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Críticas

Cineplayers

Bagunça mágica.

5,0
No capítulo anterior dessa nova saga desdobrada do universo Harry Potter, J. K. Rowling (apesar de ter se baseado numa rala obra original, o tal livro Animais Fantásticos e Onde Habitam, escrito por Newt Scamander, personagem vivido por Eddie Redmayne) se manteve livre para criar em cima de sua própria criação, já que o livro fictício foi lançado, mas se resumia a uma série compilada dos animais do título, sem possuir uma trama que o abrigasse. O resultado foi um sucesso digno da obra original, repleto de frescor e um universo novo a explorar e expandir. Qual não é a nossa surpresa ao encontrar um novo episódio preguiçoso e desinteressante, tendo em vista que já sabemos os caminhos que essa nova obra irá tomar, já tão divulgada pela imprensa. Logo, esse novo capítulo, apesar de não ser baseado em obra alguma, já é conhecido de todos.

Ainda assim, vamos à tal trama, a discorrer sobre a fuga da prisão do bruxo do mal Grindelwald após ser capturado com a ajuda de Scamander. O universo mágico volta a entrar em apreensão por essa ameaça, já que todos têm em mente exatamente os planos do maléfico ser, e por isso mesmo o alto escalão da magia volta a convocar a ajuda de Scamander para encontrar o vilão. Mais precisamente, o próprio Alvo Dumbledore aparece para pedir tal favor, tendo em vista sua ligação e um segredo do passado que o une a Grindelwald. A volta dos personagens do longa anterior garante o conforto do espectador e uma possível certeza de manutenção da qualidade, que infelizmente não acontece. Conforme a busca por Grindelwald avança, não só os segredos de Dumbledore virão à tona. 

O diretor David Yates já tem controle sobre esse ambiente, já que dirigiu os três últimos capítulos da saga do bruxinho e também o anterior dessa nova, mas aqui parece um iniciante, conduzindo uma montagem confusa, um sem número de efeitos especiais até eficientes, mas que "sujam" o todo, de tão excessivos. Essa não é a primeira vez que isso acontece, mas em relação à montagem, que parece ter deletado muita coisa da versão final, deixando as cenas sem sentido, corridas e bagunçadas, praticamente só agradando aos fãs, fiéis signatários da magia criada por Rowling. Por esses, o filme com certeza será encarado como um novo acerto, o que não é verdade. Trata-se, infelizmente, de um dos exemplares menos bem sucedidos, em forma e conteúdo.

No elenco, o destaque negativo vai para o protagonista Redmayne. Um ator cujos recursos são limitados e repetitivos, o (injusto) vencedor do Oscar volta a imitar os trejeitos e maneirismos que residem em todas as suas criações, que tinham algum charme no anterior. Aqui, Yates enche o personagem de closes que prejudicariam qualquer ator, que dirá um frágil como ele. Dan Fogler volta a chamar atenção com seu tipo, mas ficou claro como a sua sombra foi demais para o resto do grupo e sua participação foi consideravelmente diminuída, uma pena. Já a ligação entre os personagens de Johnny Depp e Jude Law faz bem aos dois atores, ambos infinitamente melhores e com maiores possibilidades, que com certeza serão ainda mais exploradas no próximo capítulo. O personagem de Ezra Miller, que é dos mais aguardados da nova série, corresponde às expectativas dos fãs e se mostra empenhado na função que tomará, no futuro.

A autora recentemente declarou que escreveu o novo roteiro em apenas 25 minutos. Terá ela dito isso com a esperança de que tal frase seria recebida de maneira positiva? Talvez por isso o filme tenham tramas paralelas absurdas e que não levam a lugar nenhum que não inflar o longa, que devia carecer de duração que justificasse sua feitura. Com esse roteiro inchado e a já citada montagem sem qualquer habilidade, o novo Animais Fantásticos sofre de histeria e conta com o pior clímax de toda a obra de Rowling, mal dirigida até as raias do ridículo, em cenário onde os personagens diminuem e reaparecem de quadro a quadro, em situação risível. Não fosse o viés político que coloca o filme em consonância com a ascensão do fascismo em todo o mundo (e que identificamos com estupefação o nosso próprio momento aqui no Brasil), esse exemplar seria totalmente dispensável. Esse molho plus, no entanto, garante o interesse até o fim e para que passemos mais um par de anos na espera do próximo desfecho. Desfecho? É... Vai saber...

Comentários (4)

Guilherme Spada | quinta-feira, 15 de Novembro de 2018 - 16:02

Hahaha Harry Potter sempre foi criticado aqui no Cineplayers, com uma exceção ou outra. Ainda chama-lo de "bruxinho" é claramente uma abordagem indiferente a o que J.K Rowling quer propor com cinco novos filmes que não é obrigada a fazer. Sim, é mais para os fãs, fiéis signatários, obrigado ;)

Bernardo D.I. Brum | quinta-feira, 15 de Novembro de 2018 - 16:45

Novas regras: tem que chamar de bruxão e ter adoração automática por qualquer coisa com a trademark hahahaha

Luís F. Beloto Cabral | sexta-feira, 16 de Novembro de 2018 - 13:50

Se tiver uma cena de sexo bem boa entre o Dumbledore e o Grindewald, eu vejo.

Walter Prado | sexta-feira, 16 de Novembro de 2018 - 15:43

"Se tiver uma cena de sexo bem boa entre o Dumbledore e o Grindewald, eu vejo."

Haha, esquece então.

E eu gosto do filme anterior, veremos este...

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