Um filme completo para a realidade do sertão nordestino. Revela em seu enredo cenas do regionalismo brasileiro da época (como a guerra entre famílias por causa de terras, o dialeto, as tradições...).
Assim como na ficção de Walter Salles (inspirado no romance Abril Despedaçado de Ismail Kadaré) os escritores dessa época procuravam mostrar não o seu povo e a sua terra com exaltação, mas as dificuldades enfrentadas na luta pela sobrevivência, na injustiça social, na seca, na autoridade patriarcal entre outros elementos que caracterizavam e regulavam a vida dessas personagens determinada por fatores concretos já mencionados.
Em Abril Despedaçado vemos momentos marcantes que remetem ao universalismo como a chegada do circo, a amizade entre os dois irmãos que desafia a autoridade do pai e o sacrifício de Menino conduzem a trajetória do filme à uma esperança no seu desfecho.
O balanço feito para o Menino é um símbolo de liberdade para as personagens que trabalham incansavelmente.
Um filme que vale a pena ver, não somente pelo roteiro, mas também pelas excelentes atuações de José Dumont (bem melhor em cinema do que em novelas) e Rodrigo Santoro que interpreta com competência e sensatez seu personagem.
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