Eu nunca havia ouvido falar da diretora espanhola Isabel Coixet e após assistir a esse seu mais recente filme a primeira coisa que me veio a cabeça foi: Antes tarde do que nunca!
É meio impossível não se sensibilizar com a história e isso se deve principalmente à maneira como ela foi contada por Coixet, sem esquecer, é claro, do bom trabalho do roteirista Nicholas Meyer ao adaptar o livro de Philip Roth.
David Kepesh(Ben Kingsley) é um professor universitário e crítico cultural prestes a alcançar a terceira a idade. Ele considera as mulheres como um mero objeto de prazer. Isso muda quando David conhece sua aluna Consuela Castillo(Penelope Cruz). Enredo com potencial para gerar vários clichês, certo? Mas não é bem assim.
O que poderia se transformar numa metralhadora de lugares comuns, vira, na verdade, um estudo honesto sobre o ser humano e sua relação com os outros. David é um cara que possui um ar sábio e que transmite uma segurança impressionante, mas a diretora Coixet sutilmente mostra que atrás dessa barreira existe um homem preocupado em envelhecer e que depois de começar o relacionamento com sua ex-aluna Consuela, 30 anos mais jovem, entra num processo de involução. Desconfiança, ciúmes, medo do que as pessoas pensam a respeito de um cara que namora uma mulher bem mais jovem, posessão. Coisas que provavelmente nunca preocuparam David acabam por atormenta-lo 24 horas por dia. Será que é amor? Será que ele está preparado para assumir um compromisso?
Ah, sim. O filme tem uma reviravolta um tanto inesperada que cria mais argumentos para uma discussão cujo tema principal é a vida e que dá uma boa oportunidade para Penélope Cruz se destacar.
O legal é que FATAL não é um filme feito com o propósito de arrancar lágrimas ou de agradar críticos, mas sim de apresentar uma história sincera, que jamais soa piegas, com o poder de nos fazer pensar sobre nós mesmos e sobre as decisões que tomamos.
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