Almodóvar não sabe se realmente faz cinema ou novela mexicana resumida em duas horas!
Abraços Partidos é o novo longa do aclamado diretor espanhol Pedro Almodóvar. O filme segue teoricamente na mesma linha perceptiva de "Fale com Ela": dramas humanos, com elipses temporais e surpresas no final. Como aquele, "Abraços Paridos" peca por não saber ao certo o tom necessário na composição do filme, seja pelos cortes abruptos, closes, movimentos de camera em tomadas típicas dos melodramas passados a exaustão nas noites do SBT, o filme de Almodóvar não revela nada de interessante.
Pobre Penélope Cruz, tem a melhor atuação do longa em uma personagem mesquinhamente construída, que parece não pensar, que é uma caricatura de mocinha rizível. Ao seu lado, atores fracos em interpretações estapafúdias: não dá pra suportar Lluís Homar como o centro da película através de sua interpretação de Mateo Blanco / Harry Caine, toda a história que Almodóvar cria em cime de seus personagens acaba em um resultado no mínimo ridículo. Idem Blanca Portillo - essa em doses insuportávelmente maiores, por incrível que pareça -, destacando-se negativamente, também, Tamar Novas (Diego) e José Luis Gómes.
Há 14 anos, o cineasta Mateo Blanco sofreu um trágico acidente de carro, no qual perdeu simultaneamente a visão e sua grande paixão, Lena. Sofrendo aparentemente de perda de memória, abandonou sua persona de cineasta e preservou apenas sua faceta de escritor, cujo pseudônimo é Harry Caine. Um dia, Diego, filho de sua antiga e fiel diretora de produção, sofre um acidente, e Harry vai em seu socorro. Quando o jovem indaga Harry sobre seus dias de cineasta, o amargurado homem revela se lembrar de detalhes marcantes de sua vida e do acidente.
Todo o roteiro, com seus pseudo-surtos de cinefilia, bem como Trilha Sonora, Edição, o filme todo parece se compôr de equivocos grosseiros, que para além da dúvida cabal sobre do que fala um filme visívelmente tão humano resta uma outra questão: Como esse filme veio concorrer em Cannes?
Ao final dos não cansáveis - de fato, o rítmo novelesco ajuda no escapismo, os cortes e elipses temporais abruptos ajudam no decorrer do filme - 127 minutos de filme, chego a confirmar que a julgar pelos ditos "grandes" filmes de Almodóvar, não me convenço ser ele tão original e competente diretor. Até vá lá que dois ou três planos sequência me encante - quiça pela presença de Penélope -, convenço-me ainda mais de que lugar de bons roteiros é na França, e de bons atores na Itália, na Espanha? Temos Buñuel e Víctor Erice, e esses bastam.
Todo sobre mi Madre e La Mala Educación desepecionar-me-ão?
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