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Jersey Boys: Em Busca da Música

(Jersey Boys, 2014)
7,7
Média
146 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Seja bem-vindo de volta, tio Clint!

8,0

Estranhezas positivas cercam essa nova obra do tio Clint Eastwood. A mais óbvia tem a ver com o retorno do fôlego desse "jovem" de 84 anos, que há alguns anos (e filmes) se encontrava desaparecido, perdido entre escolhas equivocadas e uma não-percepção de qual eram seus reais motes, em cada projeto em particular e na sua carreira como um todo. Lógico que hoje tudo isso parece menor tendo em visto o retrospecto de acertos constantes; ainda bem, ficou pra trás. Uma segunda estranheza se faz pelo fato de Eastwood sempre ter abordado entre seus temas os laços de afeto, amizade, companheirismo, pessoais e/ou profissionais, e ainda não ter tocado de forma efetiva num "filme de máfia". Pois bem, isso também ficou pra trás: Jersey Boys: Em Busca da Música (Jersey Boys, 2014) é um 'mob movie' com a cara e o coração de Eastwood.

Além desses dois aspectos importantes, ainda causa o mesmo sentimento quando se atenta que seu novo filme é isso tudo, mas também é uma adaptação de um musical (nível consagrado com Tonys!). Mas é assistir ao filme e constatar como o diretor e o roteiro dos mesmos dramaturgos resolvem bem esse "problema" - além disso, não podemos esquecer a bela trajetória de Charlie Parker que ele já tinha entregue há 25 anos atrás, como o premiado Bird (idem, 1988).

Talvez Jersey Boys represente mesmo um Eastwood que parecia esquecido no meio das últimas equivocadas biografias e 'retratos sobre a velhice' (outro tema recorrente e caro a ele); um Eastwood de reconexão com uma simplicidade (vejam só, isso num musical - em tese) e um coração que pareciam esquecidos, quase descartados desde Gran Torino (idem, 2008). Aqui ele parece de novo à vontade e relaxado, no comando real de seus signos e suas raízes, essas então como talvez muito tempo não estivesse.

A juventude e suas parcerias que desembocam num futuro pela qual somos tragados e nada consultados; é isso e acabou, aceite - parece dizer a vida, muitas vezes. Eastwood respeita e acata essa decisão aqui, através do ótimo roteiro na qual o eficiente elenco mantido da adaptação teatral contribui e nele reverbera, com a experiência de atores que já conhecem aqueles personagens de cor e salteado (atenção na adição de Christopher Walken entre eles, em momentos de puro brilho).

As decisões de narração múltipla também são um achado bacana e que tira da mesmice um filme que fácil poderia beirá-la, dando vigor e agilidade a um gênero por si só. Tecnicamente um filme discreto e muito eficaz, diria até preciso, Jersey Boys talvez traduza essa fase crepuscular de seu diretor da maneira mais perfeita possível, retirando o peso de suas produções recentes e assumindo uma bem-vinda leveza. Ao ler ironias e sacadas de roteiro com jovialidade (além de um real e sutil amadurecimento com questões que pareciam tabus, como a homossexualidade), Clint parece observar o futuro finalmente. Mesmo que ainda com os pés na nostalgia.

Comentários (13)

Rodrigo Giulianno | sábado, 05 de Julho de 2014 - 14:04

Rodrigo...filmaço
Seus amigos Régis Trigo, Vlademir Lazo e Bernardo Brum concordam.

Lucas Nunes | quarta-feira, 09 de Julho de 2014 - 20:46

J edgar que é um filmaço...[2]

Raphael da Silveira Leite Miguel | quinta-feira, 10 de Julho de 2014 - 20:57

Apesar da recepção morna, ainda lí boas críticas desse filme como essa. Tá certo que é o Carbone com sua crítica enxugada de sempre, mas pelo que eu andei lendo em críticas mais extensas, é isso mesmo. Bom ver o Tio Clint acertando mais uma vez!

Daniel Oliveira | segunda-feira, 20 de Outubro de 2014 - 12:22

Ótima crítica, Carbone. Parabéns! É realmente um ótimo filme de Eastwood, arrisco dizer que um dos melhores de sua bela carreira na direção.

Também escrevi uma crítica do filme para o meu blog pessoal. Se alguém tiver curiosidade em conferir, segue o link 😉
http://www.cinefiloemserie.blogspot.com.br/2014/10/critica-jersey-boys-em-busca-da-musica.html

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