Para quem teve a infância marcada pelo anime Cavaleiros do Zodíaco, um pouco de medo e alegria foram os sentimentos aflorados quando os primeiros rumores de um novo longa-metragem surgiram. Ao saber do que se tratava a trama, o receio ficou maior que a excitação. Ora, transformar uma saga inteira que possui 73 episódios em um filme de 90 minutos não era uma tarefa fácil. Mas durante toda a produção e especulação do que poderia se tornar o novo filme, os fãs esperaram ansiosos. Uma pena, pois a espera não valeria o esforço.
A história, baseada no mangá de Masami Kurumada, nos leva a conhecer Saori Kido, que acredita ser a reencarnação da deusa Athena e que possui cinco cavaleiros de bronze que são treinados desde a sua infância para protegê-la. O grande desafio já estava previsto a partir de seu nascimento: quando completasse dezesseis anos, ela descobriria sobre a sua verdadeira origem e então os cavaleiros deveriam auxiliá-la a retomar o seu trono no Santuário, o que a faria retornar à função de protetora da Terra. Quando eles finalmente chegam ao Santuário, os cavaleiros de Athena, liderados por Seiya, devem passar por doze casas, as casas do Zodíaco, e enfrentar nelas os seus cavaleiros de Ouro correspondentes.
O filme já começa com uma inovação, movendo do clássico anime para uma animação em CGI, o que acaba não sendo necessariamente uma parte ruim. A animação é o que mais chama atenção positivamente no longa, pois ela dá uma nova roupagem aos cavaleiros (algumas muito boas e outras péssimas) e também deixa de lado as ruínas do Santuário presentes no anime para transformá-las em algo mais sombrio e bem mais futurista, mesmo que com resquícios de um medievo (o que poderá gerar controvérsias entre alguns fãs mais xiitas). Aqui, a semelhança visual com Final Fantasy é gritante.
O roteiro não dá brechas para conhecermos a fundo nenhum personagem e suas reais motivações. Não há um propósito claro durante o longa, somente a máxima “devemos proteger Athena”. Nada é explicado, nada é detalhado. É esclarecido a Saori logo no início a respeito de sua origem, porém a personagem só irá se motivar e entender o real significado de tudo – o que era para ser construído em noventa minutos – na última cena. Os personagens Shiryu, Shun, Hyoga e Ikki são reduzidos a nada, transformando-se em meras sombras de Seiya. A batalha das doze casas é diminuída e personagens interessantíssimos e importantes como Shaka, por exemplo, são deixados de lado. Um dos personagens mais intrigantes do anime, Máscara da Morte, é transformado em um bufão completamente sem graça. Toda a mística a respeito da morte e das almas que o envolvia foi desfeita aqui, sobrando apenas uma caricatura. O filme peca muito em tentar colocar tantos personagens fortes e complexos juntos, reduzindo totalmente a força que este poderia ter.
O que parecia não poder piorar se torna constrangedor: a trilha sonora. Está fora de lugar e não capta o espírito de nenhum momento do filme, seja ele dramático ou de ação – isso sem mencionar a embaraçosa música cantada por Máscara da Morte. Tudo isso estende-se até chegar ao clímax extremamente incoerente. Um vilão com motivações que não são esclarecidas, pelo fraco roteiro, e que se transforma em um monstro de pedra que nada tem a ver com a história original.
Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário é um filme que tenta angariar novos fãs para a saga e também agradar os fãs antigos. Porém, falha em ambos os objetivos. Novos espectadores ficarão com a sensação de uma história rasa e sem muitos detalhes e os antigos se frustrarão com a falta de informações, papel de personagens importantes reduzidos a pó e a nova roupagem dada a alguns deles. Um longa-metragem que poderia ter sido ótimo, mas vai acabar conhecido como uma obra desnecessária que não deveria ter saído do papel.
Publicado originalmente em: www.portalcritico.com/2015/02/critica-os-cavaleiros-do-zodiaco-lenda-2014.html
Certamente eu fiquei satisfeito com o resultado, tendo em mente personagens complexos e uma trama desenrolada em várias horas. Contar toda a historia em 90 minutos não tem como deixar varias lacunas abertas (isso apenas para os novatos) pois a geração de 80/90 faz uma complementação mental instantânea para as cenas sem explicações. Para o que foi proposto, foi aceitável. Mas na minha opinião essa historia deveria seguir a tendência atual de trilogias, cada filme com 2 ou 2,5 horas cada. Com umas 7 horas (trilogia) para contar essa historia, daria para enriquece-la muito. É o mesmo que fazer um filme dos senhor dos anéis em 90 minutos... iria revoltar todos os fãs. A mudança gráfica para CGI ficou ótima! Adorei.
Resumindo... A ideia e o resultado foram bons para um filme de 90 min.
O GRANDE ERRO FOI DEFINIR O PROJETO PARA OS TAIS 90 MINUTOS.
Vejo isso como um projeto piloto para ver a reação do publico. Acredito que agora eles podem usar todos esses novos recursos e criarem minisséries