A Idade de Ouro não é um bom filme, longe disso, é mais uma eficiente marca de estilo, um produto de vanguarda que se comunica mais com o autor do que com quem o assiste. Aqui o surrealismo de Buñuel e Dalí estão em seu estado mais radical, mais livre para interpretações, ou para a falta delas. A linguagem surrealista aqui, parece estranhar o cinema, ou mesmo se afastar desse, na medida em que se transforma em algo incomodante e literalmente incomunicável. Aqui o surrealismo fala mais que a linguagem fílmica.
Posteriormente, o fazer cinema de Buñuel viria a ser mais aprimorado, o roteiro também teria vista, junto ao surrealismo, atenuado mas sempre presente. Parece que Lynch segue uma mesmo caminho em sua filmografia. Certo, sem dúvida, é que a mistura de arte conceitual e cinema, principalmente através de Lynch e Buñuel, foi - e é - algo complexo, de reações adversas e que podem desagradar até o mais fanático dos cinéfilos. Se filmes difíceis são para poucos, esses "incomunicáveis" são menos ainda.
A Idade do Ouro é muito mais que um surrealismo sempre presente, instigando quem assiste, há a marca indelevel de Buñuel no que remete à crítica a classe burguesa, bem como à Igreja católica, ambas tão presentes na Espanha em que ele vivia. Aqui, há também um erotismo visível, algo totalmente desconfortante para o status quo da época.
Uma obra vanguardista e única, embora quase não exista um roteiro interessante de se analisar, A Idade do Ouro é um marco para o cinema e para as artes em geral, é o primeiro longa metragem de Buñuel, e é o filme em que, do nada, surge uma vaca na cama de uma personagem do filme. Isso hoje já é algo no mínimo inusitado, não obstante polêmico, imagine no Entre Guerras, lá nos anos 30, sem dúvidas, por isso, os locais onde foram exibido o filme foram duramente atacados à época de sua exibição.
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