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Críticas

Cineplayers

Quando era pra chegar lá, falhou.

5,0
Sempre fui um dos defensores da franquia Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012). Gosto da mistura em tom depressivo de uma sociedade oprimida, do jeito que as cenas de ação se misturam com um desenvolvimento humano e, principalmente, da identidade que a franquia conseguiu adquirir ao longo desses últimos anos, com cenários marcantes, figurinos exóticos coloridos e que demonstram o incrível desnível social que há naquele lugar em que Katniss Everdeen (Lawrence) se tornou um símbolo, contra sua vontade. O filme, no meio de um mar morto de outros trabalhos focados no público adolescente, tinha encontrado uma personalidade própria. Os anos passaram, a história caminhou para a frente e chegamos até este Jogos Vorazes: A Esperança - O Final (The Hunger Games: Mockingjay - Part 2, 2015), que prometia encerar de maneira épica a franquia de sucesso.

Baseado no último livro da série que foi dividido em dois, temos a conclusão da luta dos rebeldes contra a ditatorial Capital, que por anos viveu no luxo e promoveu matanças entre os povos dos distritos que a cercam por pura diversão. Acontece que, como quase sempre, essa decisão de dividir um livro em mais de um filme sempre acaba mal, e Jogos Vorazes não é exceção. Não que o conteúdo político seja ruim. Ele é interessante, bem desenvolvido, sua trama de manipulação funciona e sua mensagem merece ser ouvida. A ação também honra os filmes blockbusters, principalmente a cena do subsolo, ultra tensa, e a fuga do que quer que seja aquele líquido negro que persegue os protagonistas em determinados momentos do longa.

Acontece que, entre um diálogo interessante e outra cena de ação empolgante, há um vão desnecessário que poderia muito bem ser cortado em prol de um ritmo digno de um filme do calibre que os anteriores tiveram. Convenhamos, por mais que A Esperança – Parte 1 seja bacana, ele tem umas barriguinhas que poderiam ser cortadas por um filme só, compacto e melhor. É perceptível que o material original em que foi baseado tem qualidades e é redondo, mas não necessariamente aquilo que funciona na literatura funciona também no cinema, todos sabemos disso. Ao tentar prolongar os acontecimentos em troca de milhões de dólares a mais em bilheteria, o estúdio comprometeu a qualidade de sua obra entregando um resultado morno e por diversos momentos desinteressante.

O triângulo amoroso que causou muita rejeição à franquia (lembremos que as pessoas estavam traumatizadas com Crepúsculo [Twilight, 2008]) também não funciona tão bem, apesar de Peeta ter ganhado uma nova dinâmica interessante de acordo com a maneira em que a Parte 1 se encerrou. Em hora alguma conseguimos nos importar com o romance a partir do momento em que tudo a volta dos personagens ou está destruído ou morto e os próprios protagonistas parecem meio anestesiados com tudo isso, puramente no piloto automático. Esse desenvolvimento ruim acaba afetando todo o elenco, como por exemplo Stanley Tucci, sempre tão presente nos jogos de manipulação da Capital e que nesse filme aparece apenas em uma transmissão, sem concluir seu arco dramático.

Ou seja, ao tornar seus personagens unilaterais, ao perder a pompa de um filme esteticamente diferenciado e ao estender demais um conteúdo que funcionava melhor quando contado de forma ágil, este capítulo de Jogos Vorazes acabou extremamente desbalanceado entre momentos que nos lembram porque a série fez sucesso e porque ela deveria ter afundado de vez. O meio termo para um capítulo derradeiro que vinha numa crescente nunca é o suficiente; muito pelo contrário, a sensação que fica com a conclusão é totalmente insatisfatória. O epílogo brega da história depois de um encerramento bem óbvio só comprova que alguma coisa muito errada aconteceu por aqui, o que é sempre uma pena. Eu realmente estava com boa vontade com os Jogos Vorazes.

Comentários (10)

Edgar Vinícius Oliveira | segunda-feira, 23 de Novembro de 2015 - 01:23

Alexandre Koball, eu discordo quando você diz que a série perdeu o pique. Em Chamas mesmo foi uma crescente tanto nos aspectos técnicos, como no próprio enredo mais focado na política. E A Esperança parte 1 nem se fala, que, apesar das barriguinha, é o filme mais maduro de todos. Sobre esse último, não vi, então não posso opinar.

Luiz Fernando de Freitas | segunda-feira, 23 de Novembro de 2015 - 08:10

De A Parte 1 eu gostei também, apesar de preferir os dois primeiros.

Alexandre Koball | segunda-feira, 23 de Novembro de 2015 - 08:22

O "parte 1" é o que mais gostei até o momento.

Natacha Alana | sexta-feira, 27 de Novembro de 2015 - 09:49

ah, ainda me dignei, erroneamente, a ler os livrinhos, e é isso mesmo, lendo e assistindo a sensação que dá é essa, poderia ser anos luz melhor que isso, esse triângulo amoroso boboca então... tsc tsc tsc, nem se fala, mas não é ruim, só não é bom, é bem isso que eles se propõem e cumprem bem, filmes medíocres.

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