O maior perigo não é um serial killer a solta. É não haver um homem sequer em quem confiar. Com uma fotografia vertiginosa e claustrofóbica, a prisão urbana rastreia mulheres buscando liberdade, amparo, esperança. Um horror psicológico de inúmeras máscaras, de prazer sórdido e repugnante poesia.
Trata-se de um filme subestimado, provavelmente por não ser compreendido na medida em que o deve ser. A atmosfera soturna e ao mesmo tempo quente e agoniante é bem trabalhada pela fotografia e remete ao inferno psíquico que circunda a relação do homem/mulher moderna com o seu meio. Tem-se muitos sentimentos puros da feminilidade reprimidos, ao passo que os desejos masculinas quase sempre resvalam para a violência e opressão. Tudo isso embalado em uma trama policial.
Meio enrolado e intrincado no começo, e lento, mas com o desenvolvimento, vai encorpando e envolvendo, demora a dizer a que veio, mas é um bom filme, ofegante e sensual, a dupla Meg e Mark Lindos...