Haneke imprime uma visão particularíssima a sua obra, em um instigante estudo de caso sobre a violência e os instintos juvenis.
Das weiße Band (A Fita Branca), trilha um caminho que é só seu, que reside em trabalhar determinado período histórico de uma maneira até distanciada daquilo que corriqueiramente possa se imaginar. O que Haneke parece querer nos mostrar é que a violência e toda a barbaridade de uma guerra pode ser até infrior aquelas situações limites que surgem no dia-dia, que o mal é algo para além de um palco de guerra, ele está arraigado na própia existência humana.
Em sua direção, Haneke optou por trabalhar seu filme sob o ponto de vista de um personagem, o professor do coro de crianças e jovens da escola local; esse personagem, já velho, lembra dos eventos ocorridos na calma cidade em que morava no interior da Alemanha, às vesperas da Primeira Guerra Mundia. Nesse sentido, o diretor trata de criar toda a imagética do filme sob esse personagem, é ele que fala, já que vivenciou. Com isso, o leque de possibilidades criativas do filme se resume apenas ao que fala o professor, tal como um diário, Haneke faz o cinema, seu personagem tem o roteiro. Tanto o é, que, muitas são as vezes, o diretor posiciona sua câmera distante dos personagens, quando esses demonstram alguma particularidade que estivesse além do conhecimento do professor. O filme transita em uma linha tênue de investigação do qual Haneke parece apenas acompanhar, no qual nós somos apenas espectadores ansiosos por saber a origem daquele mal.
A história se passa em uma pequena cidade alemã, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, nela, estranhos acontecimentos pertubam a calma do lugar, Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico, um celeiro é incendiado, duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição.
O roteiro, que foca a visão/rememoração do professor do coral da cidadel, focaliza com atenção o papel das crianças nesses episódios. Todas elas, são atuantes naqueles eventos, e não seria uma fita branca, que colocada como sinal de pureza por seus pais, que as impediria de serem culpadas ou vítimas, todos, adultos e crianças compõem o terrível quadro de horror que ali se instaura. A educação que aqueles jovens recebem parecem a, tão somente, atender a aspectos punitivos.
Privilegiando os longos planos e causando através de atitudes e imagens um sentimento de desconforto no espectador, Haneke direciona seu filme para um sentido que a guerra que depois chegaria seria, talvez, uma espécie de atenuante daquele clima macabro pelo qual passava aquela cidade, já que mudaria o foco de preocupação - de vítimas e culpados.
A fotografia em preto-e-branco aliada a uma agonizante trilha sonora encaminha o conjunto da obra para esse clima pesado de que a obra farda. Mas além, Haneke tira de seus atores consisas atuações, sobretudo do conjunto de crianças escaladas.
Sem atenuar, nem exagerar, o certo é que "A Fita Branca" carrega um espírito de cinema que é só seu, e ainda que não seja uma obra-prima, e que careça até de uma maior ousadia, trata-se de um retrato pertubador sobre atitudes tidas como tradicionais. Um estudo de caso sobre costumes e violência.
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