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Mindhunter

(Mindhunter, 2017)
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Críticas

Cineplayers

Crítica - Mindhunter - 2ª Temporada

8,5

Baseado no livro de 1995 escrito por John Douglas e Mark Olshaker Mindhunter: Inside the FBI's Elite Serial Crime Unit, a série Mindhunter chegou em 2017 com Joe Penhall (A Estrada) levando os créditos pela criação e roteiro dos episódios, mas com outro nome forte na produção executiva e na direção de vários episódios: David Fincher, o cineasta por trás de clássicos recentes como Se7en - Os Sete Crimes Capitais e Zodíaco.

Logo a série arrebatou crítica e público ao recriar a experiência de Douglas como agente do FBI - na série representado pelo personagem Holden Ford - que, ao lado de sua equipe, criou método para a captura de assassinos seriais com uma abordagem curiosa: indo até a fonte. Horas de entrevistas com criminosos violentos presos acabaram por criar métodos para perseguir perfis criminosos.

Agora, o novo ano vem com a missão de continuar no nível - ou quem sabe superar - o primeiro ano e revelações como a performance de Cameron Britton (The Umbrella Academy) como o psicopata da vida real Ed Kemper. E o segredo encontrado pela produção é investir e ampliar justamente no que deu certo. Agora Fincher dirige três dos nove episódios, com mais dois comandados por Andrew Dominik (O Homem da Máfia) e os últimos quatro por Carl Franklin (House of Cards), com cada um dando sua ótica particular dos acontecimentos dessa temporada, que envolve os métodos sendo usados nos assassinatos de criança em Atlanta e em entrevistas com assassinos ainda mais notórios, como David Berkowitz, o Filho de Sam (Oliver Cooper, de Projeto X) e Charles Manson (Damon Herriman, que também interpreta Manson em Era Uma Vez em… Hollywood).

O início de Fincher dá o tom para o clima calculista da temporada que pretende desarmar seus protagonistas de suas convicções em suas vidas pessoais. O controle cênico econômico sabe segurar até o último minuto para desarmar Ford ao final do primeiro episódio, por exemplo. Outros momentos, como o prólogo do primeiro capítulo, a conversa cheia de subtextos que desarma o Filho de Sam como um grande marqueteiro vaidoso e não um possuído por espíritos, são grandes exemplos da habilidade de Fincher em tirar corpos estranhos de narrativas convencionais.

Já Dominik parte daí com seu olhar extremamente artesanal para comandar sequências sustentadas por si só: ele quem filma a passagem onde Herriman performa Manson em um dos momentos mais impactantes da temporada. O agente Bill Tench está com o espírito quebrado por conta de um incidente envolvendo seu filho; Holden está fascinado pela figura criminosa mais notória do século XX. Enquanto promove os famosos rompantes de Manson, Herriman é enigmático, filmado de longe, com a câmera vendo de baixo o tamanho de sua influência nefasta. Nós sabemos que é culpado… Mas também é convincente. Quase chegamos a acreditar em sua versão e seus motivos. É o que Mindhunter sabe fazer de melhor.

O arco que envolve a perseguição ao suposto assassino de crianças negras em Atlanta (que a polícia local acredita serem múltiplos assassinos ou até mesmo ação da Ku Klux Klan) é dirigida por Carl Franklin tal qual sua experiência em House of Cards e Homeland: o “killer thriller”, suspense sobre assassinos, se torna um suspense político. Holden e Tench tentam descobrir o assassino de maneira exaustiva, às vezes até patética, mas sempre cansativa, subindo e descendo cada viela de Atlanta, vigiando cada ponte, indo contra os interesses do governador, do comissário, dos seus superiores e por vezes até mesmo das mães das vítimas. Vitória é até possível, mas sempre vem a um custo, e seus personagens não têm que se conformar com o que querem - mas com o que conseguem.

No final das contas, Mindhunter continua muito convincente em seu objetivo sobre desmontar a concepção do assassino serial como um monstro externo, e sim sobre um monstro que leva nossos piores sintomas a um limite simbólico distorcido. Com várias narrativas desconfortáveis baseadas em apenas imagens, onde o escopo do cinema de mostrar sua narrativa é invertido: aqui se conta mais do que se mostra, e nossa imaginação faz parte da investigação, notando como o que se diz afeta o que se vê, em um dos jogos cênicos mais interessantes do audiovisual recente. E é justamente por tais fundamentos tão sólidos que Mindhunter continua tão forte assim e segue sem sinais de cansaço em seu novo ano: se repete sem cansar e amplia sem se trair.

Comentários (1)

Ianh Moll Zovico | sábado, 31 de Agosto de 2019 - 00:48

Já que estão fazendo críticas de séries, poderiam fazer a crítica da série The Boys, aproveitar que tá no Hipe.

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