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Casal Improvável

(Long Shot, 2019)
6,3
Média
13 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Diferente, porém previsível

6,0

Nome original da obra em questão, “long shot” é uma expressão americana que expressa a dificuldade de algo acontecer. O que parece ser um fascínio particular do ator Seth Rogen, haja visto o tanto de comédias que atua que envolvem o elemento do contraste - Ligeiramente Grávidos surge como o exemplo mais óbvio, mas Pagando Bem, Que Mal Tem?, Vizinhos, Paul - O Alien Fugitivo, Tá Rindo do Quê? e outros engrossam as fileiras. Também não há como negar que por conta de papéis como em Monster - Desejo Assassino, Lugares Escuros, Mad Max - Estrada da Fúria e Atômica, que Charlize Theron despontou no século XXI como uma das atrizes mais inconformadas com o “typecasting”, ou escalação de tipos na grande indústria.

Reflexo disso pode ser visto em Casal Improvável, novo filme de Jonathan Levine, conhecido pelas comédias como Meu Namorado é um Zumbi, Viagem das Loucas e Sexo, Drogas e Jingle Bells e pelo drama 50%. Casal Improvável é a comédia romântica de sempre, mas virada de pernas para o ar: Seth Rogen é Fred Flarsky, um jornalista que sempre está atrás de manchetes investigativas perigosas que vive o pior momento da sua carreira após se demitir do jornal local, comprado por um grande conglomerado de mídia. Convidado pelo amigo Lance para uma festa da alta roda, acaba conhecendo Charlotte Field, atual Secretária de Estado dos EUA, e também ex-babá do protagonista.

De início, o filme pode parecer uma versão politicamente incorreta de histórias como A Princesa e o Plebeu, mas isso logo se desmancha quando vemos que na verdade os clichês típicos da comédia romântica são invertidos para jogar a favor do filme. O homem de maneiras rudes e compromisso com a verdade não tem paciência para joguetes políticos e justamente por isso é desprezado pelos colegas de trabalho de Charlotte, que o contrata como redator de discursos e pouco após inicia um relacionamento com ele. E, é claro, a personalidade dele e as pretensões da outra entrarão em rota de colisão.

Dirigindo Rogen, Levine faz tudo o que esperaríamos de um filme do “clã Apatow”, ou seja, o tipo de humor que consagrou o cineasta de O Virgem de 40 Anos e seus atores fetiche: personagens adultos que se comportam como crianças explorados através de um humor verbal que circunda ao redor de escatalogia, sexo, uso de drogas e referências culturais. Humor funcional, porém redundante: é inegavelmente engraçado e confortavelmente ofensivo, mas tal humor se insere em uma fórmula já desgastada e previsível. É fato que mesmo esse tipo de humor que pretendia subverter a comédia romântica já começa a denotar um certo cansaço, com os filmes do filão ficando cada vez mais genéricos e menos distinguíveis entre si.

Como protagonista, Charlize Theron mostra mais um exemplo de sua versatilidade dramática. Na figura de Charlotte , Theron sabe como fazer uma personagem que responde à pressão de maneira por vezes atrapalhada, por vezes firme e até mesmo desvairada, como nos pedidos que faz para o namorado na cama que desconcertam o próprio ou quando tem de lidar com um sequestro logo após sair de uma festa, completamente chapada e com serpentina nos cabelos. A atriz sabe defender um ótimo clímax, sacramentado a condição de romcom invertida e mulher fazendo escolhas pelo amor ao invés da típica figura do homem que tem de se resolver. É uma personagem inegavelmente bem escrita, com personalidade forte mas também complicada, longe da idealizada figura feminina que esse tipo de filme trabalha.

Enfim, é um filme que pode ser acusado de ser mais do mesmo: água com açúcar e um pouquinho de pimenta. Seth Rogen é como um cantor de uma música só e Levine sabe encenar o politicamente incorreto de maneira inofensiva o suficiente para a sessão “valer a pipoca”, como dizem. Theron acrescenta algo diferenciado, mas não completamente para sair do marasmo. Um filme para quem ainda não se saturou de cartilhas e clichês.

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