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Perfis

Foto de Carlo Ponti

Carlo Ponti

Idade
94 anos
Nascimento
11/12/1912
Falecimento
10/01/2007
País de nascimento
Itália
Local de nascimento
Magenta, Lombardy

O maior desafio que o produtor traçou para si próprio foi fazer de Sophia Loren uma estrela.

Carlos Ponti morreu quarta-feira, dia 10 de janeiro de 2007, em Gênova, aos 94 anos. Ponti ficou conhecido por financiar alguns dos filmes mais famosos de todos os tempos e responsável também pelo surgimento de uma das maiores estrelas do cinema italiano e mundial: Sophia Loren.

 

O produtor trabalhou em mais de 100 filmes, com vários diretores de renome internacional.  Essa diversidade fez com ele contribuísse com o desenvolvimento de diversos movimentos cinematográficos, como o neo-realismo italiano (Europa 51, de Roberto Rossellini; O Ferroviário, de Pietro Germi e O Ouro de Nápoles, de Vittorio de Sica) e a novelle-vague (Uma Mulher é Uma Mulher e O Desprezo, ambos de Jean-Luc Godard e Cléo das 5 às 7, de Agnes Varda).

 

Contribuiu também com o início da carreira de Federico Fellini, ao produzir A Estrada da Vida, uma das primeiras obras-primas do diretor. Bancou também os trabalhos de David Lean (Doutor Jivago - um de seus maiores sucessos comerciais); Milos Forman (O Baile dos Bombeiros); King Vidor (Guerra e Paz); Roman Polanski (Que?); Peter Ustinov (Lady L); Jean-Pierre Melville (Técnica de um Delator); Giuliano Montaldo (Giordano Bruno); Mario Monicelli (Casanova 70); e Jacques Demi (Lola).

 

Apesar de colaborar com inúmeros cineastas, o maior desafio que Carlo Ponti traçou para si próprio foi fazer de Sophia Loren uma estrela. Depois de se livrar de uma longa  pendência judicial de enorme repercussão na mídia italiana (Ponti era casado quando conheceu Sophia e, como a lei nacional não permitia o divórcio entre os casais, ele chegou a ser acusado de bigamia), o produtor pôde se ocupar exclusivamente com seu objetivo.

 

Inicialmente, sua estratégia foi marcar território no cenário americano. Em 1958, Sophia Loren estrelou ao lado de Anthony Quinn, o drama A Orquídea Negra, de Martin Ritt, espécie de refilmagem de A Rosa Tatuada, sucesso anterior de outra atriz italiana, Anna Magnani. Manteve-a nos EUA, com o interessante Mulher Daquela Espécie, lançado em 1959, com direção de Sidney Lumet. E em 1960, fez com ela participasse no fraco O Escândalo da Princesa, de um já envelhecido Michael Curtiz.

 

Em 1961, a consagração de sua pupila veio na forma do Oscar por Duas Mulheres, drama de enorme sucesso de público e crítica, dirigido por Vittorio de Sica. Até 1998, quando Roberto Benigni conquistou o prêmio de interpretação por A Vida é Bela, Sophia Loren era a única atriz estrangeira a ganhar a estatueta falando em sua língua natal (não à toa, o Oscar de melhor filme estrangeiro daquele ano, conquistado também por Benigni, foi entregue pela mãos da atriz).

 

Carlo Ponti continuou sua marcha de sucesso com a esposa em outros filmes, como Ontem, Hoje e Amanhã (1963), pelo qual recebeu o Oscar de Melhor Fita Estrangeira, e Matrimônio à Italiana (1964), que rendeu a atriz sua segunda indicação ao prêmio da Academia.

 

Por volta de meados dos anos 60, o produtor passou a financiar os filmes de Michelangelo Antonioni, como Blow-Up, Zabriskie Point e Passageiro: Profissão Repórter.

 

Nos últimos anos, Ponti se dedicou exclusivamente à TV, mídia na qual produziu mais dois trabalhos para Sophia Loren: uma refilmagem de Duas Mulheres, dirigido por Dino Risi, e Sábado, Domingo e Segunda, de Lina Wertmüller.

 

Em 1998, Carlo Ponti compareceu ao Festival de Cinema de Veneza para receber, em nome de Sophia Loren, o prêmio pela conjunto da carreira da atriz, ausente por problemas de saúde.