I Pugni in Tasca, é o tipo do filme em que o fulano ou vai amar ou vai odiar, mas nunca, jamais, ficará indiferente. Sob pena de ser chamado de anti-alguma-coisa-qualquer. Porque é totalmente impossível assistir a este filme e não tomar algum partido, sendo prol ou contra, atirar pedras ou derramar-se em elogios vendo em cada função ou disfunção das cenas, arte em todo canto.
Embora a sinopse do Cineplayers seja spoiler, é, na verdade, não sei se foi intencional, um aviso aos navegantes: este filme não é água com açúcar não! É sim, como bem definiu (e ninguém o fez melhor) a famosa crítica americana Pauline Kael: “Trata-se de uma família burguesa de monstros doentios; onde ataques de epilepsia multiplicam-se entre acessos de matricídio, fratricídio e incesto. O material é tão bárbaro que o filme muitas vezes parece pretender ser engraçado, mas o porquê dessa intenção não fica claro.”
No entanto, apesar da opinião da Senhora Kael, tudo é maravilhosamente exposto na tela, em cada detalhe, em cada não-detalhe também. Uma fotografia em preto-e-branco extraordinária que beira a pintura nos mostra e nos carrega para este mundo inquietante, com uma montagem estudadamente provocante e uma vigorosa, segura e simplesmente excepcional direção de atores.
I Pugni in Tasca é um filme provocante, inquietante, assombroso, e talvez, um panfleto sobre as pobres famílias ricas (pelo menos as ficcionais) do pós-guerra da Itália que tão ricamente foram retratadas por gente como Visconti, Antonioni, Bertolucci, Scola, Petri, e outros; que possuiam mais do que o necessário para viver, por isso eram existencialmente vazias, inquietantemente angustiadas, depressivamente tristes e perigosamente infelizes.
I Pugni in Tasca entra em minha lista de forma quase obrigatória, perdurando sempre (repito) os sentimentos de amor e ódio, nunca o de indiferença.
Comentários (0)
Faça login para comentar.
Responder Comentário