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Perfis

Foto de Tony Scott

Tony Scott

Idade
68 anos
Nascimento
21/06/1944
Falecimento
19/08/2012
País de nascimento
Inglaterra
Local de nascimento
North Shields, Northumberland

O cinema de Tony Scott.

Eu era um grande fã dos filmes de Tony Scott. Tony estilista, Tony experimental, ele tinha tudo. Eu estou tão triste hoje." (John Carpenter no dia da morte de Scott)

Há duas carreiras distintas na filmografia de Tony Scott, que se confundem, mas não necessariamente se equivalem. Ou três, se lembrarmos de seus primeiros trabalhos na virada dos anos 60/70: Loving Memory (idem, 1971), um conto mórbido de cerca de uma hora de duração que impressionaria muito mesmo se fosse mudo, amparado com uma imagem bem forte de um cadáver diante de uma velha senhora que o atropelou a recitar-lhe um monologo em sua casa, e antes dele, o curta One of the Missing (idem, 1969), baseado em Ambrose Pierce, com o seu irmão Ridley como ator — também dirigiu um episódio de uma série de TV franco-inglesa baseada em romances de Henry James (que entre desconhecidos e outros de maior renome, teve episódios dirigidos também por Claude Chabrol e o alemão Volker Schlöndorff). Tony, por sua vez, já havia aparecido como ator num dos curtas do irmão, uma década antes, e ambos em seus primórdios na Inglaterra foram alunos do Royal College of Art, e depois sócios de uma companhia em que dirigiram bastante publicidade e comerciais, e mais tarde, videoclipes.

Os irmãos Scott surgiram num contexto de renovação do cinema inglês como indústria (uma década depois dos esforços do new free cinema, que já se mostravam então superados), capitaneado em torno do produtor David Puttman, que lançou diretores como Ridley, Alan Parker, Adrian Lyne, Hugh Hudson e Roland Joffé, entre outros, todos tidos como revelações e com posterior carreira em Hollywood, mas que no decorrer de suas obras (quando não já nos primeiros ou segundos filmes) demonstravam todas as limitações dessa “escola” inglesa (da qual Tony fez parte também): um cinema com uma estética marcada pela publicidade (quando não pelo videoclipe), buscando certa sofisticação visual afetada e decorativa, pretensamente elegante, para vender uma idéia e fazer com que o público se sinta inteligente, mas que invariavelmente escondiam (ou revelavam, como queiram) um trabalho ineficaz e pobre como cinema.

O sucesso comercial da maioria desses filmes (legitimados pela aprovação de grande parte da crítica tradicional) estimulou que outros diretores estreassem no longa-metragem. Tony Scott surgiu à sombra do seu irmão mais velho e já consagrado despontando com Fome de Viver (The Hunger, 1983), sempre definido como o terror-chique dos anos 80, que em seus atributos e fraquezas contém bastante das caracteristicas apontadas no parágrafo acima (o seu melhor é a famosa cena lésbica entre Catherine Deneuve e Susan Sarandon). O pior estava por vir: Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun, 1986), seu trabalho mais fraco, mas fenômeno pop da época, apenas um produto que ilustrava muito da aberração que foram os anos oitenta, como triunfo de uma mentalidade conservadora, militarista, superficial, uma péssima atualização dos filmes de aviação de quarenta anos antes e que conquistaria uma legião numerosa de fãs, possibilitando ao menos que o diretor se tornasse um nome forte na indústria.

Pode-se preferir, contudo, nesse começo de Tony Scott em Hollywood, a divertida sequência de Um Tira da Pesada que ele filmou.  De resto, foi um período marcado pelo fracasso de Dias de Trovão (Days of Thunder, 1990), que tentava refazer Top Gun com automóveis (só serviu para que o casal Tom Cruise e Nicole Kidman se conhecesse), o também mal-sucedido Vingança (Revenge, 1990), aproveitando a escalada de Kevin Costner como astro, e O Último Boy Scout (The Last Boy Scout, 1991), uma das variações de Duro de Matar estreladas por Bruce Willis. Filmou também um dos primeiros roteiros de Quentin Tarantino, Amor à Queima-Roupa (True Romance, 1993), reunindo um numeroso elenco cult, porém a afetação de Scott como cineasta não combinou bem com a do roteirista.

Essa sequência de trabalhos de qualidade duvidosas, quando não francamente ruins, antecederam ao começo da fase mais madura de Toy Scott como cineasta, ao entrar na faixa etária dos cinquenta anos, encontrando no thriller um formato mais sólido para materializar uma expressão mais bem-acabada do seu cinema, a começar pelos mais consistentes Maré Vermelha (Crimson Tide, 1995) e Inimigo de Estado (Enemy of the State, 1998). Entre os dois, há um suspense mais fraco, Estranha Obsessão (The Fan, 1996), que depõe contra, mas na década seguinte Tony Scott pro bem ou pro mal cristalizaria o seu estilo de maneira irrefreável, desenvolvendo-o com grande consciência, sem se limitar a truques ou exercícios de gênero. Isso desde que Jogo de Espiões (Spy Game, 2001) em seu decorrer deixa de ser uma história tradicional de espionagem para se tornar um estranho jogo de manipulações entre os personagens e de ruptura e reconciliação entre os protagonistas, menos interessado na intriga do que na relação entre as suas figuras em cena. Poucos enxergaram na época esse avanço na carreira de Scott, e foi preciso cada um dos seus trabalhos seguintes ao longo de toda uma década para se compreender (goste-se ou não desses filmes mais recentes) que eles guardam em si um projeto cinematográfico bem particular e propostas estéticas muito bem urdidas e nada desprezíveis.

O que salta aos olhos nesses trabalhos são o experimento e emprego de diversos tons na fotografia, na textura e no tratamento das imagens, os excessos estéticos e estilísticos com filtros diversos, talvez inéditos no cinema comercial norte-americano, e que alguns setores da crítica internacional apontam como próximos de um cinema de vanguarda (como os de Peter Tscherkassky e Pat O’Neill). Suas narrativas e personagens se desenvolvem por meio de um fluxo não raro emocionais por meio dessas imagens retrabalhadas pelo olho de Scott e geralmente numa edição ultra-rápida que por vezes desafia a capacidade de apreensão do espectador, cabendo a este escolher por rejeitar ou ceder a essa entrega ao universo do cineasta inglês. Um processo que não esconde uma substancialidade às vezes mais flagrante e em outras menos evidentes, mas sempre manifesta na obra de Scott, onde em cada filme cedo ou tarde geralmente ocorre uma transição de um cinema de suspense para um conteúdo psicológico mais desenvolvido, sem que os filmes abandonem a condição de thrillers a que se propõem, com eles existindo de tal forma que as obsessões autorais de Tony Scott podem passar despercebidas, sem perturbar o público que vai assistir a uma aventura movimentada como outra qualquer, porque o realizador teve êxito ao encaixar num tema batido muito do que é particular e precioso em seu cinema.

Se em termos de conteúdo seu cinema mais recente é antigenérico, violentando os clichês de gênero mais do que propriamente aderindo a eles, sua narrativa imagética é imersiva, incrementando o lado atmosférico e a excitação sensorial do filme, por vezes levando o espectador a um limite da percepção. Os pontos altos sendo o semi-experimental Domino - A Caçadora de Recompensas (Domino, 2005) e o romance fantasmagórico e thriller futurista-necrófilo Déjà Vu (idem, 2006), que exarcebam o seu estilo e expandem tudo que o diretor vinha experimentando e testando em filmes anteriores. Há que se destacar também, além de seus longas, um curta-metragem nascido de um comercial, o ótimo e engraçado Beat the Devil (idem, 2002), envolvendo um motorista (Clive Owen), o Diabo (Gary Oldman) e um velho músico (James Brown). Morreu sem concretizar um sonhado projeto de tantos anos, o remake de Os Selvagens da Noite (Warriors, 1979), de Walter Hill, dentre outros títulos que se cogitava para ser dirigido por ele.

Filmografia

Título Prêmios Ano Notas
1965
Título Prêmios Ano Notas
1990
4,8
5,7
1986
5,8
6,5
1987
6,3
6,4
2004
6,9
7,1
1991
6,4
2001
7,2
6,8
1998
7,1
7,3
2006
6,7
6,7
2005
5,1
5,2
1996
6,1
1983
7,5
7,4
1993
6,9
7,3
2009
5,8
5,8
1995
6,6
1990
6,1
2010
6,3
6,5
2002