carvalho, a insignificância dessa turma é tal que esqueci de abordá-los. Insignificância eu digo acerca do discurso e não do alcance. Como revisionistas que são adequam os fatos ao próprio palavreado. Ora, o historiador estuda os fatos e monta um material de perspectiva histórica com todo o rigor necessário. Esta turma distorce os fatos em prol do seu viés ideológico apenas. O irônico é que o papo é culpabilizar a marmota do tal marxismo cultural, quando são eles que tentam pregar novas conversas moles pra angariar bocós.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 02:22

Bicho toda e qualquer interpretação de escritos fica aberta a deturpações. Vieram a mim impor o juízo de que as ideias do Marx mataram milhões no século 20. Eu fui lá e pus a culpa no Adam Smith por contra dos morticínios do neocolonialismo na África. Me acusaram de deturpar o Adam Smith. Óbvio que deturpei. Pra sacarem o que estavam fazendo com o Barbudo. Por isso eu tenho cuidado com os discursos. Existe uma diferença brutal entre o escrito, a influência e a ação. Galera não quer entender isso.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 02:26

O liberalismo a brasileira sempre foi uma piada. Basta ver quem é o guru dessa turma. Olavo de Carvalho. Por mais que estejam se engalfinhando. O liberal aqui é o homem cordial do Sérgio Buarque de Holanda. É livre mercado pra galera, mas o estado tem que proteger os interesses dele e dos seus chapas. Esse, em grande monta, é o liberal brasileiro.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 02:34

Macho não sou muito fã do Chico Buarque, nem conheço tanto quanto poderia, pra falar a verdade. Nem pelo posicionamento político e nem pela música - principalmente como cantor, nesse caso porra nenhuma. Porém sei reconhecer que o cara tem uma obra de influência no país e alguns materiais sensacionais como o disco Construção. Aliás a música Construção é uma obra prima. Mas o que me deixa mais puto não é o posicionamento dele e os caralhos, é algo mais por culpa externa. O séquito de fãs que enaltecem o cara quase como um lorde da cultura e da política. Como se tivesse resistido brava e te na ditadura e os caralhos. E alguns/algumas são as mesmas figuras que esculacham o Mojica por todas alcunha escrotas possíveis. O Chicó é da academia, é limpinho e cheiroso. O Zé é Marginal e sujo. Sujo de sujar as mãos mesmo. De se fazer acontecer na marra. Eu sou um que o defenderei com gosto. E sem antagonizar ele com um Chico, mas é de bom tom que o Zé também tenha respeito.

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 14:04

Desculpa mas hoje saiu no UOL um exemplo certeiro do que chamo de ignorância de representantes de escolas que através do politicamente correto avaliam a estrutura da linguística e impõem um autoritarismo do que pode ser ou não dito até quando resolvem chamar um Presidente de "Rainha Louca". A escola por exemplo é o pseudo-feminismo moderno.Num momento em que uma manifestação popular apelida um Presidente(como aconteceu com todos) e ganha espaço ridicularizando-o, Nina Lemos escreve um artigo chamado "Para xingar Bolsonaro temos que chamá-lo de mulher?". No texto ela diz que é um clichê machista chamar mulher de louca, e que Bolsonaro não gosta do apelido porque a piada é misógina e homofóbica("chamar homem de mulher", segundo ela).Eu leio isso e eu fico extremamente angustiado com a imbecilidade que é aceita até em níveis acadêmicos.Porque se eu pegasse e escrevesse uma resposta à Nina Lemos eu seria fortemente "tachado" de machista.Vergonha!

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 14:12

...eu quero que essa pandemia ou crie vergonha na cara dessa gente, ou varra esse pensamento mostrando o que é realmente REAL no mundo. O machismo é real, e a imbecilidade de mulheres como essa Lemos também é real.E sim, essa Lemos está sendo louca...e burra;principalmente no que concerne ao que acontece: uma crítica à autoridade se utilizando de humor.Lembrando que se você discorda, você vira machista e homofóbico e perde o "lugar de fala" automaticamente como ela deixa implícito no texto.É a queda da intelectualidade e do bom-sendo, fazendo Wolstonecraft ou Beauvoir revirar no túmulo.Enfim, é o maior exemplo que poderia dessa idiotice do Politicamente Correto que está matando o pensamento humano. E um exemplo de que quando a gente combate o PC, a gente não favorece os idiotas, a gente luta contra idiotas como essa Lemos para evitar autoritarismo na forma de se expressar dentro de um contexto.Uma mulher louca.https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2020/04/09/rainha-louca-para-xingar-

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 14:17

Não é apenas para a extrema-direita ou para o ultra-liberalismo para os quais essa pandemia vem para ensinar algo, mas tem que ensinar algo para esse extremo-regressismo disfarçado de progressismo, que anti-intelectualmente usa de subterfúgios linguísticos, para que dentro de um microcosmo acadêmico privilegiado que sequer alcança a massa, não surja limites sobre o livre-arbítrio como esses canalhas tentam impor. Se ter um grupo social que sofreu no passado, justifica estes serem representados por imbecis...então nada vai mudar, só piorar.O texto veio na hora certa e no contexto certo para que eu possa mostrar a canalhice que é este tipo de comportamento.

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 14:18

https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2020/04/09/rainha-louca-para-xingar-bolsonaro-temos-que-chama-lo-de-mulher/

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 14:56

Não é querendo frescar mas já frescando, a idéia de esculhambar o cara num é irritar ele? O que mais o irrita é levar o próprio ao que ele detesta. E a intenção é o avacalho. Dia desses chamei ele de doente mental num grupo de cinema e a patrulha da salvação veio me encher o saco. E isso serve pra que? Pra porra nenhuma.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:05

Te dizer, não tenho muita esperança em mudanças drásticas não. Quando a situação normalizar a galera escrota vai continuar sendo escrota. No máximo podemos torcer para uma melhora nas relações. No máximo. Estourando na boca do sapo.

Macho esse progressismo colorido e viçoso é distante do baião de dois do povo. Quem dos lascados sabe o que diabos é um lugar de fala? Ora, esta esquerdinha da academia quer enfiar estes termos na marra sem fazer uma conceituação com o povão sobre isso e quando toma no carretel nas urnas põe a culpa somente no povão.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:09

Canso de ver isso. O pedreiro está preocupado em por comida na mesa e ter a cachacinha dele. Se votou no bolsonaro, melou a vara pelo erro, mas ele não erra sozinho. que se corrija e veja a merda que fez, mas o campo progressista deve assumir sua culpa na parada. O momento agora é de resistir ao imbecil sem noção e depois lutar pra tira-lo de lá. Prefiro que seja pelo voto, mas ele pondo pessoas em risco que saia de todo jeito. Mas sempre tendo em mente que algo pior possa surgir com esta ação. Precisamos de união e não de choramingo representativesco.

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:35

Sim, generalizei ao dizer que a pandemia abriu os olhos de todos, quando na verdade estava me referindo de forma local, de acordo com certos incautos que possam vir a ter uma visão mais holística da desigualdade em certos casos, ou da sociedade em outros, para além do seu próprio núcleo familiar.De forma geral o "ying/yiang" continua.
Mas voltando, Mojica pode ser o mais cultuado hoje , mas ele teria aceitação dentro de uma sociedade que aceita este tipo de pensamento disfarçado de "justiça social"(entre aspas porque não é)?Porque esse pensamento vira lei em certos lugares, e daí a "justiça social" vira a "vingança social" através da eliminação do pensamento,onde tu não vai mais saber distinguir entre os verdadeiros grupos de ódio, e aqueles que apenas odeiam a limitação de pensamento que foi imposta.Bom que esse texto sobre Rainha Maluca surgiu, porque é um ótimo exemplo do que eu desprezo como Politicamente Correto .

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:43

..e é justamente esse tipo de crítica ao PC que muitos não conseguem fazer, e acabam culpando tudo o que for de esquerda, ou chamando de marxismo cultural, porque leram Olavo de Carvalho, mas sequer leram aquilo que o guru disse ter lido, ou aquilos que eles já deveriam ter lido ao procurar um guru que lhes ensinasse "filosofia".Como nas antigas Universidades de Filosofia que dependendo do professor, ele te perguntava um autor, e se tu dissesse que não tinha lido a resposta era: " - Como e por quê tu está aqui então?!".Tudo o que eu costumo criticar vem de pessoas que deturpam o livre-pensamento, e só gostam de levar no rabo o que certo guru fala, ao invés de pesquisarem aquilo que realmente é, se deixando enganar por uma atitude pseudo-punk.

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:51

E no caso desse regressismo disfarçado de progressismo, também existem gurus que deturpam o feminismo, deturpam o que é homofobia, deturpam o que é ódio no geral(como no caso destes retardados que reclamaram de tu falar em retardo).E mesmo havendo um "lugar de fala", no momento em que serve para ser um mote para a pessoa ser a "dona da razão" e pra calar o diálogo do outro, vira autoritarismo.Autoritarismo porque tudo é prefácio de uma Lei.Vira o Big Brother de Orwell.Se a polarização e a democracia não elegesse Bolsonaro, um grupo de milhões se tornaria mais perigoso num underground para se erguer com mais força no futuro, onde não necessariamente poderá haver uma crise mundial que acorde alguns, e cegue mais outros.Por isso que tudo é importante, e por isso com tudo se aprende. O progressismo deturpado por essa galera também censura livros(arte no geral), tira do contexto, e não sabe lidar com o contraditório.

CitizenKadu | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 15:54

...e o pior é que eles usam a dor do oprimido para impor esse autoritarismo, arrebatando vários pássaros feridos no caminho para dar apoio.O que me faz lembrar da analogia da ferradura cada vez mais, porém dentro da esfera mais abstrata das ideologias, e que se torna concreta quando atinge seu perigoso ápice.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 16:57

Macho o Mojica pode ser mais respeitado em certos círculos em parte por um viralatismo existente. Serve direitinho. Bastou o cara ser respeitado lá fora que começaram a vê-lo com outros olhos. E isso é putaria de alas da crítica e da academia. Ora, nos anos 60/70 o cara levava uma galera boa aos cinemas. Até os pornos dos 80 dele tiveram sucesso. Por isso eu trato no cagaço e no esculhambo quem me vem com moralismo bosta sobre ele.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 17:02

Cara esta problemática política vem lá de trás. Das interpretações bostas por sobre autores, e nisso, a adaptação ocorre de maneira a esvaziar o trabalho do cara usando conceitos soltos. Como quando falam que o pensamento progressista é todo ele voltado ao Marx. Ora, exitem alas números de movimentos sociais que criticam Marx. O movimento negro é um. Porque o Marx levara em consideração a realidade europeia de trabalho e não a mão-de-obra escrava negra. Portanto ele seguem outras leituras, mesmo que alguma encontrem Marx de alguma forma. Eles se utilizam da corrente pós-colonialista. Agora explica pro acusador isso.

Ted Rafael Araujo Nogueira | quinta-feira, 09 de Abril de 2020 - 17:10

Enquanto ficarmos nessa matança estratégica não vamos a lugar nenhum. No atual momento no Brasil, por exemplo, a esquerda (campo progressista, que seja) tá ganhando uma oportunidade ótima para se unir. O governo Bolsonaro se lasca sozinho desde o início de 2019. Vamos ver como isso vai se configurar no pós-pandemia.

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