Este filme faz parte da “Coleção Folha Cine Europeu” que está em todas as bancas por míseros R$ 15,90, com DVD e livro falando tudo sobre a obra. Ou quase tudo.
Assisti ao filme logo que cheguei em casa quando o comprei na banca, pois nunca tinha visto esta obra do polêmico Pasolini e estava curioso e ansioso. O livrinho, nas férias, junto com os outros (a coleção já está no final) vou ler com a devida atenção cada um.
Mas, vamos ao filme!
Bem, gostei tanto das partes quanto do todo, embora, penso que seja importante ressaltar duas coisas: Primeiro a interpretação da maravilhosa diva do cinema italiano Anna Magnani (Na época deste filme ela tinha 54 anos e ainda era uma bela e potroncona senhora!) que em algumas cenas ou em várias delas, exagera um pouco (ou bastante) parecendo caricatural demais, com risadas bem exageradas e por motivo nem sempre tão justificáveis. Ora, para uma personagem qualquer, de uma atriz qualquer, sobre um filme qualquer, de um diretor qualquer, isto seria o suficiente para que a obra fosse legada ao ostracismo e ignorada pela crítica e desprezada pelo público. Mas estamos falando de Mamma Roma, Anna Magnani e Pier Paolo Pasolini! E evidentemente a conversa é outra. Então vendo pela ótica do diretor (O Senhor exagerado e polêmico. Vide “Teorema”, “Pocilga”, “Saló ou 120 Dias de Sodoma”, entre outros), o contexto do filme e principalmente a personagem de Magnani, aceita-se tudo como se tudo fora a coisa mais normal do mundo. Afinal, Mamma Roma, uma provinciana que fora para Roma e “abraçara” (mesmo que contra a vontade) a profissão mais antiga do mundo era o retrato cuspido e escarrado do exagero em pessoa. Feliz ou infeliz (quase sempre) não tinha outra forma de expressar-se do que o riso farto e falso de quem não sabe o que dizer ou como reagir frente a sua dura vida cotidiana. Ex-prostituta, feirante, mas sempre ex-prostituta. Sem modos, querendo ser alguma coisa a mais na vida, mas sempre sem modos. E isto fica bem claro quando um personagem joga-lhe na cara que quando ela chegou em Roma mal sabia comer. E em outra cena no passeio de moto com Ettore quando ela xinga de chifrudos a burguesia romana que passa num belo carro. Bem, esta é Mamma Roma. Justificado penso o exagero da interpretação. Pasolini, lógico, exigiu de Magnani autenticidade caricatural da personagem.
O segundo ponto é simplesmente o final (que não vou dizer!), dum vazio, duma impotência, que desnorteia qualquer um, embora de certa forma até previsível, mas temido e não desejado pelo expectador.
No todo, o filme diz mais do que mostra, e isto fica claro nas mudanças de situações e enfoques dos personagens, principalmente de Ettore, o filho de Mamma Roma. Mas isto é característica própria dum roteiro enxuto e perfeitamente entendível. Pois, nada, absolutamente nada falta ao filme. Qualquer cena a mais estragaria tudo. Como uma pitada a mais de sal num gostoso e suculento cozido.
Nas partes, o roteiro vai nos conduzindo para o mundo e para o submundo duma Roma pós-guerra onde parece não haver esperança dum amanhã melhor. Neste contexto histórico que Mamma Roma e seu filho Ettore vivem ou sobrevivem juntos, mas em caminhos totalmente diferentes, que é, na verdade, a linha mestra do filme.
Por fim, esta pequena grande obra de Pasolini, nos carrega do início ao fim ao som duma trilha sonora maravilhosa, e de certa forma, de propósito, creio, meio deslocada nas paisagens, mas totalmente aliada na alienação de personagens que caminhan sem esperanças buscando prazeres passageiros apenas.
Vi o filme tarde demais, mas mais cedo do que mais tarde ainda, entrou em minha lista!
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