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50 filmes para ver no cinema em 2020

O ano de 2019 foi incrível no cinema mundial. O que significa que 2020 também será positivo, por uma questão de momento e porque grandes lançamentos do ano passado ainda estão chegando aos cinemas brasileiros. A semana passada foi prova disso, com nada menos que O Farol (The Lighthouse), de Robert Eggers, e O Caso Richard Jewell (Richard Jewell), de Clint Eastwood, dividindo as salas com a animação Frozen 2 (Frozen II). 

Como o Cineplayers já recomendara esses filmes na semana passada, estão todos ausentes dessa lista de 50 filmes para ver no cinema em 2020. Do mesmo modo, como o título antecipa, o aguardado Joias Brutas (Uncut Gems) e outras obras previstas para estrear no streaming serão destacados em uma publicação à parte, específica para as plataformas online.

Dentre blockbusters promissores, continuações de franquias de sucesso (mas não todas), joias a ser descobertas e obras consagradas em festivais do Brasil e do mundo, segue uma curadoria dos longas-metragens que e quando chegarão ao circuito brasileiro (segundo o Filme B) e você não pode perder! 

Você certamente receberá boas dicas e perceberá algumas ausências. Comente o que você mais gostou de ver abaixo e cornete se perceber algum absurdo. Conte também o que você nem sabia que será lançado, e fale que novidade a gente deixou passar. Enfim, esteja à vontade para interagir com a gente. O espaço é todo seu.

Confira os 50 filmes para ver nos cinemas em 2020, com textos individuais, além dos meus, de Daniel Dalpizzolo, Francisco Carbone, Heitor Romero, Léo Félix, Marcelo Leme e Rodrigo Cunha:


1. Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig

Estreia: 9 de janeiro

A esperada adaptação do romance de Louisa May Alcott tem gerado certa expectativa principalmente pela curiosidade em torno do olhar feminista que Greta Gerwig pretende aplicar sobre a história das irmãs March e seu desabrochar para a vida adulta. A Jo de Saoirse Ronan e o Laurie de Timothée Chalamet prometem formar o par romântico jovem mais aguardado da temporada.

Heitor Romero


2. Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma

Estreia: 9 de janeiro

O novo filme da diretora Céline Sciamma (Tomboy, 2011), habituada a tratar temas sobre sexualidade, discute o assunto através de mulheres na França, durante o século XVIII, com duas protagonistas descobrindo interesse sexual mútuo, enquanto uma está à espera de seu casamento. A proposta parece abrir margem para discutir a homossexualidade em determinado período em que as mulheres, subjugadas, eram prometidas a homens. Causa interesse, também, a relação estabelecida entre artista e modelo, já que uma das mulheres, uma pintora incumbida de retratar a outra, aprecia a beleza da retratada e se apaixona sob arte.

Marcelo Leme


3. O Filme do Bruno Aleixo, de João Moreira e Pedro Santo

Estreia: 23 de janeiro

Ninguém sabe dizer ao certo se O Filme do Bruno Aleixo é um documentário ou ficção. Nem se o personagem principal, um youtuber, é uma pessoa real ou um personagem — o que vale para todo youtuber como ele. Da mesma forma, na tela, animações se confundem com personagens em carne e osso. E o roteiro do filme é assim também, uma grande bagunça; embora tudo pareça, ao mesmo tempo, planejado. Em meio a tantas incertezas, uma coisa é certa: você encontrará aqui mais um exemplar da cinematografia portuguesa que expira frescor. Se você é fã de comédia e está cansado de tanta bobagem derivativa, não pode deixar de arriscar e dar uma chance ao filme do Bruno Aleixo. 

Rodrigo Torres 


4. 1917, de Sam Mendes

Estreia: 23 de janeiro

Chamou a atenção recentemente por ter levado os dois principais prêmios do Globo de Ouro para casa (filme e direção), mas Sam Mendes merece uma atenção a mais. Alguns estão olhando torto por ser composto de vários segmentos formando um plano sequência, mas em um filme de guerra isso pode ser interessante e mais do que um adereço, ainda mais em se tratando de uma mensagem que precisa ser entregue com urgência.

Rodrigo Cunha


5. Judy - Muito Além do Arco-Íris, de Rupert Goold

Estreia: 30 de janeiro

Essa lista não é mero produto de pesquisa, um combinado simples dos filmes mais hypados, com maior star power ou mais láureas. Por esse motivo, filmes que já conferimos e desaprovamos, como o Prêmio do Júri do último Festival de Cannes, Os Miseráveis, de Ladj Ly, e o decepcionante Zombi Child, de Bertrand Bonello, foram ignorados. Mas foi aberta uma exceção para Judy, que terá em Renée Zellwegger a atuação feminina mais premiada dessa temporada. Fica a dica — inclusive de que vá ao cinema ciente das limitações dessa cinebiografia sobre Judy Garland.

Rodrigo Torres


6. Bad Boys Para Sempre, de Adil El Arbi e Bilall Fallah

Estreia: 30 de janeiro

Há algo de interessante nessa franquia, e não estou falando de explosões, músculos, tiroteio, som com bastante grave, canção tema e tampouco dos dois ícones que estrelam a cinessérie, e sim do poder do tempo nesses personagens e, consequentemente, em Will Smith e Martin Lawrence, o que deve dar um tom mais sentimental à obra. Foi filmado em 6K Panavision e é o primeiro não dirigido por Michael Bay.

Rodrigo Cunha


7. Uma Vida Oculta, de Terrence Malick

Estreia: 30 de janeiro

A competição do último Festival de Cannes não trouxe apenas o mais recente filme do mestre Terrence Malick, mas sua presença bissexta na Mostra, provando que o cineasta ermitão tem algum orgulho do material apresentado. Trata-se de sua obra mais palatável em 15 anos, a história de uma família separada primeiro pela guerra e depois por rígidos códigos morais. A certeza de uma cinematografia estonteante prestes a estrear é um dos motivos para um belo início de ano para o cinéfilo.

Francisco Carbone


8. Jojo Rabbit, de Taika Waititi

Estreia: 6 de fevereiro

Um dos queridinhos da temporada de premiações, vencedor do Festival de Toronto, presença constante nas listas de preferência de diversos sindicatos de cinema e da crítica especializada, o filme do diretor Taika Waititi apresenta uma sátira do período nazista, na qual um menino alemão (a elogiada jovem promessa Roman Griffin Davis) tem uma amizade imaginária com Adolf Hitler (interpretado pelo próprio diretor do filme) enquanto sua mãe (Scarlett Johansson) esconde uma garota judia em sua casa. O elenco conta ainda com Sam Rockwell. Jojo Rabbit é uma aposta certeira para arrebatar indicações ao Oscar 2020 em diversas categorias.

Léo Félix


9. Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa , de Cathy Yan

Estreia: 6 de fevereiro

O sucesso de bilheteria do infame Esquadrão Suicida mostra seu único benefício ao promover o spin-off de Arlequina, o solitário ponto positivo da produção. Uma Margot Robbie no auge da carreira volta a encarnar a vilã-heroína nesse longa repleto de atrizes na linha de frente (incluindo a sumida Rosie Perez) nesse que é um dos principais blockbusters do primeiro trimestre e que vai preparar o terreno para o ano feminino nas bilheterias, que será seguido por Mulan, Viúva Negra e Mulher Maravilha 1984.

Francisco Carbone


10. O Preço da Verdade - Dark Waters, de Todd Haynes

Estreia: 20 de fevereiro

Após uma série de sucesso (Mildred Pierce) e um hiato de 8 anos no cinema, Todd Haynes voltou à ativa em 2015 com o belo romance Carol, engatando logo em seguida um projeto pessoal que dividiu opiniões (Sem Fôlego), no qual brincava com a fábula e a linguagem dos filmes mudos. Inspirado em uma história real, seu novo filme, Dark Waters, apresenta Mark Ruffalo como um advogado de defesa que confronta uma grande corporação química após descobrir um esquema de poluição ambiental que pode ter conexão com um grande número de mortes inexplicadas. A temática ambiental já foi tratada por Haynes no ótimo Safe, com Juliane Moore.

Daniel Dalpizzolo


11. Wendy, de Benh Zeitlin

Estreia: 27 de fevereiro

A Disney nunca cativou meu interesse com suas adaptações em live-action e CGI de suas famosas animações, a ponto de eu não ter visto nenhuma delas. Porém, eis que o Estúdio do Mickey decidiu produzir um filme de baixíssimo orçamento que inaugura uma espécie de lado B dessa linha: Wendy, que reimagina a história de Peter Pan com uma abordagem alternativa e autoral. E o maior atrativo do projeto não é seu (bom) argumento, mas o fato de estar nas mãos do promissor Benh Zeitlin, que voltará a abordar temas como ecologia, fantasia e uma infância insalubre após longo hiato de sua estreia com Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild, 2012). 

Rodrigo Torres


12. Frankie, de Ira Sachs

Estreia: 27 de fevereiro

Finalmente estreando no Brasil depois de prometido ao longo de todo 2019, Frankie parece que enfim chegará ao circuito comercial de cinema agora no começo do ano. Estrelando Isabelle Huppert, Marisa Tomei, Jérémie Reiner e Brendan Gleeson, o drama de Ira Sachs concorreu à Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes e encantou muitos críticos com a história de uma renomada atriz que descobre ter apenas alguns meses de vida.

Heitor Romero


13. O Oficial e o Espião, de Roman Polanski

Estreia: 12 de março

Um dos filmes mais controversos do Festival de Veneza em 2019 foi este O Oficial e o Espião (J'Accuse). É o novo trabalho do octagenário cineasta Roman Polanski, cuja sessão de gala no festival não contou nem com a presença do diretor (considerado oficialmente foragido pela justiça americana), nem da presidente do júri, Lucrecia Martel, que se recusou a ir à sessão por não concordar com a seleção do filme. Mesmo assim, foi ovacionado por crítica e público e recebeu o Leão de Prata, prêmio destinado à segunda melhor obra na opinião do júri. Adaptado de um romance de Robert Harris, é um drama de época que narra a história de um capitão do exército que, em 1894, é acusado de traição e sentenciado à prisão perpétua no exílio.

Daniel Dalpizzolo


14. Um Lugar Silencioso - Parte II, de John Krasinski

Estreia: 19 de março

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2017), surpreendente hit de terror que provocou uma onda de sessões respeitosamente silenciosas em cinemas do mundo todo, volta pra tentar repetir o fenômeno com o que restou da família. Novamente dirigido e estrelado pelo casal John Krasinski e Emily Blunt, os eventos da primeira produção se seguirão aqui sob o ponto de vista da mãe e seus dois filhos, que ainda precisam sobreviver ao ataque de criaturas atraídas pelo som.

Francisco Carbone


15. Três Verões, de Sandra Kogut

Estreia: 19 de março

Exibido durante a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Três Verões chega ao circuito comercial já no primeiro trimestre de 2020. Dirigido por Sandra Kogut (Mutum e Campo Grande) e protagonizado por Otávio Muller, Gisele Fróes e Regina Casé, o drama acompanha a história de uma família da alta elite carioca e seus empregados em três dezembros consecutivos.

Léo Félix


16. A Jornada, de Alice Winocour

Estreia: 19 de março

Após um ano de 2015 muito prolífico como autora de Transtorno (Maryland) e roteirista de Cinco Graças (Mustang), Alice Winocour conquistou a crítica em sua passagem pelos festivais de Toronto e San Sebastián com seu novo filme, A Jornada (Proxima), que soa como um Ad Astra às avessas ao contar a história de uma astronauta (Eva Green) que precisa lidar com questões familiares e psicológicas na iminência de deixar a filha para embarcar em uma missão espacial.

Rodrigo Torres


17. Mulan, de Niki Caro

Estreia: 26 de março

A Disney continua a produzir adaptações em live-action de suas animações mais adoradas. Mas, enquanto O Rei Leão (The Lion King, 2019) e A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017) demonstravam desde o primeiro material divulgado uma considerável falta de identidade, Mulan tem aparecido, pelo menos nos primeiros trailers, como um filme mais disposto a bancar uma personalidade própria, independente da animação de 1998.

Cesar Castanha


18. System Crasher, de Nara Fingscheidt

Estreia: 26 de março

O Urso de Prata de System Crasher (Systemsprenger) em Berlim 2019 foi o pontapé inicial de um hype impressionante, que se manteve no mundo todo até chegar ao Brasil, na Mostra de São Paulo e no Festival do Rio, onde o surpreendente tour-de-force de uma atriz-mirim, Helena Zengel, conquistou crítica e público de forma quase unânime. Desde já, um dos grandes favoritos às listas de melhores lançamentos de 2020 nos cinemas brasileiros.

Rodrigo Torres


19. Os Novos Mutantes, de Josh Boone

Estreia: 2 de abril

Há dois anos foi divulgado o primeiro trailer de Os Novos Mutantes (The New Mutants). Desde então, o filme foi repetidamente adiado, atravessando o fim da franquia X-Men da Fox e a compra desta pela Disney. Os Novos Mutantes promete ser uma adaptação dos quadrinhos da Marvel com uma abordagem do gênero de horror. O filme traz para o cinema alguns dos personagens mais celebrados do universo mutante, como Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy), Rahne Sinclair (Maisie Williams), Danielle Moonstar (Blu Hunt) e o personagem brasileiro mais notório dos quadrinhos da Marvel, Roberto da Costa (Henry Zaga).

Cesar Castanha


20. Eduardo e Mônica, de René Sampaio

Estreia: 9 de abril

Inspirado em um dos maiores sucessos da banda Legião Urbana, sob direção de René Sampaio (que também adaptou para o cinema, em 2013, Faroeste Caboclo, outro grande sucesso do grupo de rock brasiliense), Eduardo e Mônica pretende transpor à telona os consagrados e carismáticos versos de Renato Russo sobre este improvável casal, aqui protagonizado por Gabriel Leone e Alice Braga.

Léo Félix


21. 007 - Sem Tempo Para Morrer, de Cary Joji Fukunaga

Estreia: 9 de abril

Este é o 25º filme da franquia 007, batizado como 007 - Sem Tempo Para Morrer, e traz novamente (e talvez pela última vez) Daniel Craig como o agente secreto britânico James Bond. Dirigido por Cary Fukunaga, o filme traz uma corrida contra o tempo para salvar um cientista e, consequentemente, o mundo. Com grande elenco, destaca-se o recém oscarizado Rami Malek, que viveu Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. Somam-se a ele Ralph Fiennes, Naomie Harris, Léa Seydoux e Ana de Armas.

Marcelo Leme


22. Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou, de Bárbara Paz

Estreia: 9 de abril

Vencedor da categoria de melhor documentário na mais recente edição do prestigiado Festival de Veneza, Babenco acompanha a trajetória pessoal e profissional de Hector Babenco, cineasta nascido na Argentina e naturalizado brasileiro, indicado ao Oscar por O Beijo da Mulher Aranha (1985) e diretor de, entre outros, Carandiru (2003). Dirigido por Bárbara Paz, esposa de Babenco, o documentário acompanha, ainda, os medos e ansiedades do homenageado na luta contra o câncer, que o levou ao falecimento em 2016.

Léo Félix


23. Sybil, de Justine Triet

Estreia: 16 de abril

Sibyl reúne duas mulheres, uma psicoterapeuta escritora e uma atriz de cinema, cuja relação construída entre ambas estabelece uma série de reflexões sobre temáticas pertinentes ao feminino, às suas atividades profissionais e à própria ficção. Dirigido por Justine Triet, o longa francês teve passagem de sucesso por diversos festivais, concorrendo à Palma de Ouro em Cannes no ano de 2019. No Brasil, chamou a atenção de críticos e cinéfilos em sua recente passagem pela Mostra de São Paulo e o Festival do Rio.

Daniel Dalpizzolo


24. A Ilha da Fantasia, de Jeff Wadlow

Estreia: 16 de abril

Quem tem mais de 30 anos lembra da série hit do início dos anos 80 estrelada por Ricardo Montalban como cicerone de um hotel-ilha que realizava os sonhos de seus hóspedes. Agora, já pensaram nessa premissa levada para o cinema de terror, e temos um "mash-up" pra lá de curioso, e a promessa que o cinema de gênero repleto de remakes (O Grito, Os Órfãos) e continuações (Invocação do Mal, Boneco do Mal), tem aqui uma curiosa reimaginação.

Francisco Carbone


25. Magnatas do Crime, de Guy Ritchie

Estreia:  23 de abril

Ao saber notícias de Magnatas do Crime (The Gentlemen), nos pareceu que o cineasta inglês Guy Ritchie, propenso a ironia e sarcasmo, pareceu tomar como inspiração duas de suas mais importantes obras: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998) e Snatch - Porcos e Diamantes (Snatch, 2000). Ao menos a história faz jus à expectativa e o elenco abarrotado de importantes nomes, tais como Matthew McConaughey, Charlie Hunnam, Colin Farrell e Hugh Grant, colabora para que este novo trabalho mereça atenção.

Marcelo Leme


26. Viúva Negra, de Cate Shortland

Estreia: 30 de abril

Desde que a Viúva Negra, interpretada por Scarlett Johansson, apareceu pela primeira vez no filme Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010), tem sido desejado um filme protagonizado pela personagem. Já poderia ter acontecido há alguns anos – até mesmo no espaço de tempo em que este filme será ambientado, entre Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) e Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018) –, mas, ao menos, poderemos nos despedir da personagem em grande estilo. Viúva Negra (Black Widow) será dirigido por Cate Shortland, responsável pelo ótimo Lore (2012).

Cesar Castanha


27. Artemis Fowl - O Mundo Secreto, de Kenneth Branagh

Estreia: 28 de maio

Fantasia baseada em livro (pra variar) da vez, produzido pela Disney e dirigido por Kenneth Branagh, que tem forte background na obra de Shakespeare em sua carreira. É um daqueles filmes com mundo gigantesco e sombrio, cheio de criaturas, personagens, que mistura primitivismo com tecnologia e deve agradar a turma da vez. No final trailer dá até para ver o jovem protagonista fazendo cosplay de MIB.

Rodrigo Cunha


28. Vitalina Varela, de Pedro Costa

Estreia: maio (sem data)

Pedro Costa retoma questões trabalhadas em filmes anteriores, como os espectros do colonialismo português, os guetos periféricos de Lisboa e as vidas castigadas que os habitam, resgatando personagens já conhecidos destas obras estão lá desde a Vitalina Varela de Cavalo Dinheiro ao Ventura de Juventude em Marcha, dois filmes incontornáveis do cinema português do século XXI. De expressiva tradição pictórica, espera-se sempre do cinema de Costa uma série de composições visuais pungentes, ritmo antinaturalista, uso de não-atores e a intersecção amarga entre o real e o ficcional.

Daniel Dalpizzolo


29. Mulher-Maravilha 1984, de Patty Jenkins

Estreia: 4 de junho

Não há muito o que sabemos sobre o enredo da sequência do filme Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) além de que é ambientado 70 anos depois do primeiro filme, que Gal Gadot e, mais surpreendentemente, Chris Pine estarão de volta em seus papéis como Diana e Steve e que Kristen Wiig deve interpretar a vilã Cheetah. A parceria da talentosa diretora Patty Jenkins com a carismática Gadot funcionou muito bem no primeiro filme, então podemos nutrir expectativas de uma boa continuação.

Cesar Castanha


30. Jogos Mortais, de Darren Lynn Bousman

Estreia: 18 de junho

O Halloween será mais cedo no Brasil em 2020. Duas sagas do cinema de terror serão reiniciadas em semanas subsequentes do mês de junho: Candyman, com Yahya Abdul-Mateen II emplacando mais um projeto depois de Black MirrorAquaman e Watchmen; e Jogos Mortais, estrelado por Samuel L. Jackson e Chris Rock, que também produz e assina o argumento. E isso é tudo que eu preciso saber para sonhar com esse filme; sob pena de nem querer assisti-lo e apenas sonhar com essa versão maravilhosa envolvendo torturas, piadas e f*cks.

Rodrigo Torres


31. Ema, de Pablo Larraín

Estreia: prevista para o segundo semestre

Pablo Larraín não é hoje apenas o maior cineasta chileno, como um dos grandes autores e produtores em atividade. Ele volta a se reunir a Gael Garcia Bernal depois de No (2012) para investigar as novas formações familiares através do núcleo de um coreógrafo, sua esposa e a criança que adotaram, que provoca um acidente que vai mudar emocionalmente a família. Concorrente do último Festival de Veneza, o filme é um dos mais esperados lançamentos do circuito no ano.

Francisco Carbone


32. Top Gun - Maverick, de Joseph Kosinski

Estreia: 9 de julho

O anúncio da sequência foi uma enorme surpresa. Após 34 anos, veremos Tom Cruise reviver em cena o piloto Pete Mitchell, o Maverick, personagem que o consagrou transformando-o em astro do cinema lá na segunda metade da década de 80. De lá pra cá, Cruise emplacou diversos sucessos. Favorecido pela nostalgia, Top Gun – Maverick inevitavelmente se tornou um dos títulos hollywoodianos mais aguardados de 2020. O piloto retorna nas alturas enfrentando a tecnologia, pondo a prova à experiência e fator humano como diferenciais.

Marcelo Leme


33. Jungle Cruise, de Jaume Collet-Serra

Estreia: 23 de julho

Uma das principais apostas de bilheteria da Disney para 2020, Jungle Cruise é uma aventura familiar, protagonizada por Emily Blunt e Dwayne "The Rock" Johnson, baseada no passeio pelo parque temático da Disneylândia, onde um pequeno barco fluvial leva um grupo de viajantes por uma selva cheia de animais e répteis perigosos, tendo como pano de fundo elementos sobrenaturais. A previsão de estreia é julho, quando deve fazer sucesso entre o público escolar em período de férias.

Léo Félix


34. Tenet, de Christopher Nolan

Estreia: 23 de julho

O trailer de Tenet, novo filme de Christopher Nolan, promete um trabalho típico do diretor: quebra-cabeça cheio de ação e perseguições em uma insana corrida contra o tempo. Com Robert Pattinson e John David Washington na linha de frente, é provável que seja um dos hits ame-ou-odeie do ano, como sempre ocorre em qualquer filme de Nolan nos círculos de cinéfilos internet afora. A premissa indica até viagens no tempo, o que pode resultar em experimentos similares que ele realizou em trabalhos como Amnésia (Memento, 2000), A Origem (Inception, 2010) e Interestelar (Interstellar, 2014).

Heitor Romero


35. Fim de Festa, de Hilton Lacerda

Estreia: prevista para o segundo semestre

No mês passado, o novo longa de Hilton Lacerda saiu do Festival do Rio como o grande vencedor, se tornando um dos mais esperados títulos do ano. O diretor de Tatuagem (2013) mais uma vez observa os corpos libertos em movimento para protestar de maneira poética o agora. Estrelado pelo gigante Irandhir Santos, o filme tem um pano de fundo policial com a investigação de um crime ocorrido no Carnaval para uma nova analogia de afetos e encontros em meio à liberdade emocional e de expressão.

Francisco Carbone


36. Malignant, de James Wan

Estreia: 13 de agosto

James Wan caminha para as duas décadas como referência do cinema de horror em Hollywood, quando fez um tremendo sucesso com Jogos Mortais (Saw, 2004). O filme se tornaria franquia, assim como Sobrenatural (Insidious, 2010) e Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), além do diretor ter se lançado em grandes blockbusters de ação (Velozes & Furiosos 7) e super-heróis (Aquaman). Antes de voltar a esses projetos maiores, o cineasta malaio voltará às origens com um projeto baseado em sua própria HQ, "Malignant Man", sobre um homem que descobre que seu tumor maligno é um parasita alienígena que lhe confere poderes extraordinários. Não sei você, mas eu gosto disso.

Rodrigo Torres


37. Ghostbusters - Mais Além, de Jason Reitman

Estreia: 20 de agosto

Nova investida na franquia de sucesso dos anos 80 depois da simpática versão e reboot estrelada por atrizes em 2016. É um elenco novo, recheado de crianças (a moda, né?), mas que dá sequência direta ao universo dos filmes originais. Sai aquele quê de produção B divertida e entra uma superprodução com S maiúsculo, com direito ao elenco original (exceto Harold Ramis, que nos deixou em 2014) e muitos efeitos especiais.

Rodrigo Cunha


38. Invasão Zumbi 2, Sang-Ho Yeon

Estreia: 27 de agosto

Já que o fenomenal Deerskin - A Jaqueta de Couro de Cervo, de Quentin Dupieux, não ganha confirmação de lançamento, Invasão Zumbi 2 ocupa o seu lugar como um voto de confiança do Cineplayers no diretor Sang-Ho Yeon  que soube, em Invasão Zumbi (Busanhaeng, 2016), embarcar no hype dos filmes com mortos-vivos não para enganar o público com um cinema embusteiro, que explora as convenções do gênero de forma rasteira para faturar alto nas bilheterias (o sucesso como um fim em si), mas como um meio de articular suas habilidades como um  manipulador do cinema de terror para gerar tensão sem jamais recorrer a jump scares cretinos e até mesmo à escuridão, só por meio da composição de grandes set pieces de suspense e ação.

Rodrigo Torres


39. Monster Hunter, de Paul W.S. Anderson

Estreia: 3 de setembro

Paul W. S. Anderson e Milla Jovovich, a dupla responsável por Resident Evil (uma das franquias mais controversas e idiossincráticas da indústria recente, cabe dizer), retornam neste que é seu primeiro projeto juntos fora do universo adaptado do famoso game de survival horror. O método, porém, parece se manter o mesmo. Anderson deve retomar sua composição visual calcada na exploração pictórica do CGI para transportar às telas outro sucesso dos video-games, Monster Hunter, narrando agora a história de uma heroína transportada a um novo mundo para lutar contra horrendos monstros gigantes.

Daniel Dalpizzolo


40. Invocação do Mal 3, de Michael Chaves

Estreia: 10 de setembro

Os dois primeiros longas da série conquistaram relativo respeito com o público (ao ponto de figurarem na lista de maiores filmes de terror da década 2010-19 do Cineplayers) e inspiraram esse terceiro e óbvio filme. Só que as coisas ficam meio preocupantes quando alinhamos os fatos de que os roteiristas originais não escreveram este terceiro episódio, quando James Wan, o novo queridinho do sangue artificial de Hollywood, também não está na direção e nem quando a sinopse para vender a ideia é divulgada. É pagar para ver.

Rodrigo Cunha


41. Pacarrete, de Allan Deberton

Estreia: sem data

A estreia na direção de Allan Deberton estreou em Gramado e saiu de lá com 7 prêmios, incluíindo melhor filme e melhor atriz pra grande Marcelia Cartaxo. Desde então, festivais no Brasil e no mundo já conheceram a história da bailarina Pacarrete, que sonha em fazer uma última apresentação no aniversário da sua cidade Natal. Um dos mais aplaudidos filmes nacionais da temporada, o filme de Allan finalmente entra em cartaz em 2020 com enorme expectativa.

Francisco Carbone


42. The Witches, de Robert Zemeckis

Estreia: 8 de outubro

A carreira de Robert Zemeckis segue sendo uma das mais incompreendidas da Hollywood atual. O cineasta mantém-se fiel à tradição de narrar histórias melodramáticas e fantasiosas, fazendo bom uso dos principais recursos do aparato cinematográfico industrial, porém com um senso de fábula visual raro na indústria. The Witches é uma nova adaptação do livro homônimo antes transportado às telas por Nicolas Roeg, sob o título nacional Convenção das Bruxas. Anteriormente encabeçado por Angelica Huston, o elenco agora conta com Anne Hathaway, Octavia Spencer, Stanley Tucci e Chris Rock.

Daniel Dalpizzolo


43. Morte no Nilo, de Kenneth Branagh

Estreia: 8 de outubro

O Herculet Poirot de Kenneth Branagh foi uma das boas surpresas em Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 2017), no qual o também diretor conseguiu reunir um elenco estelar e aproveitá-lo bem. O sucesso já deixou gancho para este Morte no Nilo (Death on the Nile), trazendo de volta o famoso detetive belga criado por Agatha Christie em um novo mistério inspirado no romance da Rainha do Suspense. Mesmo que dessa vez com um elenco mais modesto, as expectativas são boas. 

Heitor Romero


44. Halloween Kills, de David Gordon Green

Estreia: 15 de outubro

O diretor David Gordon Green traz mais um capítulo da saga Halloween, sequência direta do lançamento de 2018, também dirigido por ele. Com Jamie Lee Curtis reprisando o icônico papel de Laurie Strode, veremos no mês do dia das Bruxas o retorno do assassino Michael Myers, emblemático personagem criado pelo aclamado cineasta John Carpenter e pela produtora Debra Hill. Halloween Kills será o décimo segundo filme desta que é uma das franquias mais bem-sucedidas do cinema. Os fãs já estão ansiosos por novidades.

Marcelo Leme


45. Os Eternos, de Chloé Zhao

Estreia: 29 de outubro

Ainda não se sabe muito bem o que esperar da nova fase do Universo Cinematográfico da Marvel, que agora vai incluir também produções seriadas para a Disney+. Os Eternos (The Eternals), na melhor das hipóteses, pode propor uma bem-vinda renovação dos temas e da estética dessas franquias. A contratação de Chloé Zhao (Domando o Destino) como diretora é uma boa indicação de que Kevin Feige busca novos ares para os personagens e o universo.

Cesar Castanha


46. Last Night in Soho, de Edgar Wright

Estreia: 5 de novembro

Um suspense com toques de ficção-científica — é o que parece anunciar o novo projeto de Edgar Wright, diretor dos badalados Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, 2010) e Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, 2017), no qual ele pretende explorar um pouco a mítica cultural dos anos 1960 em uma Londres que ele nunca conheceu durante esse período e que pretende retratar a partir de um sentimento de nostalgia que não viveu. Parece complicado? É esperar para ver o exercício de estilo que ele vai desenvolver nesse curioso cenário de tempo-espaço misterioso.

Heitor Romero


47. Turma da Mônica - Lições, de Daniel Rezende

Estreia: 10 de dezembro

Turma da Mônica: Laços (2019) foi um sucesso e já garantiu uma sequência para o live-action dos adoráveis personagens criados por Mauricio de Sousa. Agora é a vez de Turma da Mônica – Lições trazer de volta o quarteto Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão para uma nova aventura que se passará em um contexto escolar. Filmado em Poços de Caldas, Minas Gerais, esta segunda parte traz novamente o diretor Daniel Rezende para trás das câmeras.

Marcelo Leme


48. West Side Story, de Steven Spielberg

Estreia: 17 de dezembro

Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961) é um dos filmes musicais mais queridos de todos os tempos – vencedor de dez Oscars, incluindo melhor filme. Steven Spielberg tem uma grande responsabilidade com a nova versão desse clássico, mas, além de podermos confiar no talento do diretor, ele está em ótima companhia: Tony Kushner, autor da peça Angels in America, uma obra-prima do teatro, retoma a parceria com Spielberg, com quem já trabalhou em Munique (Munich, 2005) e Lincoln (2012).

Cesar Castanha


49. Um Príncipe em Nova York 2, de Craig Brewer

Estreia: 17 de dezembro

O retorno de Eddie Murphy em Meu Nome é Dolemite (Dolemite is my Name, 2019) deu tão certo que ele chamou o mesmo Craig Brewer para dirigir esse seu projeto de estimação. Assim, um de seus grandes sucessos dos anos 80 vai ganhar continuação com ele, Arsenio Hall e James Earl Jones de novo em um encontro totalmente inédito com o príncipe africano Akeem, seu ajudante Semmi e uma nova busca na América. Wesley Snipes confirmou a adesão ao elenco.

Francisco Carbone


50. Duna, de Denis Villeneuve

Estreia: 17 de dezembro

Uma das ficções-científicas mais adoradas da literatura mundial, Duna já virou um filme-bomba (embora hoje com um status de cult) nas mãos de David Lynch, em seu único trabalho de apelo comercial. Agora, com Dennis Villeneuve, a história promete ser outra. Adepto do sci-fi de fundo existencial, o diretor já fez bonito em Blade Runner 2049 (2017) e A Chegada (Arrival, 2016), então as expectativas para uma adaptação de qualidade são bem altas.

Heitor Romero


BÔNUS: Marighella, de Wagner Moura

Estreia: sem previsão

Porque filme nenhum pode ser censurado. Seja pelo radicalismo ideológico de parte de um país polarizado, seja, principalmente, por influência de um político irresponsável — tampouco, e mais grave e reprovável ainda, se for ele o Presidente da República.

Até a próxima!

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It - Capítulo Dois divulga primeiro teaser trailer


A New Line Cinema divulgou o primeiro teaser trailer de It - Capítulo Dois, que mostra uma crescida Beverly voltando a Derry e interagindo com uma senhora que, ainda que simpática, começa a se mostrar cada vez mais suspeita. Quando ela sai para fazer o café, olhar para os quadros confirma o motivo de sua suspeita.

O novo filme é ambientado 27 anos depois do primeiro filme, ambientado em 1988, e conta com os integrantes do "Clube dos Otários" Bill, Beverly, Ben, Richie, Stan, Mike e Eddie adultos retornando à sua cidade natal Derry para novamente lidar com a ameaça do palhaço sobrenatural Pennywise, uma entidade que retorna de tempos em tempos para se alimentar do medo das pessoas. 

Com James McAvoy (Vidro), Jay Ryan (Top of The Lake), Jessica Chastain (A Grande Jogada), Bill Hader (Barry), James Ransone (A Escuta), Andy Bean (Monstro do Pântano) e Bill Skarsgård (Atômica), o filme dirigido por Andy Muschietti (Mama) conclui a adaptação do romance monumental de Stephen King. A previsão de estreia no Brasil é para 5 de setembro de 2019.

Confira o trailer abaixo e deixe seu comentário!

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Confira o novo trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa


Após os eventos de Vingadores: Ultimato, e podendo se ver (mais ou menos) livre de spoilers, a Marvel divulgou o novo trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa, conectando a nova aventura do herói interpretado por Tom Holland a um dos eventos mais significativos da história recente do MCU: a morte do Tony Stark, o Homem-de Ferro.

O trailer novo dá mais profundidade à história, com Peter querendo curtir um pouco a adolescência em uma eurotrip, mas a chegada da vida adulta e das responsabilidades batem à porta quando o jovem sente-se no dever de honrar o legado do seu mentor Tony Stark, para isso ajudando Nick Fury, Maria Hill e a S.H.I.E.L.D. a lidar com criaturas poderosas conhecidas como Elementais, sendo assistido por isso por Quentin Beck, conhecido pela alcunha de Mysterio e que clama entender sobre os monstros e ser de uma realidade diferente, a Terra-833.

Muita informação para processar: o novo Homem-Aranha não só conecta com a última história lançada como também abre as portas para um conceito dos quadrinhos da Marvel ainda não explorado pelos filmes: o Multiverso. A maioria das histórias se passam na Terra-616,  mas há uma conjunção de realidades paralelas como o Microverso, a Zona Negativa e o interior da Jóia da Alma.

O conceito de Multiverso foi introduzido nas páginas do Capitão Britânia, onde cada realidade era guardada por um herói com esta alcunha. Nos quadrinhos, a Terra-833 é o lar do Aranha-UK, uma variante britânica do herói e único sobrevivente dessa realidade. O conceito dos vários Homens-Aranha diferentes explorado em Homem-Aranha no Aranhaverso parte de um arco onde um exército de variantes do herói descobre Karn, um membro de um grupo maligno conhecido como os Herdeiros que acaba se redimindo e se tornando um Mestre Tecelão, responsável por tecer a Teia da Vida e do Destino, que conecta todas as realidades alternativas. 

Após uma das grandes batalhas da década, a Marvel está sonhando alto. Não sabemos ainda até quando esse projeto continuará sendo expandido, mas o trailer cheio de novidades pode ser visto abaixo. Não se esqueça de comentar!

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Divulgado o primeiro trailer de Sonic - O Filme


Foi divulgado o primeiro trailer para Sonic - O Filme, adaptação em live-action e motion capture do clássico videogame do Master System e desde o ano passado um dos projetos mais polêmicos da internet, que em grande parte recebeu mal a concepção visual realista do ouriço azul velocista.

O filme foi produzido em associação internacional entre várias companhias, as mais famosas sendo a Paramount Pictures e a Sega e conta a história de Tom Wachowski, um xerife da pequena Green Hills que viaja até San Francisco para ajudar Sonic, um ouriço azul antropomórfico que é capaz de correr a velocidades incríveis,  tentando tanto livrar Sonic das garas do governo quanto para somar forças na batalha contra o vilão Dr. Robotnik.

Com Ben Schwartz (Parks and Recreation) fazendo a voz de Sonic, James Marsden (Westworld) como o xerife e Jim Carrey (O Máskara) como o vilão Robotnik, Sonic - O Filme é dirigido por Jeff Fowler, responsável pelos efeitos visuais de Onde Vivem os Monstros e que estreia na direção de longas-metargens.

O filme estreia no Brasil em 14 de maio de 2019. Veja o trailer abaixo e deixe seu comentário!

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Olhares para o passado


O Olhar de Cinema começa no próximo dia 5 de junho e durante 9 dias a extensa programação incluirá as tradicionais mostras de retrospectivas e clássicos, procurando como sempre reverberar o nosso tempo. E dentro do atual cenário do país de perdas de certezas e um infeliz elogio a repressão política, uma homenagem a um cineasta que viveu no exílio se faz necessário, infelizmente. Assim sendo, a Retrospectiva desse ano é denominada 'Raoul Ruiz e os Diálogos no Exílio', um recorte preciso sobre o período em que o renomado cineasta chileno precisou se afastar de seu país devido à ditadura imposta.

Falecido em 2011 aos 70 anos, Raoul construiu uma filmografia muito particular, ligando seu nome a narrativas nunca tradicionais, situações surreais e muitas vezes nonsense, além de ter formado ao longo de mais de 100 filmes que dirigiu um olhar sobre a própria condição de exilado, que tantas vezes refletiu em seu próprio cinema. Sua filmografia se espalhou por diversos países, mas no seu Chile natal e na França que escolheu viver se encontraram os grandes momentos dessa obra singular, cheia de autenticidade e que reverberou seu país e as tradições disruptivas que ele amalgamou com a junção desses dois Estados tão diferenciados.

De sua longa obra, o Olhar vem buscar filmes realizados entre os anos 60 e 70, que dialogavam muito com sua situação de exílio e cujo período conversa com a própria ditadura brasileira. Disse Antônio Junior, diretor geral e de programação do Festival: "talvez há um ano atrás, esse tema não fizesse muito sentido à nossa realidade; infelizmente, nossa realidade política hoje observa a situação de um exilado sob uma perspectiva aproximada e a obra de Ruiz, especificamente nesse recorte escolhido, mostra a potência do seu criador e também se comunica com toda a América Latina no mesmo período".

Além dos 8 filmes dirigidos por Ruiz, outras 10 produções dirigidas por grandes nomes nossos que igualmente abordam o exílio e a ditadura foram selecionadas para essa edição do Olhar, de nomes como os de Glauber Rocha, Lúcia Murat, Cacá Diegues, Júlio Bressane, Ruy Guerra e Helena Solberg. Abaixo, os filmes do Olhar Retrospectivo:

Três tristes tigres (Tres tristes tigres, 1968, Chile, 98 min)

Diálogos dos exiliados (Diálogos de exiliados/Dialogue d’exilés, 1975, Chile/França, 104 min)

A vocação suspensa (La vocation suspendue, 1977, França, 95 min)

A hipótese do quadro roubado (L’Hypothèse du tableau volé, 1978, França, 64 min)

As divisões da natureza (Les divisions de la nature: Quatre regards sur le château de Chambord, 1978, França, 31min)

Dos grandes eventos e pessoas comuns (De grands événements et des gens ordinaires, 1979, França, 61min)

O teto da baleia (Het dak van de walvis, 1982, Holanda, 90 min)

As três coroas do marinheiro (Les trois couronnes du matelot, 1983, França, 117 min)

Os 10 filmes a seguir, dirigidos por cineastas brasileiros exilados, também foram confirmados para a Retrospectiva. Os filmes serão exibidos em suas cópias digitais:

Meio-dia (dir. Helena Solberg, 1970, Brasil, 11 min)

Un séjour (dir. Carlos Diegues, 1970, França, 56min)

O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças, dir. Glauber Rocha, 1970, França/Itália/Brasil, 99 min)

Não é hora de chorar (No es hora de llorar, dir. Luiz Alberto Barreto Leite Sanz e Pedro Chaskel, 1971, Chile, 36 min)

Memórias de um estrangulador de loiras (dir. Júlio Bressane, 1971, Inglaterra/Brasil, 71 min)

A dupla jornada (dir. Helena Solberg, 1975, Argentina/Bolívia/México/Venezuela, 54 min)

Estas são as armas (dir. Murilo Salles, 1978, Moçambique, 56 min)

Mueda, memória e massacre (dir. Ruy Guerra, 1979, Moçambique, 75 min)

O pequeno exército louco (dir. Lúcia Murat e Paulo Adário, 1984, Brasil/Nicarágua, 52 min) 

Fragmentos de exílio (dir. Sivio Tendler, 2003, Brasil, 6 min)

A Olhares Clássicos vai além da homenagem a um nome específico, e abrange a visitação por obras inesquecíveis e primordiais do nosso cinema, em versões restauradas para longas metragens cujas oportunidades de conferir em tela grande são raras. Além disso, o festival costuma selecionar ao menos um filme de grandes nomes que faleceram no período, como são os casos de Nelson Pereira dos Santos, Jonas Mekas, Kira Muratova, Stanley Donen e a mais recente de um dos maiores nomes da História do Cinema, Agnès Varda.

Algumas sessões serão obrigatórias, como a de O Funeral das Rosas, um dos primeiros títulos a celebrar a causa LGBTQ no cinema ao percorrer bares e boates gays, em formato que mistura documentário com a típica psicodelia de 1969, pelas mãos de um dos mais proeminentes cineastas experimentais japoneses, Toshio Matsumoto. Ou o vencedor do Leopardo de Ouro em Locarno '70, Ó, Sol, do mauritano Med Hondo, falecido em março. Conterrâneo do homenageado passado do Olhar Djibril Diop Mambety, também Hondo é adepto do experimentalismo e foi intensamente celebrado com essa vitória a um filme que não perdeu sua força, e que celebra uma forma de se livrar do julgo para imigrantes africanos na França do período. 

Ainda terá por lá exibição do impressionante O Conformista, de Bernardo Bertolucci, bem como A Longa Caminhada, de Nicolas Roeg. A russa Kira Muratova terá a oportunidade de se tornar mais reconhecida no país, já que seu nome nunca foi muito difundido por aqui, através de um de suas obras mais importantes, 'Conhecendo o Grande e Vasto Mundo'. E um dos filmes mais importantes de Agnès Varda, Os Renegados, estará homenageando a grande dama e uma das criadoras da Nouvelle Vague. 

Abaixo, a lista dos clássicos que estarão no Olhar: 

O Funeral das Rosas (Funeral Parade of Roses, dir. Toshio Matsumoto, Japão, 1969, 105 min.)

Filhas do Pó Daughters of the Dust, dir. Julie Dash, EUA, 1991, 112min.)

Ó, Sol (Soleil Ô, dir. Med Hondo, Mauritânia, 1970, 98 min.)

O Conformista (Il conformista, dir. Bernardo Bertolucci, Itália, 1970, 113 min.)

Conhecendo o grande e vasto mundo (Getting to Know the Big Wide World, dir. Kira Muratova, União Soviética, 75min. 1978) 

Os Renegados (Sans toit ni loi, dir. Agnès Varda, França, 105 min. 1985)

A Longa Caminhada (Walkabout, dir. Nicolas Roeg, Austrália/Reino Unido, 1971, 100min)

Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, dir. Stanley Donen, EUA, 1952, 103min)

Memórias do cárcere (dir. Nelson Pereira dos Santos, Brasil, 1984, 185min)

 

Programa Germaine Dulac


Celles qui s’en font (dir. Germaine Dulac, França, 1928, 6min)

La cigarette (dir. Germaine Dulac, França, 1919, 56min)

Danses espagnoles (dir. Germaine Dulac, França, 1928, 7min)

Reminiscências de uma Viagem à Lituânia (Reminiscences of a Journey to Lithuania, dir. Jonas Mekas, Lituânia/EUA, 1972, 82min)

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John Singleton falece aos 51 anos

Após sofrer um derrame no dia 17 de abril de 2019 e estar desde então em coma, o diretor John Singleton teve os aparelhos que o mantinham vivo desligados e faleceu aos cinquenta e um anos de idade.

Singleton destacou-se em Hollywood com Os Donos da Rua (1991), que o tornou o cineasta mais jovem e o primeiro afro-americano indicado ao Oscar de Melhor Direção, também lançando para a fama o ator Cuba Gooding Jr. (Homens de Honra). Desde então, Singleton ainda comandaria o remake Shaft (2000), a sequência +Velozes +Furiosos (2003) e o clipe de Michael Jackson Remember The Time.

Pai de cinco filhos, um deles com a atriz Akosua Busia (A Cor Púrpura), Singleton também dirigiu episódios das séries Empire e American Crime Story e criticava ativamente Hollywood por questões raciais, chegando a afirmar  em uma palestra universitária que para diretores negros só era possível fazer filmes sobre questões de raça.

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Mistura de ação e ficção científica que fez um clássico dos anos 80

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James Cameron é um daqueles cineastas capazes de doar o próprio sangue, suor e até mesmo uma boa quantia em dinheiro para levar seus projetos adiante. Quem conhece a histórica produção de Titanic sabe o quanto o diretor passou pro trancos e barrancos para finalizar o longa, explodindo orçamentos e levando o elenco à loucura, tamanho seu perfecciosnimo atrás das câmeras. Deu certo, pois a história do malfadado transatlântico se tornou um dos mais autênticos sucessos do cinema. E talvez por sua enorme popularidade é que poucos lembrem que Cameron já havia passado por dores de cabeça semelhantes quando começou a trabalhar na produção de O Exterminador do Futuro, uma mistura de ação e ficção cientifica da qual muitos duvidaram na época, mas que abriu diversas portas para que Cameron se firmasse como um dos diretores mais competentes dos anos 80.

Sim, pois a primeira idealização foi imediatamente recusada logo de início, algo que não lhe impediu de levar sua ideia adiante. Ele chamou mais quatro mãos para reescrever seu roteiro, e conseguiu a atenção da produtora Gale Anne Hurd, que viria a comprar os direitos do filme pela barganha de um dólar. Levando o roteiro a sofrer mais alguns cortes em razão das restrições orçamentárias, grandes responsáveis pelo formato final da obra, e a escalação de um popular Arnold Schwarzenegger (que acabava de vir do sucesso de Conan - O Bárbaro) na pele do impiedoso cyborgue T-800, Cameron misturou essa salada e deu vida a um improvável clássico do gênero, numa obra que encontrou seu ponto alto justamente em sua econômica narrativa, obrigando-o a respeitar seus limites orçamentários e encontrar soluções criativas para o filme.

A própria trama em si é absurdamente simples, na qual o andróide T-800 é enviado do futuro para os anos 80 com o objetivo de assassinar Sarah Connor (Linda Hamilton), enquanto o soldado Kyle Reese (Michael Biehn) também é enviado para proteger Sarah do destrutivo ciborgue. O motivo: Sarah será a responsável por dar à luz John Connor, que no futuro será o líder da resistência humana após um holocausto nuclear, quando as máquinas viriam a dominar o planeta.

Cameron vai, através de flashbacks simplistas e esclarecedores, nos revelando sobre a atual situação do futuro após o domínio das máquinas, o que joga o espectador no mesmo nível do ceticismo inicial de Sarah, que vai aos poucos compreendendo a gravidade e a dimensão de sua situação, e sua própria importância enquanto geradora do líder da humanidade. Nesse último ponto, recebemos um forte discurso feminista por parte de Cameron, fortificando a figura da mulher e transformando-a em mais do que um mero rosto frágil que precisa ser protegido. É um discurso inserido de maneira sutil, mas bastante forte, o que eleva o status de O Exterminador do Futuro para além de um mero filme de ação.

Isso porque Cameron também insere incitações curiosas sobre a identidade visual da época e as próprias idealizações do público sobre o que seria o futuro. Como o visionário que é, elabora inteligentíssimas rimas visuais entre o presente e o possível futuro, no qual a identidade do movimento punk, indo das roupas e acessórios até o estilo musical, entra num conflito curioso com a presença dura e sem expressão do T-800, sempre vestido de preto e com óculos escuros, numa representação incerta do amanhã.

Para tanto, Cameron não trabalha em cima dos estereótipos cibernéticos com os quais o público estava acostumado (algo, acredito eu, também resultado das restrições monetárias), mas coloca uma figura de aparência comum em meio aos humanos para, aos poucos, desconstruí-la (literalmente) aos nossos olhos. Nesse ponto é que podemos ver o quanto uma boa técnica pode ser aliada da história, transformando-a num poderoso elemento narrativo; pois, conforme os conflitos corporais vão acontecendo na tela, vemos o T-800 sendo gradativamente destruído, sofrendo danos, obrigando o espectador a passar pela angustiante experiência de ver o monstro ser revelado aos poucos, assumindo contornos cada vez mais assustadores.

É nesse ponto que, apesar do baixo orçamento, fica impossível não reverenciar o trabalho de maquiagem de Stan Winston, que alcança uma sensação de realismo absolutamente digna. As explosões e acrobacias das eletrizantes cenas de ação também surpreendem por não se limitarem aos efeitos gráficos, impressionando o público até hoje por sua veracidade. Tal excelência técnica entra em conflito apenas nos momentos finais, quando temos o T-800 num stop-motion bastante artificial. As cenas em animatrônicos, entretanto, compensam graças aos criativos e funcionais posicionamentos e movimentos da câmera de Cameron, conferindo as impressões exatas aos movimentos do T-800.

Schwarzenegger encontrou na sua roupagem do inexpressivo andróide T-800 a figura ideal para catapultar de vez seu estrelato. Muito longe de ser um bom ator, Arnold faz bom uso de sua aparência truculenta e de seu sotaque austríaco carregado para dar vida a um personagem marcado por estas características, com um simples diálogo como “I’ll be back” ficando eternizado pela voz do ator. Linda Hamilton convence como a inicialmente assustada Sarah Connor, que, conforme vai tomando conhecimento de sua própria importância, assume contornos mais definitivos e audaciosos. Michael Biehn é o único elo fraco do elenco, com sua ausência de carisma dificultando o envolvimento do público com os conflitos internos de seu personagem.

Encerrando o longa com um desfecho que apenas deixa incertezas no ar (incertezas estas que viriam a justificar a popular continuação dos anos 90), Cameron criou um dos mais improváveis clássicos dos filmes de ação e ficção cientifica, numa felicíssima união entre os dois gêneros, resultando numa obra excitante, nostálgica e até mesmo reflexiva. É cinema que apenas enriquece com o tempo.

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O cinema vital de Rogério Sganzerla.

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Sem Essa, Aranha (1970) é o turbilhão de choque estético de Rogério Sganzerla: a antiestética do cinema assim batizado de “marginal” alcançava um dos ápices aqui, desmanchando quaisquer compromissos narrativos e didáticos para a construção da expressão desenfreada e enfurecida do diretor. Seus personagens são aberrações que felizmente padecem da completude tradicional dramatúrgica para berrar, avacalhar, vomitar e provocar a desordem total e absoluta. A união de Sganzerla com Jorge Loredo, o eterno Zé Bonitinho (que é a persona do banqueiro Aranha), resultou em uma das obras mais livres e anárquicas de nosso cinema – a recusa do diretor com o regime de imagem tradicional é absoluta e radical.

Sganzerla filma grandes blocos de imagem, planos-sequências em que seus personagens interagem com figurantes, interagem com a câmera, a equipe interage com os atores e Loredo, Helena Ignez e Maria Gladys, em suas performances caricaturais e fanfarronas, desempenhando as sequências de grande movimentação fora e dentro de quadro e grande perturbação sensorial, levam à tela as vísceras de um Brasil que, como diria Darcy Ribeiro, é um país em ser, impedido de sê-lo. A colônia liberta e devassa, a república independente vivendo os anos de chumbo da ditadura; a identidade plural muitas vezes sem consciência de si, dos capitalistas eurocêntricos, do baião de Luiz Gonzaga e do samba de Moreira da Silva; da cultura cristã apaixonada e da galhofa descrente. Todos em Sem Essa, Aranha acreditam e não acreditam, ou melhor, não sabem exatamente no que acreditar. Sganzerla baseia seu filme no puro antagonismo temático e estético, da miséria se chocando com a burguesia, do cinema de sucata batendo de frente com o cinema industrial.

O pesadelo intelectual escrachado de O Bandido da Luz Vermelha (1968) – O Demônio das Onze Horas (Pierrot le fou, 1965) dos trópicos -, que ameaçava que “O terceiro mundo vai explodir” e “quem não pode fazer nada avacalha e se esculhamba”, agora é mais aberto em sua abordagem, mas é paradoxalmente tão simbólico: as interações com a aranha de plástico exercendo influência no campo diegético, o trio de protagonistas descendo o morro com Aranha performando seus trejeitos enquanto Gladys grita repetidamente e de forma desagradável “eu tô com fome”, a equipe vista com o elenco dentro do mesmo espelho, Ignez, a pura explosão de energia dentro de uma janela de filme interagindo com Luiz Gonzaga nunca cessando de cantar: apesar do número de imagens tão variadas que abusam do grotesco, da progressão inconsciente e desgovernada, é difícil ignorar sobre o que Sem Essa, Aranha fala: de um Brasil que você não sabe definir ou identificar o espírito, você sente. A libertinagem, a desordem, a truculência de uma selvageria pouco clara em palavras mas que, significado dentro do campo da imagem em movimento, sabe-se até demais – mais do que se gostaria de saber.

O projeto estético dessa turma que saltou dos gibis, do cinema policial bom e barato e da boca do lixo foram responsáveis por uma geração de filmes que trabalharam com uma dissolução de pactos pré-datados e para um país que tentava reagir e se expressar através das instituições totalitárias que mantinham a coleira curta: com maior e menor rigor formal, a política desse movimento era representar, como certeza vez disse Reichenbach, não a subversão, mas a transgressão; não desestruturar as estruturas de poder como faria o cinema novo, mas apontar a câmera para os párias; tanto no diálogo com Mélies em Bang Bang (1971) (o cinema só podendo avançar feito da maneira rústica e livre que era feito) quanto da piração imprevisível de Sganzerla (o caminho do cinema através da paródia, da sacanagem e da sucata; a liberdade de movimento de câmera e personagem, da criação textual, da anti-progressão, dos blocos que se relacionam mais por uma fúria unitária que por qualquer outra coisa),  o cinema marginal é um cinema que sempre transpirou e, daqui a décadas, transpirará conflito. Quem parar, morre, e o filme como uma unidade de movimento não pode estar em paz. Quem se satisfazer ou acomodar, “ficar de sapato”, é deixado para trás. O epíteto “marginal”, por mais que não desejado, nunca fez tanto sentido: ser “à margem” pela simples impossibilidade de poder compactuar com os monstros ideológicos que tinham de driblar.

Sem Essa, Aranha não foi feito para ser polido ou agradar os pactos estéticos  que tanto aprisionaram o cinema; foi feito para propositadamente ser desagradável, para ser ridículo, para falar do Brasil que a classe dominante não gosta, odeia, despreza, tem medo, repulsa e asco. Sganzerla cuspia na cara do Brasil inventado, do Brasil tricampeão, dos noventa milhões em ação e do ufanismo doentio. Anos mais tarde, Sganzerla, ao fazer um documentário sobre o documentário É Tudo Verdade (It's All True, 1993), de Orson Welles, chamou-o de É tudo Brasil. Enquanto o americano libertava o cinema do peso da verdade e o devolvia ao campo das mentiras, da imaginação e dos sonhos, o “Brasil verdadeiro” de Sganzerla era essa expressão pessoal que Sem Essa, Aranha transpira: a liberdade sacana, irônica e galhofeira que não tem nada a ver com o quadrado, com o sisudo, com o Estado, com o conservadorismo que se traveste de estética – um Brasil vital.

Texto retroativo da série Clássicos Brasileiros

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Morre, na Itália, aos 91 anos, o compositor Ennio Morricone

Morreu hoje (06/07), aos 91 anos, o compositor italiano Ennio Morricone. Autor de mais de 500 trilhas sonoras, e parceiro de vários cineastas ao redor do mundo, ele foi daqueles artistas que deixou um legado tão forte que o grande público reconhecia seu nome sem talvez nem precisar conhecer o seu rosto. Suas partituras servem de exemplo de como se trabalha a música para o cinema: elas podiam passar completamente despercebidas, como se compostas para serem ouvidas pelo nosso inconsciente; ou podiam ser mais exibicionistas, para marcar o clima ou o ritmo de uma determinada sequência; ou no nível que extravasa o próprio limite da tela, para ganhar vida própria, independentemente dos filmes a que elas deveriam servir. Poucos compositores conseguem dar conta das três frentes. Morricone fazia isso só olhando o roteiro.

Morricone nasceu em Roma em novembro de 1928, um dos cinco filhos de um trompetista, que o ensinou e ler partituras e a tocar variados instrumentos. Em 1940, já com a 2ª Guerra Mundial em curso, ingressou na Academia Nacional de Santa Cecília. Já com a Itália livre, mas ainda recolhendo os cacos do conflito, trabalhou em programas de rádio e TV e para alguns cantores sob contrato.

Seu primeiro crédito como autor de uma trilha sonora data de 1961, no filme O Fascista, de Luciano Salce (que havia começado a carreira no Brasil com o clássico Floradas na Serra). Daí em diante, Morricone não parou mais, por vezes trabalhando em dez ou mais composições simultaneamente, quase sempre abrindo espaço para experimentos com novos instrumentos, como a gaita, o oboé, os violinos e as cordas. Muitos dos seus trabalhos se tornaram clássicos instantâneos, como as composições para Antes da Revolução, de Bertolucci; De Punhos Cerrtados, de Bellocchio; A Batalha de Argel, de Pontecorvo; Sacco e Vanzetti, de Montaldo; Os Sicilianos, de Verneuil; Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, de Petri; Gaviões e Passarinhos, de Pasolini, entre tanto outros.

Mas foi no faroeste e da parceria com o cineasta italiano Sérgio Leone que o nome de Morricone ganhou o mundo. Suas partituras para a Trilogia dos Dólares, formada por Por um Punhado de Dólares, Por Alguns Dólares a Mais, e Três Homens em Conflito, conferem um peso dramático, épico e operístico que os filmes nem tinham orçamento pra chegar. De tão marcante, o tema principal do último capítulo serviu de fundo musical dos comerciais dos cigarros Camel.

A união entre Morricone e Leone não parou por aí. A trilogia seguinte do diretor, que tratava da própria construção do sonho americano, viu o maestro escrever talvez suas três obras-primas: Era uma Vez no Oeste, Quando Explode a Vingança e Era uma Vez na América. Do primeiro capítulo, difícil não se emocionar com os acordes de Jill’s Theme, que pontua a chegada da personagem de Cláudia Cardinale na estação de trem; do último, tente não chorar ao som de Deborah’s Theme, que marca a sequência em que o personagem de Robert De Niro relembra, por uma fresta da parede, o grande amor da sua juventude. Não à toa, Leone preferia inverter a ordem das coisas e gravar algumas das cenas dos seus filmes após a trilha sonora ter sido composta por Morricone.

Após a morte precoce de Leone, em 1989, Morricone iniciou uma nova e produtiva parceria, dessa vez com o cineasta Giuseppe Tornatore. Se a carreira do diretor se tornou decepcionante com o passar do tempo, as trilhas, não. Daqui surgiram as suas obras-primas mais recentes, como as composições para Estamos Todos Bem, Malena, A Lenda do Pianista do Mar e, sobretudo, Cinema Paradiso, cuja sequência final não teria a mesma força se não fosse embalada pelos violinos rasgadamente melancólicos de Morricone.

Quem ainda precisa de uma prova de que Morricone foi um dos grandes compositores de trilhas sonoras do século XX, ao lado de nomes como Max Steiner, Alfred Newman, Miklós Rozsa, Franz Waxman, Bernard Herrmann, Nino Rota, Maurice Jarre, e John Williams, basta criar uma playlist com as trilhas que ele escreveu para 1900, de Bertolucci, Cinzas no Paraíso, de Mallick (sua primeira indicação ao Oscar); A Missão, de Joffe (um dos seus trabalhos mais famosos e experimentais); Os Intocáveis, de De Palma (nova indicação ao Oscar), e Missão: Marte, de novo com De Palma, e uma das suas peças mais subestimadas.

No final da sua carreira, com vários anos de atraso, Morricone ganhou dois Oscars: o primeiro, em 2007, pelo conjunto da obra, e o segundo, em 2015, pela trilha de Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino.

RIP (G)Ennio Morricone

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Morre o diretor Joel Schumacher

Morreu hoje, aos 80 anos, o veteraníssimo diretor Joel Schumacher, vítima de câncer. Curiosamente, a carreira do outrora figurinista é marcada por um fracasso de público e, principalmente, crítica: Batman & Robin (1997), adaptação do Homem-Morcego que caiu em desgraça por seu conjunto espalhafatoso e fetichista, vide os trajes com mamilos e closes nas partes íntimas de George Clooney (Batman) e Chris O'Donnel (Robin).

Apesar disso, Joel Schumacher teve filmes bons e cultuados na carreira: O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas (St. Elmo's Fire, 1985), Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987), Linha Mortal (Flatliners, 1990) Um Dia de Fúria (Falling Down, 1993), O Cliente (The Client, 1994), Tempo de Matar (A Time to Kill, 1996), 8mm - Oito Milímetros (8MM, 1999) e Por um Fio (Phone Booth, 2002).

Joel Schumacher também assinou o primeiro filme do Homem-Morcego após a despedida de Tim Burton, Batman Eternamente (Batman Forever, 1995). O rol de obras pouco elogiáveis de seu currículo inclui Em Má Companhia (Bad Company, 2002), O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, 2004) e Número 23 (The Number 23, 2007).

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