Saltar para o conteúdo

Artigos

Qual será a próxima grande série de fantasia?


Apesar do final no mínimo controverso, é inegável que Game of Thrones foi um marco de sua geração, levando fantasia sombria ao grande público tendo como plataforma a HBO, canal normalmente dedicado a público de nicho. Como O Senhor dos Anéis e Harry Potter antes, o fim da série deixa um vazio para um público eternamente sedento de novidades. Mas qual série poderia substituir o gigantismo da série que saiu dos livros de George R. R. Martin para estabelecer novos padrões de audiência e bater recorde em premiações? Confira nossas apostas!


The Witcher (Netflix)

Baseado na série literária criada por Andrzej Sapkowski em 1986 e tornado famoso pela adaptação em videogame da desenvoldedora CD Projekt, cuja terceira edição ganhou Jogo do Ano, The Witcher talvez seja a que mais se assemelha em espírito a Game of Thrones. A obra traz Henry Cavill (O Homem de Aço) como o bruxo Geralt de Rivia em um mundo feio, sujo e malvado com doses generosas de sexo e violência, mas também envolvendo o objetivo maior do protagonista proteger a Princesa Ciri. Estreia 20 de dezembro, com uma segunda temporada já confirmada antes da estreia e com declaração da showrunner Lauren Schmidt Hissrich (Demolidor, The Umbrella Academy) de que até sete temporadas são planejadas, é com certeza um investimento pesado, com material base farto (cinco romances e duas antologias de contos) para construir um universo vasto.



Fronteiras do Universo (BBC, New Line Cinema, HBO)

Única da lista que já estreou, a série já teve uma critica adaptação com Nicole Kidman (A Bússola de Ouro, de 2007), mas a nova adaptação da trilogia de Philip Pullman parece ter agradado mais - mesmo que os números dos três primeiros episódios não estejam exatamente arrasando quarteirões, pelo jeito foram suficientes em matéria de recepção de crítica e público para garantir uma segunda temporada já confirmada. A saga da jovem Lyra Belacqua (Dafne Keen, de Logan) descobrindo segredos perigosos envolvendo o misterioso Lorde Asriel (James McAvoy, de Fragmentado) e a sombria Sra. Coulter (Ruth Wilson de Luther) e se envolvendo em aventuras fantásticas parece carregar uma certa vontade de "caber nos sapatos" de Harry Potter, haja visto o clima de aventura juvenil que também envolve temas de amadurecimento. Mas se nem Harry Potter consegue mais ser Harry Potter, haja visto a saga prequel Animais Fantásticos, o que nos resta é torcer para que a obra capitaneada pelo produtor Jack Thorne (Skins) decole em breve. 



O Senhor dos Anéis (Amazon Prime Video)

Já dava para sentir que a Amazon Prime Video pretendia competir seriamente no rumo do streaming com produções elogiadas como Deuses Americanos, Belas Maldições e The Boys. Mas talvez nenhum movimento afirmou tanto o desejo de estar palmo a palmo com os baluartes do streaming atuais quanto adquirir os direitos da família de Tolkien para fazer sua própria adaptação de Senhor dos Anéis. Talvez voltar ao clássico que inaugurou a era moderna do blockbuster com a obra de Peter Jackson seja a resposta para dar à pergunta "o que vem depois de Game of Thrones"? Talvez, e o investimento milionário irá se materializar na forma de duas temporadas já confirmadas, e o envolvimento do roteirista de Thrones Bryan Cogman, do diretor J.A. Bayona (O Orfanato, Jurassic World: Reino Ameaçado) e a confirmação de Will Poulter (Black Mirror: Bandersnatch), Joseph Mawle (No Coração do Mar) e Markella Kavenagh (The Cry) no elenco. A informação é que a ambientação será em Númenor,  na Segunda Era, quando os anéis de poder foram forjados e tivemos o surgimento do arquivilão Sauron.



Sandman (Netflix)

Demorou, mas chegou. A série é um antigo sonho (desculpem) de Neil Gaiman, que jamais conseguiu levar a série para os cinemas, já que parecia ser muito caro filmar a história de como Morfeus, a personificação do Sonhar, é libertado de seu confinamento de décadas, tornando o século XX uma época cética e cínica. Gaiman, após ser descoberto nos últimos anos através de filmes e séries saídas de seus escritos, produz a série ao lado de David S. Goyer (Cidade das Sombras e a trilogia Batman de Christopher Nolan) e Allan Heinberg (Mulher-Maravilha). Já foi informado que a série, além de ser exigir um alto custo de produção, irá ser ao menos inicialmente baseada no arco Prelúdios e Noturnos, onde Morfeus sai em busca de seus itens de poder perdido e interage com personagens famosos da DC/Vertigo, como os já adaptados para a televisão Constantine e Lúcifer. Ainda não há nomes anunciados ou previsão de estreia.



A Roda do Tempo (Amazon Prime Video, Sony)

Em vida, Robert Jordan publicou doze livros completados da saga A Roda do Tempo, iniciada em O Olho do Mundo (1990) com mais três sendo completados por Brandon Sanderson (Mistborn) após a morte do criador em 2007. A série conta a história de como Moiraine, membro das canalizadoras místicas Aes Sedai, resgata cinco jovens de sua vila após o ataque das forças de uma entidade sombria e os apresenta a um vasto unvierso, acreditando que um deles, Rand, é a reencarnação do Dragão, um poderoso e antigo herói canalizador profetizado a salvar o mundo ou destruí-lo. Muito baseado na Bíblia (com entidades benignas e malignas e uma ameaça de Apocalipse), A Roda do Tempo é pura alta fantasia, e a Amazon irá levá-la às telas de televisão através de Rafe Judkins (Chuck e Agentes da SHIELD), que iniciou as filmagens em setembro de 2019 com Rosamund Pike (Garota Exemplar) como Moiraine. Ainda sem previsão de estreia.



Sombra e Ossos (Netflix)

A escritora israelita Leigh Bardugo publicou entre 2012 e 2014 os livros Sombra e Ossos, Sol e Tormenta e Ruína e Ascensão e se tornou um dos principais nomes recentes da fantasia infanto-juvenil contando a história de Alina Starkov, uma jovem soldado que desperta um poder que pode finalmente unir seu país Ravka, uma espécie de Rússia fantástica, se conseguir sobreviver às forças sombrias que conspiram contra ela. A primeira temporada irá, além de contar os eventos do primeiro livro, ser uma prequel do spin-off Sangue e Mentiras, ambientada em Ketterdam, espécie de Amsterdã fantástica, cujos eventos são influenciadas pela história de Alina. Desenvolvido por Eric Heisserer (A Chegada, Bird Box), com Jessie Mei Li em sua estreia na TV, Ben Barnes (Westworld, As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian), Daisy Head (The Syndicate) e Freddy Carter (Free Rein), com o piloto dirigido por Lee Toland Krieger (A Incrível História de Adaline). As filmagens começaram em outubro de 2019.


A Torre Negra (Amazon Prime Video)

Você sabia que de alguma forma, muitas das histórias escritas por Stephen King estão ligadas? Ao menos é o caso de It - A Coisa, Carrie - A Estranha, Cemitério Maldito e O Nevoeiro, entre outros; no meio de todos eles, está a Torre Negra, o centro da criação, cujas forças sombrias tentam derrubar (e destruir o universo por conseguinte). Em um desses mundos, o herói pistoleiro Roland Deschain tenta impedir um vilão conhecido como o Homem de Preto, que tenta alcançar o mítico local. Após uma adaptação (bastante) malsucedida com Idris Elba (Luther) e Matthew McCounaghey (Killer Joe - Matador de Aluguel), a série se desvinculou do filme, que até então serviria como apresentação da saga, e irá recomeçar do zero com Glen Mazzara (The Shield, The Walking Dead) como showrunner e Sam Strike (Leatherface), Michael Rooker (Guardiões da Galáxia Vol. 2) e Jasper Pääkkönen (Infiltrado na Klan) no elenco. As filmagens começaram em junho e é esperado que, ao contrário do filme, a série se atenha mais ao épico de King que visa cruzar fantasia e velho oeste.



Terramar (A24)

Será que agora vai? Em 2004 o Syfy lançou uma minissérie em duas partes, O Poder das Trevas, e em 2006 o Estúdio Ghibli lançou uma animação dirigida pelo "filho do homem" Gorō Miyazaki, Contos de Terramar - e a criadora da saga de fantasia Ursula K. LeGuin criticou duramente ambas. Um ano depois da morte da criadora, é anunciada uma nova série sobre as aventuras de magos em um mundo fantástico e pré-industrial que a autoria criou inspirada tanto em conceitos taoístas quanto em romances de amadurecimento. Dessa vez, a adaptação produzida pela A24 conta com Jennifer Fox (O Conto, O Abutre, Precisamos Falar Sobre Kevin, Conduta de Risco) como showrunner, que teve a benção de LeGuin antes de sua partida. Se a exigente autora confiou, vale ao menos uma assistida, não? Porém, ainda não houve anúncio de outros nomes nem há previsão de estreia ainda.



As Crônicas de Nárnia (Netflix) 

Após o sucesso de Senhor dos Anéis e Harry Potter, todo mundo no início do século XXI queria obviamente tirar sua casquinha. A Disney tentou, mas apesar do sucesso de As Crônicas de Nárnia: O Leão, O Feiticeiro e o Guarda Roupa, sua sequência Príncipe Caspian falhou em repetir o sucesso, fazendo-a largar o projeto e ser substituída pela Fox, que também ficou a ver navios com As Crõnicas de Nárnia: As Viagens do Peregrino da Alvorada. Com isso, o quarto filme A Cadeira de Prata acabou nunca acontecendo e parecia ser o fim do mundo mágico de C.S. Lewis para onde crianças da nossa realidade são transportadas e vivem milênios de aventuras ao lado de criaturas fantásticas. Pelo menos até esse ano, quando a Netflix assumiu o reboot da cultuada obra em formato de série, em acordo feito no final de 2018, com o roteirista Matthew Aldrich (Viva - A Vida é Uma Festa) assumindo o cargo de showrunner da nova franquia, que prevê o lançamento de uma série e um filme televisivo ao lado de, obviamente, o enteado de Lewis, Douglas Gresham e o peso-pesado Mark Gordon (Grey's Anatomy, Criminal Minds, O Resgate do Soldado Ryan, A Grande Jogada).


As Crônicas do Matador de Reis (Lionsgate)

O compositor, cantor, rapper, ator, escritor e vencedor do Pullitzer, Tony e Emmy Lin-Manuel Miranda (O Retorno de Mary Poppins) é o principal nome por trás de produzir e compôr a trilha sonora do projeto que adapta os livros de Patrick Rothfuss, atualmente formado por O Nome do Vento e O Temor do Sábio, com o volume final ainda a ser publicado. Com discussões de um filme a ser dirigido por Sam Raimi (Homem-Aranha, Arraste-me Para o Inferno) e jogos de videogame para além da série televisiva, o projeto foi acolhido e então dispensado para a Showtime. Agora a Lionsgate procura uma casa para a série sobre as lembranças do músico, estudioso e aventureiro Kvothe transmitidas oralmente ao personagem conhecido como Cronista, desde como saiu de uma vida nas ruas até se tornar um dos grandes aventureiros do mundo de Temerant, que passa por uma Idade Média mágica à beira da guerra civil.


Duna (WarnerMedia)

"Aquele que controla o tempero, controla o universo!" Baseado na épica saga de Frank Herbert sobre o mundo de Arrakis, suas tensões políticas, ordens místicas, indivíduos psiônicos, um tempero raro e a profecia de um escolhido, Duna poderia ter sido o maior rival de Star Wars - não tivesse David Lynch dirigido um filme atribulado que só adaptou a primeira parte da história. A Warner pretende mudar isso com uma adaptação que reúne o diretor Denis Villeneuve (Blade Runner 2049), os roteiristas Eric Roth (Munique, Nasce Uma Estrela) e Jon Spaihts (Prometheus, Doutor Estranho), a trilha sonora de Hans Zimmer (O Rei Leão) e um elenco de estrelas monstruoso capitaneado por Timothée Chalamet (O Rei). E não irá parar nos dois filmes, já que também foi dado para a HBOMax o sinal verde para Duna: A Sororidade, série prequel  sobre a ordem político-religiosa  Bene Gesserit. Ambos programados para 2020. Será que agora vai?



Conan, O Bárbaro (Amazon - ou não)

As aventuras do rei dos bárbaros cimérios criados por Robert E. Howard são um ícone da fantasia e responsável por apresentar muito marmanjo na casa dos trinta, quarenta anos ao gênero "espada e magia". Após filmes (os primeiros responsáveis por consolidar a carreira de Arnold Schwarzenegger e um apagado com o Aquaman Jason Momoa), séries e jogos de videogame, tabuleiro e RPG, uma nova adaptação mais fiel aos livros originais pode ser produzida pela Amazon pelas mãos de Ryan Condal (Colony), Miguel Sapochnik (Game of Thrones) e Warren Littlefield (Fargo). Digo "pode" pois só tem um problema: o projeto foi anunciado em 2018 e houve informações em podcasts de termos um excelente roteiro de piloto, mas alguma coisa aparentemente impede a produção. Boatos dão conta que a série já procura outra casa para morar.



Black Leopard, Red Wolf (WarnerMedia)

Comercializado com a pecha de "o Game of Thrones africano", a série de livros de Maron James teve o primeiro volume de três lançado esse ano e com um empolgado Michael B. Jordan (Pantera Negra, Creed) comprando os direitos de adaptação antes mesmo do lançamento da obra literária. Baseado na história e mitologia africanas, o livro narra as tensões políticas do Reino Norte e do Reino Sul, bem como a guerra afeta as tribos e cidades-estados que povoam o continente. Uma espécie de fantasia adulta que tem muito potencial em tempos onde representatividade importa mais do que nunca. Sem maiores informações por enquanto.


Elric de Melniboné (New Republic)

A obra de Michael Moorcock virou uma espécie de cult entre os fãs de alta fantasia ao criar uma espécie de "anti-Conan": ao invés de um corajoso e musculoso bárbaro de espada, Elric é um nobre culto, albino e profundamente doente, que só sobrevive graças à Tormentífera, sua espada inteligente e assassina que drena vidas alheias e toma decisões que nem sempre vão de acordo com os desígnios de Elric. Glenn Mazzara (The Walking Dead) e Vaun Wilmott (Star Trek: Discovery, Prison Break) servirão como showrunners da série, que atualmente procura uma casa para ser exibida.



House of The Dragon (HBO)

Será o substituto ideal de Game of Thrones uma outra série do universo de George R. R. Martin? Talvez. Mesmo com um final controverso e o outro spin-off A Longa Noite cancelado após a gravação de um piloto, a HBO confirmou esse spin-off que se passa séculos antes da Rebelião de Robert e da posterior Guerra dos Cinco Reis e descreve o longo reinado da família Targaryen. Ryan Condal (Colony) e a "prata da casa" Miguel Sapochnik serão os produtores executivos da série idealizada pelo criador Martin e que, acredita-se, irá cobrir os eventos que ficaram conhecidos como "a dança dos dragões", uma guerra civil entre os meio-irmãos pretendentes ao trono Viserys II e Rhaenyra Targaryen e que causou profundas transformações políticas no continente de Westeros. As Crônicas de Gelo e Fogo são um universo riquíssimo e, mesmo com as controvérsias circundando a a série principal, é de esperar que o projeto oficialmente anunciado anuncie os primeiros nomes em breve.

Opine! Para você, qual será a próxima grande série de fantasia?

Comentários (7)

Luís F. Beloto Cabral | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 17:53

Entendi o ponto de vocês e na realidade estou dando mais uma opinião pessoal. Não consigo avaliar por outros parâmetros estes outros filmes e séries, pois para mim a fantasia necessariamente evoca o brinquedo, a imaginação na sua liberdade criadora (o Crelazer, diria o nosso Hélio Oiticica, conceito este que a meu ver inspirou todo um cinema de invenção brasileiro, parafraseando Jairo Ferreira). Sem querer ser fatalista, mas sendo, a verossimilhança está matando a fantasia e talvez não à toa Hollywood esteja passando por uma crise criativa. Ela se beneficiaria se bebesse novamente do experimental e do brinquedo, da ficção na sua irrealidade, ilógica e mesmo na sua perversidade, como Hitchcock fazia há um tempo, como o próprio Paul Verhoeven fazia ainda nos anos 80 e 90. Mas eu realmente posso estar sendo ranzinza, e de novo entendi o ponto de vocês (embora discorde um pouco do Brum no final, mas é um critério de cada um também).

CitizenKadu | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 19:47

Eu entendi o ponto do Brum, mas em matéria de gosto pessoal eu concordo totalmente contigo. Tu está só com meio de dificuldade de explicar porque envolve saudosismo e uma miríade heterogênea de referências. Tu sente falta do Terry Gilliam e do Frank Oz, de "Krull" ou "Uma História sem Fim". Eu sinto esta nostalgia principalmente neste gênero porque tu via mais alma naqueles filmes, justamente pelo trabalho artesanal. Hoje a Nova York do filme "Joker" foi construída em CGI, tu não tem a mínima vontade de ver o making-off. Se lembra da "magia do cinema"?Em muitos casos ela se perdeu. Nada dura para sempre eu acho. Na literatura é que a fantasia se mantém; e em outras artes como estes pôsteres incríveis que o Brum colocou na matéria. Mas a fantasia à moda antiga no cinema se for vier alguém com um visual retrô, um maverick. Até os filme do Gilliam hoje perderam a magia se tu lembrar de "Munchausen" ou "Jabberwocky".

CitizenKadu | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 19:50

O Brum voltou para os anos 30,40 e 50. Eu já sou mais a partir da década de 60 com Harryhausen. Mas a nostalgia sem querer que os filmes usem stop-motion hoje em dia que poderia estar aí é aquela que fica entra a geração do final dos anos 70 até o final dos ano 80:"The Princess Bride", "Labirinto", "Bandits of Time"..

Bernardo D.I. Brum | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 20:02

Acho que Hollywood obrigatoriamente passa por crises criativas para poder se renovar. A era dos faroestes e musicais entrou em crise na época de A Noviça Rebelde e Alô Dolly pois aquela modulação clássica já não fazia mais sentido para um público de consumidores, bem como o modelo clássico de animação virou preciosismo quando o CGI virou o padrão da indústria. E eu não chamo de "infantil" por demérito, digo de uma realidade da indústria: por muito tempo a fantasia ou era direcionada a crianças americanas (Alice, Fantasia, Pinóquio...) ou adultos europeus (A Bela e a Fera do Cocteau, Fausto). Ainda é uma noção nova um adulto 18+ criado às luzes do mainstream ver histórias com espadas de luz, dragões, telepatia e afins. Eu vejo como um movimento mais natural porque o construto de jornada psicológica e a cobrança por causalidade lógica é o patamar sólido da indústria, pois o "cinemão" é muito baseado em Dickens e no romance burguês.

CitizenKadu | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 20:43

Brum, tu tem a mesma idade que eu, então eu acredito que tu tenha visto "The Lord of The rings"(o primeiro), ou "Blade", e achado na época o CGI foda.Foi um período de transição do final dos anos 90 e começo dos anos 2000 que hoje, infelizmente, a gente percebe como datado, mas que sem ela não haveria o macaco Cesar do Serkis, por exemplo. Então sim, sempre existe transições de acordo com a evolução tecnológica e com as crises de gênero, às vezes um influenciando o outro.A vergonhosa quantidade de CGI que parecia animação na prequel do Star Wars, outro exemplo. Em outros países com filmes como "Pacto dos Lobos" ou "Guardiões da Noite. Ou o segundo Matrix.Em matéria de CGI em live action já teve épocas piores.E na animação a CGI se tornou um branding corporativo, e isso eu acho terrível, animações 2D são uma forma de arte eterna e estão sendo obscurecidas por uma supremacia de "qualidade CGI/3D".

CitizenKadu | terça-feira, 14 de Janeiro de 2020 - 20:51

O único que me deixa curioso é "Duna", muito mais por Frank Herbert de quem sou fã, do que do Villeneuve.Existem muitas outras obras ali cujo material original é interessante, mas filmar Duna e agradar como adaptação é um esforço e tanto.

Luís F. Beloto Cabral | quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020 - 09:06

Eu nem me referia exatamente à questão artesanal. Era só a essa obsessão em explicar por que personagem x faz isso ou por qual motivo evento y aconteceu. Quais as motivações da personagem, blá blá blá... E o pior que muitas vezes essa psicologizaçao é rasa ou muito clichê. Não consegue ser intrigante em comparação aos próprios romances burgueses nos quais o "cinemão" se apoia (ou pelo menos o melhor dos romances burgueses como o Dickens). E em alguns casos é uma falsa psicologizaçao. Pegue Coringa por exemplo. Pode até haver um valor social nisso, mas aquela personagem é muito mais a consequência de coisas externas a ela do que alguém com alguma autonomia ou psique própria, a parte de alguns momentos. Como um amigo meu comentou, era muito mais intrigante aquele Coringa que matava simplesmente porque queria do que esse que é vítima de tudo, cuja maldade é explicada por uma mera patologia, psiquiátrica e social.

Luís F. Beloto Cabral | quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020 - 09:13

A fantasia a que me refiro não precisa desenvolver toda essa tese. Nessa miríade de exemplos que eu dei, todos têm em comum o fato de comungarem com uma fantasia que é pura criação, inventividade. Que não precisa se deter no esclarecimento de personagem x ou evento y, é o que menos importa em relação ao jogo da fábula, a mágica, a ficção, o brinquedo de criar e até recriar à vontade. É a fantasia que contraria o próprio espectador inclusive, numa queda de braço onde o filme diz "você é inteligente mas quero ver se é mais inteligente do que eu". Não no sentido de uma demagogia ou exibicionismo, como num Nolan da vida, mas antes de um jogo que verdadeiramente intriga e instiga o espectador, até frustrando-o um pouco mas verdadeiramente respeitando a sua inteligência (vide Vertigo de Hitchcock).
Mas de novo, aqui eu falo mais de um ponto de vista pessoal. Entendi o ponto de vocês e agradeço pela explanação que foi bem elucidativa.

Faça login para comentar.