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Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, O

(Terminator: Dark Fate, 2019)
7,2
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Inexorável

7,0

Exterminador do Futuro completou 35 anos no último sábado, 26 de outubro, tendo, enfim, bons motivos para celebrar. Após três filmes sofríveis —  O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (2003), O Exterminador do Futuro: A Salvação (2009) e O Exterminador do Futuro: Gênesis (2015) —, isso está sendo possível graças ao retorno de seu criador, o "supercineasta" James Cameron, para o sexto filme da franquia. Seu toque de Midas em Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é bem simples: cercar-se dos melhores profissionais em cada área, identificar os signos principais da cinessérie e resgatá-los em consonância com o que há de mais atual no cinema e no mundo. Um jogo pragmático que, dado o estado em que Terminator se encontrava, imprime um novo gás na franquia. Ou surge como um desfecho digno para a trilogia.

Pois é, trilogia. O primeiro acerto de James Cameron e seus comandados é ignorar absolutamente os três filmes anteriores e realizar uma continuação direta de Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991). E não somente: Terminator: Dark Fate lembra muito o procedimento usado por J.J. Abrams em Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (2015), ao resgatar a franquia reciclando a trama do original, Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança. Esse novo filme também atualiza tudo: a clássica sequência de perseguição numa autoestrada apenas substitui o caminhão por um trator, o Rev-9 (Gabriel Luna) é uma digna versão latina do implacável T-1000 (Robert Patrick), Grace (Mackenzie Davis) faz as vezes do T-800 até Arnold Schwarzenegger surgir em cena e a própria Sarah Connor (Linda Hamilton) identifica Dani Ramos (Natalia Reyes) como sendo ela mesma no passado.

Assim, no que peca em originalidade, Exterminador do Futuro: Destino Sombrio esbanja em termos de fidelidade à cinessérie e em articular suas melhores qualidades com habilidade. O artesão da vez é Tim Miller. Que, como em Deadpool, ganha o presente de dirigir um roteiro de terceiros que, apesar de suas claras limitações dramatúrgicas, não perde tempo se levando a sério ou se estendendo demais  — o texto é autoconsciente, brinca com seu próprio universo, é engraçado (a humanização do T-800 é impagável) e é todo construído como ode aos personagens clássicos e preparação para as grandes cenas de ação que virão. Tim Miller não poderia desejar algo mais condizente com suas características. E faz um excelente trabalho.

Desde o primeiro confronto numa fábrica de automóveis, o diretor demonstra um admirável senso de organização de cena. O público sabe perfeitamente onde estão os personagens presentes no quadro e fora dele, o que potencializa a força do Rev-9 diante de humanos com uma fração de sua força, e as boas coreografias de luta são sempre inteligíveis, se vê tudo que ocorre em cena. No clímax final, quando Grace, Sarah, Dani e T-800 estão reunidos, a mise-en-scène é um show à parte. Todos dispostos lado a lado como uma equipe, cada qual tendo suas características expressas pelos seus rostos e armas: T-800 impositivo, cara fechada, em primeiro plano porque detentor do corpo mais forte para suportar um golpe do Rev-9; Grace girando uma corrente, não só exibindo suas habilidades marciais, como enchendo o confronto vindouro de expectativa; Sarah mais baddass do que nunca com sua arma de alto calibre; e Dani mais atrás, pois mais frágil, até o momento em que assume protagonismo e enfim se revela (superando os longos momentos no segundo ato em que sua personagem, um genérico da antipática Michelle Rodriguez, beira o insuportável).

O limitado trio de roteiristas de Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (David S. Goyer, de Batman vs Superman, Justin Rhodes, de Contract Killers, e Billy Ray, de Projeto Gemini) é responsável direto pelos piores momentos do filme. Diálogos sem propósito antes de grandes lutas (apesar do hiato necessário para se demarcar narrativamente essas sequências) e explicações ruins para reviravoltas em relação a eventos anteriores da franquia, por exemplo. Porém, alguns elementos na trama são louváveis. O dito feminismo pregado por James Cameron na franquia desde a década de 80 está mais latente do que nunca. Ao modo de um filme todo feito por homens, é verdade. Mas é inegável o protagonismo, a força e a união das mulheres no longa-metragem  — além de que todas, até Natalia Reyes, tem boas atuações (Mackenzie Davis é uma excelente atriz de ação). Insinuações homoafetivas entre elas também são um aspecto sutil que enriquece a obra em termos de ampliação da identificação do público com a história, além de uma articulação inteligente (quase imperceptível) e corajosa. Também vale reconhecer o esforço dos realizadores em endereçar um tema em pauta nos Estados Unidos ao associar a fuga delas para o outro lado da fronteira à crise de imigração radicalizada por Donald Trump com o México.

Uma discussão entre Sarah e Grace apresenta outro aspecto interessante de Exterminador do Futuro: Destino Sombrio. Enquanto Sarah afirma orgulhosamente ser mãe de John Connor (Edward Furlong), o homem que liderou a resistência contra a Skynet e salvou bilhões de pessoas, Grace afirma que o apocalipse chegou mesmo assim, por outras vias. O destino sombrio é inexorável. Virá de todo jeito. E a raça humana segue lutando. É uma pincelada (com contornos filosóficos, existencialistas, religiosos) que orna o todo, dando sentido à continuidade da franquia, ao título desse sexto filme e ao seu desfecho, quando o presente encontra o futuro. Fica, assim, aberta a possibilidade de uma sequência. Que até pode ser boa, haja vista a química e competência do trio feminino encontrado pela franquia. Mas esse soa para mim como o final definitivo da saga clássica. Pela forma como evoca a obra original (repare como o cenário se transforma no do filme de 1984 quando entra em chamas) e provoca uma rima que dá um senso de completude para Exterminador do Futuro e seu símbolo maior: Arnold Schwarzenegger, que teria aqui uma despedida à altura do magnífico T-800.

Comentários (1)

Ted Rafael Araujo Nogueira | sexta-feira, 01 de Novembro de 2019 - 22:40

Iegua. Dou o maior valor ao três, inclusive a ideia de se usar a inevitabilidade do julgamento final veio antes nele.

Massa o texto animal.

Rodrigo Torres | sábado, 02 de Novembro de 2019 - 17:51

Pô, o segundo é muito foda! E o primeiro, dado contexto (e apesar de ter ficado meio datado), é bem interessante também. Um dos filmes que mais me assustavam quando moleque. Esse terceiro justifica tudo que faz para reivindicar o posto de filme de encerramento da trilogia.

Valeu, macho.

Rodrigo Torres | sábado, 02 de Novembro de 2019 - 17:54

Ah, um adendo: confesso pra você que subi a nota de 6.5 pra 7.0, dando peso um pouco maior às qualidades do filme que aos seus problemas dramatúrgicos. Tudo pra dizer que o filme não tem nada de especial, mas é uma boa sessão de cinema, além de condizente com o cânone e o nível da saga principal. Vale conferir.

Ted Rafael Araujo Nogueira | segunda-feira, 04 de Novembro de 2019 - 11:42

Bicho o 2 é foda por respeitar o que fora preparado no um, dando um background mais aprofundado e tem muita força na ação e na tecnologia inovadora. Maior filme de ação até hoje. O primeiro surpreendeu pelo roteiro muito bem desenvolvido e por ter um vilão absolutamente implacável tomando as atenções.

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