Em seu primeiro longa, Elio Petri elaborou um interessante retrato de toda indiferença e hedonismo que tomavam conta da sociedade italiana no boom econômico do pós-guerra. Bom filme!
As idas e vindas da memória do protagonista são um pouco cansativas, e o que segura mais a atenção é o desempenho de Mastroianni, sempre oferecendo um novo matiz a cada personagem. No mais, pouco interessa a desventura amorosa de Alfredo e a dúvida sobre o que realmente aconteceu no seu caso segue no ar depois da última cena.
Mastroianni, antes humilde, enriquece como pretensamente intelectual antiquário na sociedade das aparências. A tormenta causada pela investigação policial fá-lo refletir e chega a humanizá-lo. Mas, mesmo no final, seu lado mulherengo continua.
Não sabemos em nenhum instante a verdade. Durante a dúvida, vamos conhecendo um personagem com seus defeitos morais e suas reflexões. Por fim, temos a redenção e depois tudo retorna como no começo, e temos finalmente, um bom filme.
Econômico e direto,esse simples aspecto o torna muito interessante.Envolve rapidamente e cai como uma luva no estilo Mastroianni.
Belo uso dos flashbacks,chegam de repente,são exatos,funcionam certinho.
Cena final sensacional.