Nunca acompanhei o seriado na televisão, mesmo sendo o sucesso que foi. Apesar disso, eu sabia quem eram os agentes Mulder e Scully e tinha razoável idéia sobre o que se tratava o seriado, mas, obviamente, meu conhecimento no geral é ínfimo. O bom é que posso analisar o filme por si só.
Não vou dizer que não gostei do que vi, Arquivo X: Eu Quero Acreditar funciona em boa parte do tempo, mas infelizmente ele possui certas falhas que o tornam aquele tipo de filme que jamais veríamos uma segunda vez. Conversando com um amigo que acompanhava o seriado, pude perceber que antigos fãs irão gostar muito mais da experiência.
O filme começa de uma maneira frenética. São duas cenas intercaladas. Numa cena vemos uma mulher chegando em casa, no meio da noite, num local ermo e na outra, já de dia, vários policiais procurando alguma coisa num grande espaço coberto por neve. Aos poucos descobrimos que essa mulher é uma agente do FBI e que ela foi raptada. Os policiais estão seguindo as indicações de Padre Joe - um suposto vidente - para encontrar uma pista da agente. E eles encontram.
O FBI vai precisar da ajuda de um especialista em assuntos paranormais para resolver o caso e o jeito é ir atrás do ex-agente Fox Mulder, que vive num tipo de exílio, já que estava fugindo do próprio FBI. Quem deve convence-lo a aceitar o trabalho é a Scully, que é medica em um hospital católico. Não demora muito e Mulder decide colaborar.
É evidente que o assunto mais interessante do filme é o Padre Joe e sua complexidade. É um padre com histórico de abusos de 37 crianças e que teoricamente recebe visões para ajudar outras pessoas. Infelizmente, os roteiristas Frank Spotnitz e Chirs Carter - que também é o diretor - preferiram utiliza-lo mais como uma ferramenta para a investigação do caso, que acaba sendo a razão de ser do filme. Diga-se de passagem, Arquivo X: Eu Quero Acreditar se transforma num filme policial com um enredo um tanto batido. Pelo menos, o padre e suas visões colaboram para discussões entre a cética Scully e o totalmente oposto Mulder. Os atores David Duchovny e Gillian Anderson demonstram uma boa química, o que é previsível, pois trabalharam juntos por mais de 9 anos. Gillian Anderson concedeu uma entrevista curiosa, na qual disse que pensava que seria muito fácil voltar a interpretar a agente Scully, mas que na verdade foi difícil reencontrar o tom da personagem.
Há uma subtrama envolvendo a Scully e um menino com uma doença terminal. Ela não é totalmente inútil, pois serve pra testar a fé de Scully, mas por mim nem precisava existir.
Outra coisa que me incomodou foi a insistência do pessoal do FBI em não dar crédito ao Padre Joe e suas visões, mesmo ele tendo acertado várias vezes. Só posso crer que isso tenha sido uma forçada de barra do roteiro para tentar surpreender o público com uma reviravolta posterior. Só tentar, mesmo.
Tecnicamente o trabalho é bem feito. A bela fotografia que explora toda a desolação que uma cidade do interior tomada pela neve pode provocar. Além do bom trabalho de edição que conseguiu criar um ar frenético em algumas cenas.
Pesquisando no google pude descobrir que existem dois tipos de episódios de Arquivo X: os que falam sobre ETS e teoria da conspiração, que são chamados de MITHOLOGY e os que apresentam um caso esporádico envolvendo algo sobrenatural, os chamados MONSTER OF THE WEEK. Se o diretor/roteirista Chris Carter escolhesse um episódio do tipo Mithology com certeza o resultado seria melhor. De qualquer forma, o filme me deixou com vontade de assistir ao seriado. Vai ser um empenho ir atrás das 9 temporadas, mas acredito que valerá a pena... ao menos, eu quero acreditar.
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