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'There is no Evil' é o Urso de Ouro em Berlim 2020

O Festival de Berlim termina sua edição histórica de número 70, revitalizado com a entrada do novo diretor artístico Carlo Chatrian, mas com suas características políticas reafirmadas. Cinco anos após premiar o Irã na figura de seu expoente mais evidente hoje ('Taxi Teerã', de Jafar Panahi), um talento ascendente iraniano arrebata o Urso de Ouro. Depois de conquistar a Un Certain Regard em Cannes 2017 com 'A Man of Integrity', Mohammad Rasoulof foi o último a ser exibido na competição e se sagrou vencedor do júri presidido por Jeremy Irons. 

Assim como seu conterrâneo, Rasoulof não pode receber seu Urso - Jafar porque cumpre prisão domiciliar, e ele por estar impedido de deixar o país pelos próximos dois anos. Mais uma particularidade os une (e a praticamente todos os realizadores iranianos) são os filmes políticos que expõem a situação do governo de seu país com os artistas, que tentam denunciar o regime de opressão da região. Em 'There is no Evil', quatro histórias mostram sob diferentes perspectivas esse estado de exceção imposto a toda a população e que reverbera nas relações humanos, de maneira impactante. 

A jovem Eliza Hittman tinha impressionado Sundance e saiu com o segundo lugar da Mostra ao abordar os périplos de uma jovem americana indecisa sobre um aborto. Também o mestre coreano Hong SangSoo adentra o universo feminino, e levou um aplaudido prêmio de direção. 

Os favoritos Elio Germano e Paula Beer foram laureados como ator e atriz, respectivamente vivendo um pintor com problemas de inúmeras ordens e uma mulher que se envolve com um escafandrista numa adaptação de mitos alemães - 'Volevo Nascondermi' e 'Undine'. 

Dois dos filmes favoritos e mais bem avaliados pela crítica saíram sem prêmios do júri oficial - 'First Cow', de Kelly Reichardt e 'Rizi', de Tsai Ming-Liang, que tiveram notas altas e geraram comentários positivos nessa semana. O júri, que contava com a presença de Kleber Mendonça Filho no grupo, no entanto foi considerado acertado em suas decisões, no geral, positivando ainda mais um festival onde o novo curador Chatrian já demonstra querer dar a visibilidade e a relevância que o festival merece. 

Urso de Ouro: "There is no evil", de Mohammad Rasoulof

Grande Prémio do Júri: "Never Rarely Sometimes Always", de Eliza Hittman

Prêmio do 70º Festival de Berlim: "Effacer L'Historique", de Benoît Delépine e Gustave Kervern

Direção: Hong Sangsoo, por "The Woman Who Ran"

Atriz: Paula Beer, por "Undine"

Ator: Elio Germano, por "Volevo Nascondermi"

Roteiro: Fabio e Damiano D'Innocenzo, por "Favolecce"

Contribuição artística: Jürgen Jürges, pela fotografia de "Dau. Natasha"

Teddy Award: "Rizi", de Tsai Ming-Liang

Documentário: "Irradiès", de Rithy Pahn 

Comentários (1)

João Pedro Duarte | quinta-feira, 12 de Março de 2020 - 08:31

Expectativa alta para o filme do Hong Sang-soo

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