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Críticas

Cineplayers

Episódio I – Sem Spoilers

8,0
Escrever sobre Star Wars nunca é uma tarefa fácil, pois envolve tantas variáveis que fica difícil controlá-las. Aqui, no Cineplayers, teremos pelo menos duas análises sobre Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força; uma minha, totalmente sem spoilers, e outra de Bernardo Brum, comentando mais a fundo o tanto de coisa que merece ser comentada desse episódio.


Começar uma nova trilogia parecia desnecessário, afinal, a Disney havia acabado de comprar a LucasFilm e o quase imediato anúncio de três novos filmes soava prematuro demais para significar algo além de lucro fácil. Ela havia acabado de adquirir os direitos de Star Wars e já estava anunciando uma nova saga?

Bom, pensando melhor, a Disney tinha créditos e sabíamos disso. Os filmes da Marvel só decolaram depois que a empresa foi adquirida por ela. Toy Story 3, anunciado com a mesma desconfiança depois da Disney comprar a Pixar, é o melhor da trilogia. E os anúncios subsequentes à compra da LucasFilm pareceram cada vez mais animadores: o anúncio de J. J. Abrams empolgou e é fácil saber o porquê; salvou a franquia Missão Impossível de entrar no limbo, realizou uma bela homenagem aos filmes dos anos 80 com Super 8 e apresentou toda a franquia Star Trek a uma nova geração. O diretor fez alguns vlogs mostrando a produção de Star Wars, como estava tratando tudo como nos anos 80, fazendo mais efeitos visuais e menos digitais sempre que possível; parecia realmente conhecer onde estava metido e respeitar os fãs e princípios jedis, até o primeiro trailer sair e parar a internet. Sim, Star Wars estava em boas mãos.

Com o lançamento do filme, muito se confirmou. O universo foi expandido. Agora podemos ver rastros de batalhas espalhados pelos planetas, algo que a tecnologia dos anos 70 não permitia. A viagem clássica da série agora também pode ser vista por dentro da nave e em diversas novas perspectivas. As batalhas ficaram maiores, mais espetaculares e muito mais movimentadas. Não são apenas as naves que explodem, mas tudo o que está em volta sente o peso do conflito também.

Aproveitando-se dessa expansão, diversos momentos ajudarão a construir o clima Star Wars de ser, nos auxiliando a entrar naquele universo, retomando o que havia sido perdido com a frágil trilogia política comandada por Lucas nos anos 2000 (99 já é quase 2000, vai, dá um desconto). Abrams tem bom gosto e é um excelente compositor de imagens, então espere por momentos de tirar o fôlego, mesmo que nada significante esteja acontecendo em tela. É o cinema beleza de contemplação. Além de tudo, ele quase parece entender melhor o que Star Wars se tornou com o tempo do que seu próprio criador, o que é uma ironia incrível.

O filme é empolgante, épico, lotado de reviravoltas e perguntas ainda não respondidas, mas não perfeito. Algumas decisões são questionáveis: o uso do sabre de luz beira o ridículo, o final é um pouco corrido e talvez a maior reclamação de todas, o filme parece muito com Uma Nova Esperança, quase que como uma refilmagem para a nova geração do que um filme totalmente novo. Fica difícil enxergar a linha que separa a homenagem do medo de inspiração. Não diria que respeita demais a trilogia clássica, mas que recria demais suas referências.

Agora, há também muitos acertos. Star Wars sempre foi sobre a família, os conflitos e tudo o que pode unir e separar seus membros. O Despertar da Força usa muito bem esse mote ao contar sua nova história, apresentar os novos personagens – todos, sem exceção, são excelentes – e dar um pontapé inicial a toda uma nova geração disposta a venerar Star Wars além dos velhões que irão levar os filhos e chorar junto com eles. Prepara-se para aplaudir momentos épicos, aparições clássicas e muito mais. Star Wars não é só um filme, é o ápice da cultura pop que podemos ter em uma sala de cinema, é um evento que merece ser curtido em massa, com quem também gosta daquilo.

Finn é um personagem sensacional e Adams acerta em cheio ao introduzi-lo à história de maneira sutil e, com poucas cenas, passar muita informação sobre ele. A marca de sangue na máscara é um recurso genial, sutil, poético e eficiente. Já Poe, o melhor piloto da Resistência, tem uma função realmente importante na história e funciona em todos os momentos, humanizando aqueles pilotos de laranja tão famosos da série que só serviam antes como números nas batalhas grandes. E Rey, mulher forte e de atitude, não é apenas uma das melhores personagens da série como tem papel fundamental no desenvolvimento de toda essa nova trilogia. O que todos têm em comum? Cinematograficamente falando, funcionam dentro da proposta, são bem apresentados e combinam com o que está em tela, o que é ótimo para o filme. Socialmente, representam minorias que estão conquistando espaço no nosso mundo real: um negro, um latino e uma mulher. Isso é lindo de se ver.

É engraçado também notar como a parte mecânica de Star Wars também acaba sendo um personagem a parte. BB-8, o novo robôzinho carismático da turma, é extremamente divertido, convence por ser uma bola e andar muito mais rápido do que seus semelhantes setentistas, além de ter momentos icônicos tanto engraçados quanto emocionantes. É, de fato, um dos maiores nomes do novo filme. Isso é expandido para as naves, que de tão clássicas, arrancam aplausos quando aparecem, modernas, rápidas e perigosas.

E aí temos o novo vilão, Kylo Ren... Vale dizer que ele não se limita a imitar Vader, como os trailers sugeriam. Para ser sincero, mesmo que não tenha a mesma presença e poder, é muito mais profundo do que Vader. Seus ataques de fúria são sensacionais, seu desenvolvimento é fantástico e a profundidade que o personagem ganha ao descobrirmos mais sobre ele deixa tudo mais interessante e aberto a discussões. É alguém que já é marcante para a franquia, vilão imprevisível e que busca algo realmente. De ruim, seu tema é muito fraco e nem de perto será lembrado como a Marcha Imperial é. Gostaria de comentar mais a fundo o personagem, o porquê de ter gostado tanto dele, mas prometi uma crítica sem spoilers. :)

O que é, então, Star Wars O Despertar da Força? Um filme muito divertido – a comédia, assim como está na moda, pontua todo o filme e ajuda a aliviar a tensão -, que abre muito mais portas do que as fecha, que apresenta bem a galáxia a uma nova geração e que, principalmente, resgata a quase religião Star Wars de ser que o próprio Lucas deu margem para questionarem. Transita, ali, entre os melhores episódios da franquia, mas, principalmente, deixa muito espaço para que coisas boas venham em um futuro não tão distante assim.


CUIDADO COM OS COMENTÁRIOS ABAIXO, ELES PODEM CONTER SPOILERS.

Comentários (69)

MARCO ANTONIO ZANLORENSI | quarta-feira, 06 de Janeiro de 2016 - 16:05

Bem senhores, quando a Disney se envolve com algo é isso que acontece, até achei que o modelo Disney de ser não aparece tanto no filme, J.J. foi uma boa escolha, o trabalho não era fácil, o objetivo maior aqui era um link convincente entre a velha e a nova geração, e despertar o interesse para as futuras gerações, no meu ponto de vista eles conseguiram isso.

Alexandre Koball | sábado, 30 de Abril de 2016 - 21:41

Apesar da bilheteria monstruosa e de ser muito divertido, não chega nem nos pés da trilogia original e fica aquém da trilogia prequel. Um filme para a nova geração de crianças, uma pena.

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