Eficiente como suspense, é necessário um pouco de boa vontade para acompanhar Atividade Paranormal. Aterrorizante para alguns, bizarro para outros.
Nunca ninguém tinha ouvido falar do diretor Oren Peli. Agora, que seu primeiro filme se tornou um verdadeiro e assustador fenômeno de bilheterias só nos Estados Unidos, praticamente o mundo inteiro já ouviu dizer o que ele fez com "Paranormal Activity" que assusta tanta gente.
Não seria realismo porque os fatos, ao contrário do que dizem, não são comprovadamente reais. O naturalismo com que Peli lida com as mesmas situações de filmes de suspense talvez seja o principal motivo para que a platéia pule de susto em alguns momentos. Não se engane. Não há nada de novo aqui. Nem mesmo o estilo de filmagem pode ser considerado algo novo. Depois de ralas tentativas de sequenciar o sucesso A Bruxa de Blair com insucessos como Cloverfield e Quarentena, mais o ainda inédito para mim, REC, 'Atividade Paranormal' surge para bater o seu orçamento barato (15 mil dólares) em várias vezes. Até agora, em pouco mais de três meses em cartaz nos cinemas americanos foram arrecadados quase 110 milhões de dólares, fora os valores mundo a fora. Sem dúvidas, um sucesso impressionante.
Os atores Katue Featherston e Micah Sloat dão vida, ou melhor, interpretam eles mesmos. Katie e Micah formam um casal que há um tempo decidiram morar juntos. Vivendo, assim, na mesma casa, os dois começam a escutar barulhos estranhos durante a noite (como portas batendo com as janelas fechadas e passos subindo as escadas). Devido às histórias que Katie conta sobre as "atividades paranormais" que lhe perturbavam na infância, o casal decide instalar uma câmera no quarto, afim de que, enquanto estiverem durmindo, poder ter certeza dos eventos sinistros que ocorrem durante a madrugada.
O filme todo é filmado a partir de uma única câmera. O estilo precário e simples de filmagem só contribui para a sensação de terror quando os fatos assustadores finalmente começam. É preciso um pouco de paciência e boa vontade por parte do público, que só espera sustos de um filme tão comentado justamente pelo aspecto de ser supostamente aterrorizante. Mas como todo filme, a situação geral precisa ser explicada de forma convincente. Nesse sentido, o roteiro de Oren Peli acaba sendo um pouco falho, pois aquilo que o espectador mais anseia demora a aparecer e algumas cenas do cotidiano do casal poderiam ter sido facilmente cortadas. Não é nenhum sacrifício acompanhar 'Atividade Paranormal' por sua quase uma hora e meia de duração, mas teria sido melhor se tivesse ido direto ao ponto, mas claro, de forma convincente e coerente.
Quando os sustos finalmente começam, está explicado o porquê do sucesso que o filme fez no exterior. Os minutos finais, em especial, são perturbadores e a filmagem precária, com o tom de azul noturno só intensifica o medo. Algumas cenas são, de fato, aterrorizantes. Se desconsiderar a última, outras que deixam claro a presença de um espírito demoníaco dentro da casa só fazem tudo ficar ainda mais eficiente. Peli utiliza de sustos baratos para entreter o espectador, mas todos funcionam.
Não seria correto afirmar nada a respeito das atuações do elenco. Nenhum deles é intérprete de verdade, mas todos agem de forma tão natural e corriqueira que fica difícil acreditar que se trata de um filme.
Atividade Paranormal funcionou com uns, mas não com outros. São sustos batidos, mas que levam o espectador a dar saltos na poltrona de tão repentinas e inesperadas que são algumas das cenas mais terríveis. Fique dito que é um filme para ser visto no cinema. Fora dele, o impacto que os sustos causam não são os mesmos. Vale pela experiência, e claro, pela diversão.
Comentários (0)
Faça login para comentar.
Responder Comentário