Discretamente, Amy Adams é o destaque de Encantada, que como um conto de fadas contemporâneo, é bonitinho, mas bobinho.
Pra quem cresceu assistindo à animações da Disney, voltar àquela época com um filme parecido, porém moderno, poderia ser uma experiência muito mais prazerosa do que se imaginava. Acontece que 'Encantada' possui todo aquele esquema de um típico conto de fadas. Gisele é uma moça que vive na terra de Andalasia, com os passarinhos cantantes, criaturas mágicas e ogros. Quando ela finalmente encontra o príncipe encantado dos seus sonhos, a rainha malvada do mundo mágico a manda direto para a vida real, onde passa a viver na tumultuada Manhattan de hoje em dia. Perdida em um lugar completamente desconhecido e usando roupas extravagantes para os executivos, ela conhece Robert, um advogado divorciado. Ele tem uma filha, Morgan, que vai acabar servindo para unir os dois, que logo acabam se apaixonando. Gisele, entretanto, não pode se envolver com ele pois já está comprometida com o príncipe encantado, aquele dos seus sonhos, que também está vindo para Nova York.
A proposta do filme é até interessante, mas com o passar dos minutos a história vai perdendo a “magia” e acaba se transformando em mais uma comédia romântica ambientada em Manhattan. Não fosse pela graça única de Amy Adams, o filme poderia vir a ser algo ainda mais cansativo, e as sucessivas cenas musicais, onde ela sai cantando pelo Central Park, convoca passarinhos para arrumar a sua cama e limpar a casa, ajudam mais ainda para essa sensação de desagrado. Isso sem falar da passagem do baile, clichê que só ela. Na verdade, a sátira que o filme apresenta como um todo é bem melhor que as que estamos acostumados hoje em dia. Entretanto, não é tudo o que se poderia esperar.
As interpretações estão, na medida do possível, boas. Amy Adams, logicamente, foge e vai além de adjetivos mínimos, sendo ela o que filme tem de melhor para oferecer. Patrick Dempsey está mais uma vez com um papel feito para o número de seu colarinho: grande demais para alguém do seu limitado talento. Eu particularmente, não gosto de seu trabalho, de pura inexpressividade e um carisma desnecessariamente exagerado. Outro que está lá, mas é melhor que não estivesse é James Marsden, que apesar de seu papel, pouco aparece, em mais um erro da direção de Kevin Lima, ao qual foi tratar daqui a pouco. O filme também possui outras estrelas conhecidas, como a sempre fantástica atriz Susan Sarandon em um papel que jamais deveria ter pego, pois simplesmente não extrai nada do seu talento, e Timothy Spall, que está bem, pelas poucas vezes que apareceu também. Aliás, “Enchanted” conta com uma narração, para decidir não fugir do típico clichê de contos de fada, que ficou a cargo da excelente voz de Julie Andrews, cujo salário poderia ter sido evitado.
Agora, Kevin Lima dirige com insegurança, apelando para os clichês em um filme que, ao meu ver, deveria fugir deles. Lima está acostumado com filmes infantis como O Natal de Eloise, figurinha certa nas sessões da tarde natalinas, e 102 Dálmatas, assim como a animação Tarzan. O diretor definitivamente não foi o responsável pelo pouco que agrada em 'Encantada', cujos méritos encontram-se na proposta do roteiro, na atuação de Amy Adams e em algumas inspiradas canções da dupla Alan Menken e Stephen Schwartz.
O roteiro por outro lado, só acerta, como já foi dito, na sua proposta. O texto erra em deixar uma história de graça infantil, singela, em um filme com cenas de humor banhadas a uma batida mensagem do amor, não dando enfoque necessário aos personagens principais e privilegiando cenas musicais, que dão a impressão de já terem sido vistas em algum lugar.
Encantada serve como diversão para a criançada e para adultos dispostos a encarar mais um conto de fadas, querendo relembrar a infância ou aproveitar uma comédia simples, sujeita à cenas de amor e canções interessantes, como as indicadas ao Oscar So Close, Happy Working Song e a única que merecia uma nomeação That's How You Know. Ainda assim é bom conferir, afinal de contas, é bobinho, mas serve como diversão.
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