
- Direção
- Chang-dong Lee
- Roteiro:
- Chang-dong Lee (roteiro), Jung-mi Oh (roteiro), Haruki Murakami (conto)
- Gênero:
- Drama, Suspense
- Origem:
- Coréia do Sul
- Estreia:
- 15/11/2018
- Duração:
- 148 minutos
- Prêmios:
- 71° Festival de Cannes - 2018
Lupas (20)
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É frágil em seu conceito, o que não incomodaria tanto não fosse a falta de entrosamento do trio principal. Além do mais, se sustenta muito na figura do protagonista e, se não há identificação com o mesmo, a experiência se torna extremamente rasa, quase nula. Muitíssimo abaixo do seu filme antecessor.
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Levemente baseado no conto Haruki Murakami, com muita licença poética na trama ficcional, e inversão de ações e papéis, mas que gerou uma obra genial… Muitas cenas implícitas, atos e fatos nas entrelinhas, nos sentimos na primeira pessoa, dentro do protagonista, no ciúme da guria, na inveja do namorado dela, na tristeza pelo pai, na desesperança da fazenda e a bezerra, o gatinho Fervura, e somos cúmplices de seus atos finais, uma sensação de justiça, dever cumprido, simbólico, triste, poético.
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Quando o sustentáculo de um gênero desconstrói os padrões uma vez moldados pela indústria e coloca a prova o espectador numa narrativa densa, sensorial, cheia de imagens enigmáticas e personagens saídos de um contexto pouco explorado. O cinema coreano é e sempre foi o melhor quando se trata de resolver mistérios.
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Toma seu tempo para vincular uma narrativa hitchcockiana mantendo sempre o campo da subjetividade ao protagonista (seja sobre as informações ou o emocional), limitando a mesma para a perspectiva do espectador sem subestimar a inteligência de ninguém. Dong Lee faz quase uma parceria com Paul Verhoeven (Elle) e Alain Guiraudie (Um Estranho no Lago).
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A narrativa impressiona, articula com precisão a ambiguidade dos personagens. Lee Chang-Dong é um realizador para se prestar atenção.
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Queria ter gostado mais. Começa bem com seu passeio pela Coreia do Sul moderna e enfastiados jovens ricos que encaram doses de misticismo tribal como uma frivolidade para mesas de bar tudo dentro de um primor técnico e bons achados visuais e nos diálogos, mas ali pelo meio acaba chafurdando em cenas prolongadas em demasia que acaba deixando tudo muito arrastado rumo a uma resolução previsível
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Pouco a pouco instigantes situações e mistérios são mostrados sem pressa e explicações afirmativas, mostrando o poder da sugestão em mentes perturbadas.
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Talvez seja o recorde de maior tempo (2h30min) para narrar o conto da "bolinha de ping-pong vermelha"! PQP, haja paciência para tanta desinformação narrativa, que não leva a nada! Infelizmente, para agradar a crítica intelectual, o circuito independente precisa se submeter a estes artifícios (mistério inicial, discurso pisco-filosófico e final aberto, de preferência com algum banho de sangue pelo caminho), mas aqui Chang-dong Lee exagerou na montagem final.
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Sem dúvida um filme paciente, sem pressa em delinear a relação entre o triângulo e que alimenta o mistério aos poucos sem a vontade incontrolável típica em ter um twist deslocado em tempo e espaço para surpreender. Todavia algumas sub-tramas descartáveis e o excesso de rigor e silêncios nem sempre muito justificados afastam de um envolvimento maior.
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Filme que se debruça na obsessão de um personagem que vai aos poucos se tornando cada vez desorientado assim como o ponto de vista do espectador. Aqui há uma muito bem executada inversão de características do cinema de suspense, hitchcockiano que vai se tornando anti-hitchcock. Uma pérola de filme. Dos melhores de 2018
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Pode ter lá, para alguns, a sua densidade psicológica, mas se trata de um filme distante na criação de seu subtexto, tolo em suas metáforas, e pobre em seu desenvolvimento.
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Confesso que não tenho muita afinidade com o estilo minimalista, ainda mais num suspense de 2h30. O conto tem seus méritos e o filme ganha força no final, especialmente na sua resolução aberta. Mas toda a construção da primeira metade é muito arrastada e torna a experiência cansativa. Poderia ter pelo menos meia hora a menos.
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Apesar da atmosfera muito bem construída, é uma obra que acaba tendo sua força diluída ao se arrastar um tanto além da conta e oferecer algumas soluções bastante previsíveis.
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Ode a ilusão, abusando da imaginação do espectador em sincronia com a paranoia de seu protagonista, sem permitir maior clareza nos fatos em si. Tudo pode ter acontecido, só nos resta as consequências.
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Uma das recentes epítomes do extraordinário cinemão sul-coreano, de longe o melhor desse milênio. A direção de Chang-dong Lee é simplesmente espetacular, tratando suspense e mistério como elementos de insuperável grandeza - Tourneur ficaria orgulhoso.
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Não faço parte da maioria, que aclamou esse filme.O longa tem uma narrativa "diferente" e requer sensibilidade do espectador, além de ser longo.Mesmo com minha paciência cinéfila, não me agradou mesmo.
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Interessante a proposta e até uma hora e meia de filme quando o "vilão" expõem o teor do terceiro ato eu estava bastante entretido. Uma pena tbm a falta de afinidade com o protagonista distímico e como a explosão no final me pareceu previsível, até morna.
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Planos narrativos se sobrepõem de forma enigmática, formando um todo complexo e intrigante, bem como uma tensão progressiva que acompanha a perturbação ao redor do ótimo protagonista. É inevitável sair da exibição estremecido por dúvidas e interpretações.
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Chang-dong aborda a juventude perdida usando silêncios nem sempre eloquentes em uma trama que por vezes se esgarça no tempo.
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Burning e o problema de entupir um eixo central com tramas paralelas que em nada acrescentam - os pais do protagonista, Ben e as estufas, etc -, com uma duração desnecessária sem força de sustentar o interesse do mistério até o final. Raso suspense.