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Hora da sua Morte, A

(Countdown, 2019)
4,4
Média
13 votos
?
Sua nota

Críticas

Cineplayers

Hora de tédio

0,5

Há um crescente interesse, de público no geral e de produtores no particular, no cinema de gênero. Enquanto negócio, há o retorno relativamente facilitado pelos custos não excederem quantias astronômicas e sua busca pelo consumidor final ser garantida; enquanto provedor de reflexão e debate, o cinema de gênero sempre foi uma porta garantida de metáforas acertadas sobre o estado das coisas social. O diretor Dec se propôs a entreter quase única e exclusivamente - e não há qualquer mal nisso - ao focar sua narrativa num aplicativo de celular que aponta com exatidão o dia e a hora da morte de quem o instala.

Mas na ânsia de apontar uma relativa novidade tecnológica no cenário dos 'objetos amaldiçoados' que ceifam a vida dos personagens - como já o foram tábuas, bonecos, animais de todas as ordens e recentemente até um barco! - produtores e roteiristas estão apostando em modernidades sem qualquer atualização de funções, para reciclar os mesmos antiquados conceitos que tanto já embalaram produções de qualidade duvidosa por aí. Fica, na superfície, a clareza de não termos visto nada de novo adicionado a uma premissa 'antenada' e vazia, que provoca risos involuntários e nenhuma tensão.

A Hora da sua Morte segue esses personagens (especificamente o casal de protagonistas) que precisam achar um "antídoto" anti-app, se safar da morte e descobrir como tal maldição se desenrola. O manjado 'uma antiga bruxa/demônio/entidade em busca de vingança há séculos' de sempre é a resposta de um filme que não avança em nada das muletas do gênero. Apenas uma repetição de elementos versão 2020 para situações que podem até ser clássicas, mas que precisam ser reutilizadas com certo carisma e talento pela produção, nada visto por aqui.

Se tem uma classificação cinematográfica que é muito negativa à burocracia, esse é o terror. É necessária a vibração e a adesão do espectador para cada virada estratégica da trama, e se a opção dentro do gênero é apenas servir a plateia, que cada elemento funcione dentro dos moldes de emoções baratas esperados. Abusando de 'jump scares' que nunca funcionam, a produção se torna refém de efeitos típicos de sua constituição, aqui esvaziados de sua funcionalidade prática; sustos que não assustam, tensão mal construída, ou seja, um produto que se trai até no que se propõe.

Dramaticamente é um filme estéril. Trai seu próprio conceito para que o roteiro encontre soluções fáceis, inúmeros personagens são largados pelo caminho (incluindo os dois melhores, um balconista de uma loja de celular e o padre moderno e engraçado - que não é um tipo original mesmo assim, óbvio), lento ao construir suas ideias que acabam por não surpreender os espectadores, e um elenco que não tem muito a fazer diante de tantas inconsistências e desarranjos. Sem uma assinatura ou tratamento gráfico, A Hora da sua Morte não cria uma motivação em sua narrativa ou seu artesanato que provoque alguma reação mais orgânica que não a apatia.

A bordo de um circuito como o nosso, que tem recebido filmes de gênero quase semanalmete, apostar em um título descartável e superficial como esse não contribui para nenhuma discussão possível, nem qualitativa nem a respeito do mercado como um todo. A Hora da sua Morte, que teve sua estreia adiada por aqui, talvez só se valha como observação dos meandros desse mesmo circuito, que abre mão de indicados ao Oscar e vencedores de festivais internacionais, além de filmes de caráter popular (cadê Queen & Slim e Good Boys?), para receber produções tão vazias.

Comentários (2)

Alan Nina | sábado, 29 de Fevereiro de 2020 - 16:48

Uma máquina de críticas!!

Robson Oliveira | quarta-feira, 24 de Junho de 2020 - 10:24

Não assiti, mas é tão ruim assim? Kkk tinha até esperança de ser pelo menos um suspense +ou-

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