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Minha Mãe é uma Peça 3

(Minha Mãe é uma Peça 3, 2019)
6,6
Média
21 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Uma mãe em embate com seu filho-criador

5,0

Paulo Gustavo é uma máquina de fazer dinheiro, viemos acompanhando essa afirmação com 100% de acerto durante toda essa década, mas não somente isso. Com o fortalecimento de seus laços familiares reais, o casamento, o nascimento dos filhos, um sujeito preocupado com o lugar da família e na reprodução desses valores da sua vida particular na sua principal obra se tornou uma característica ainda mais realçada que as empreitadas anteriores. Com isso Minha Mãe é uma Peça, que já tinha esse conceito como principal bandeira, se tornou o ponto de conclusão da mesma, chegando a invadir a realidade com resultados nada animadores.

Dona Hermínia continua imbatível enquanto personagem, e Paulo não perde um lance do filme que seja para aprofundar o olhar dessa mãe sobre todas as coisas que a circundam. D. Hermínia, e esse é um acerto ímpar da obra, é alguém que constantemente aprende novas camadas sobre o admirável mundo novo que ela assume não ser mais o seu, mas que ela luta arduamente pra entender. Se autoproclamando como "velha" a todo momento da projeção, a personagem acima de tudo mantém a característica que a tornam um acerto de concepção e manutenção, que é essa ânsia de saber e poder se comunicar com o que não compreende, mas quer compreender.

Ao mais uma vez reproduzir a pura humanidade nos olhos dessa mulher que conhece melhor do que ninguém, Paulo mais uma vez prova que essa mulher em particular ele conhece melhor que ninguém, e continua injetando em seu semblante algo único. Dessa vez é a cena onde precisa ser comunicada que seus préstimos não serão necessários, nem no casamento do filho nem no nascimento do neto. O olhar, os gestos, a sagacidade da construção desse momento (que até tem uma comicidade, mas que é muito mais dolorido graças ao talento de seu intérprete) são das cenas que fazem valer esse novo capítulo.
Susana Garcia (que dirigiu Paulo no hit do ano passado Minha Vida em Marte) não tenta promover nada de novo num universo que se entende conhecido e assimilado pelo público, em uma série que recebe a terceira direção diferente, uma por capítulo. Como a trilogia é alicerçada sobre D. Hermínia e as tiradas que a fazem tão única quanto um retrato de todas as mães, o material exibido nunca foi de excelência em realização e a essa altura isso já foi compreendido e aceito. O show é dos afiados diálogos e da leitura absolutamente perspicaz que seu autor tem desse universo que lhe é muito caro, e talvez por isso mesmo até um pouco confortável demais.
Apesar de evitar os momentos trágicos que afetaram os dois primeiros episódios e que não se justificavam para além de jogar com um conceito de "vida e morte familiar comum", ainda assim esse terceiro é com certeza o de humor menos ininterrupto - ainda que seja muito engraçado, afinal é Paulo Gustavo. O filme de fato gasta muito tempo na necessidade de passar ao espectador os tais valores familiares muito padrãozinho, o que inclui um casal gay quase asséptico, e que é uma pena para esse filme especificamente. 
Que Paulo encerre o filme em clima de vídeo de festa de bodas de casamento, até muito brega e despropositado com declaração de amor à mãe, ao marido, aos filhos, à irmã (etc, etc...), e não tenha percebido que tudo isso feito dessa maneira ostensiva e nada cinematográfica só sobrecarregou sua obra, é um sinal de como o "homem Paulo" não tá conseguindo nem muito menos querendo separar sua vida pessoal de sua persona artística. Sai de cena o ator Paulo e entra uma outra personalidade, menos talentosa que o cronista que transformou a própria mãe em homenageada. 

Comentários (2)

Alan Nina | quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019 - 17:06

Carbone, vc tem um esforço admirável em escrever sobre os filmes mais atuais, parabéns!! Contudo, acredito que a pressa para entregar o produto (críticas fast-movies) está tornando o texto meio confuso.
Exemplo: "Ao mais uma vez reproduzir a pura humanidade nos olhos dessa mulher que conhece melhor do que ninguém, Paulo mais uma vez prova que essa mulher em particular ele conhece melhor que ninguém, e continua injetando em seu semblante algo único."
1) veja as repetições da frase, foi proposital?
2) Quem injeta o semblante em quem, a mulher em Paulo? Paulo na mulher? Tanto faz?

Enfim, só um exemplo do como a pressa tá prejudicando um pouco o seu texto, embora eu ame sua escrita, pois sempre tem muito conteúdo. Abraço

Rodrigo Cunha | quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019 - 21:34

Paulo está injetando no semblante da mãe...

Alan Nina | sexta-feira, 27 de Dezembro de 2019 - 10:08

Valeu Cunha :)

Francisco Carbone | sexta-feira, 27 de Dezembro de 2019 - 05:00

Oi Alan. Obrigado pelos elogios e por acompanhar o trabalho, que de fato foi corrido nos últimos meses.

O que você citou como repetição de frases, seria uma repetição de expressões, no caso o 'mais uma vez'? Se era disso que você citava, sim, foi proposital. Quanto a situação com o semblante e quem injeta em quem, Rodrigo te respondeu o correto. Perdão se pareci confuso, e obrigado pelo retorno. Não perca o hábito de manter o contato, ele é muito importante e nós faz perceber como a atenção de vocês é pra valer. Da minha parte, estarei por aqui tentando sanar as possíveis confusões.

Um grande abraço,

Alan Nina | sexta-feira, 27 de Dezembro de 2019 - 10:07

Obrigado por responder Carbone, e desculpa se pareci meio prolixo rsrsrs

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