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O Espetacular Homem-Aranha
(Amazing Spider-Man, The, 2012)
Por Heitor Romero Avaliação:               7.5
A esperança de viver em um mundo livre de fraquezas.

A primeira reação de fãs, críticos e mesmo os desinteressado diante da notícia do lançamento de uma nova franquia de filmes sobre o Homem-Aranha – apenas cinco anos depois do encerramento da trilogia de sucesso comercial comandada por Sam Raimi – foi a de desconfiança e incerteza. Afinal, mesmo não sendo totalmente fieis à história original dos quadrinhos, os filmes de Raimi cumpriram bem com a proposta de reapresentar o personagem ao grande público e alçá-lo de novo ao sucesso entre os jovens, e no fim todos saíram relativamente satisfeitos. Portanto, um reboot parecia mesmo desnecessário – se não fosse por um pequeno detalhe: Marc Webb, e sua proposta de redefinir a imagem do herói eternizada pela cara de palerma de Tobey Maguire. Agora um pouco mais ousado em sua história – mas não a ponto de distorcer a mitologia original – Webb quis dar um ar mais sério e denso para o personagem, aproveitando a empatia que os filmes que Raimi já haviam estabelecido para com os espectadores.

Partindo da ideia de que os conflitos básicos e a premissa da história do Homem-Aranha – o garoto nerd e impopular na escola que é picado por uma aranha geneticamente modificada e passa a partir de então a desenvolver super poderes – já estavam bem esclarecidos na memória recente do público, Webb inicia seu filme a partir de um novo caminho. Usando apenas os conceitos gerais dessa trama, o diretor remodela sutilmente alguns detalhes e garante sempre um interesse do espectador. Apesar de a linha narrativa ser praticamente a mesma (o que inclui diversas referências aos filmes de Raimi), são esses pequenos detalhes modificados que fazem tudo ganhar um novo brilho.

Em O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012) há um mistério em volta da morte dos pais de Peter Parker (Andrew Garfield), a mocinha é Gwen Stacy (Emma Stone) e o primeiro vilão a ser detido é o Dr. Curt Connors/Lagarto (Rhys Ifans). E, mais importante de tudo, os conflitos pessoais de nosso heroi são um tanto diferentes daqueles abordados nos filmes anteriores. Se antes os poderes de Peter Parker eram vistos como uma espécie de bem humorada analogia sobre a dificuldade de todo adolescente em aprender a lidar com as mudanças em seu corpo e sua vida, agora esses mesmos poderes representam a chegada de uma responsabilidade gigantesca e inesperada, que o força a amadurecer e decidir encarar de frente os traumas do passado dos quais sempre procurou fugir. Saber lidar com esses poderes é importante para Peter aprender, por fim, a se livrar de seus próprios demônios e se descobrir como pessoa.

Na outra ponta temos o Dr. Curt Connors, grande amigo do pai de Peter e eternamente inconformado com sua deficiência física no braço direito. Para Curt, as fraquezas impedem as pessoas e, consequentemente, o mundo de alcançar a perfeição. Enquanto elas existirem, as pessoas nunca estarão completas – e não apenas fisicamente falando. Isso o move a desenvolver uma fórmula capaz de fundir genes animais e humanos, permitindo assim aproveitar as propriedades regenerativas do lagarto para curar sua deficiência. Claro que, apesar das boas intenções, tudo acaba fugindo de seu controle e a fórmula acaba transformando-o em um mutante incontrolável e perigoso. O preço que Curt acaba pagando pela sua plenitude física, pela cura de sua fraqueza, é o descontrole sobre o próprio corpo. Enquanto isso, o que Peter mais quer é saber como lidar com suas fraquezas físicas e emocionais sem que isso se mostre perigoso para as pessoas à sua volta.

O poder nas mãos de dois seres humanos comuns, e a forma como cada um canaliza e direciona essa nova capacidade, é completamente diferente. Peter deixa de ser um rapaz omisso e inseguro para se redefinir e aprender a tomar as rédeas de sua complicada vida, vencendo assim suas anteriores fraquezas e disposto a ir vencendo as outras. Curt, por outro lado, se torna obsessivo pela perfeição e deixa aflorar ainda mais suas fraquezas. No fim das contas, a grande mensagem que há no paralelo entre esses dois destinos – e no filme em geral – é sobre a esperança de todos em um dia conseguir descobrir sua força interior para vencer seus próprios medos e imperfeições. Claro que se trata de uma grande metáfora, e não é realmente preciso ser picado por uma aranha mutante ou se transformar em um medonho réptil para isso. 

Por conseguir se aprofundar um pouco mais na essência dos conflitos do Homem-Aranha – com a ajuda de um elenco muito mais carismático do que o dos filmes de Raimi, que ainda conta com Martin Sheen e Sally Field nos papéis dos tios de Peter –, Marc Webb abre portas para uma nova e promissora franquia em torno do super-herói, que com certeza servirá de complemento ao que vimos na antiga (mas não ultrapassada) e ainda trará à tona muitas histórias não discutidas pelo outro diretor. Trata-se, portanto, de um trabalho muito interessante no conceito, que promete fazer que o Dr. Curt tanto procurou fazer neste primeiro episódio – reparar fraquezas e continuar caminhando rumo à perfeição.

Por Heitor Romero, em 09/07/2012 Avaliação:               7.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 5.0
• Rodrigo Cunha 5.0
• Silvio Pilau 6.5
• Heitor Romero 7.5
• Rodrigo Torres de Souza 6.0
• Marcelo Leme 6.5
•  Média 6.1
Notas - Usuários
6.6 (372 votos)
Comente no Cineplayers (18)
Por Vinícius Oliveira, em 12/06/2013 | 15:27:08 h
Sou absolutamente contra o lançamento de novas franquias sobre um personagem já muito desgastado. Histórias contadas de formas diferentes contribui para um enfraquecimento da própria imagem do ser abordado. Em casos muito específicos, eu até concordo e apoio. A nova trilogia Batman, por exemplo, foi uma dádiva, apesar de Batman ja ter sido abordado no cinema por dois diretores diferentes, a franquia tinha chegado a tal ponto que, ou sepultavam o herói de vez, ou o remodelavam totalmente. Então após Joel Schumacher quase destruir o homem morcego com dois filmes patéticos e sem cabimento algum, Nolan nos presenteou com o melhor Batman de todos os tempos. O homem aranha, por outro lado, não precisava ser remodelado, pois pelo menos para o publico, ja havia sido aceito, sendo totalmente desnecessária uma nova visão sobre o aracnídeo. Acredito que daquí a algum tempo, o público se canse de suas peripécias acrobaticas!!!
Por Alan Principe, em 17/05/2013 | 03:04:04 h
É. Raimi 1x0.
Por Guilherme Dorea dos Santos , em 24/04/2013 | 09:54:24 h
o mistério em volta dos pais de petter é horrível, esse só serve como boa diversão, porem o que mais me incomodou foi que petter mostra pra quase todo mundo que é o homem aranha, e a cena em que ele revela o segredo para a namorada é ridícula e sem sentido logico
Por Caio Marinho Miqueri Nogueira, em 14/01/2013 | 15:37:38 h
O filme no geral é muito bom, mas pra variar... tem alguns detalhes que incomodam, como o modo com Peter é apresentado... ele não é o garoto nerd desajeitado, ele é um garoto apenas que não é popular, anda de skate... tem topete de galã, e encara valentões. E o Flash... acho que tem uma diferença entre valentão e retardado mental... valentão é um cara idiota que implica com os nerds e fica fazendo brincadeira idiotas com eles, agora ja ficar pendurando um cara numa mesa fazendo ele comer uma parada lá, com a escola toda olhando, já é exagero. E no meio do filme eles viram amigos??? Como assim? Ridículo, e alguém reparou que no dia seguinte da morte do tio Ben, a escola INTEIRA ficou sabendo e olhavam pra ele com dó? Como todo mundo ficou sabendo assim? E desde quando alguém como Peter conhece a escola inteira pra todos olharem pra ele daquela forma? Adorei o romance dele com a Gwen, a atriz ficou muito bonita e super carismática no longa, só achei que ela foi conquistada fácil de mais.
Por Rafael M. de Oliveira, em 26/11/2012 | 08:41:19 h
Não gostei. Tirando as cenas de ação (que achei bem legais, o cara parece uma aranha mesmo), achei ruim. Peter, antes mesmo de ganhar os poderes, ja é corajoso e vai pra cima dos "valentões" da escola. Sem contar o skate (!!!!!) que faz parecer que o personagem saiu de um dos caítulos da "Malhação". Toda aquela história dos pais do Parker nunca deram certo nas HQ's, e achei que não funcionou nas telonas também. E gostei muito mais do elenco da primeira trilogia.

Sou fã do Cabeça de Teia, então eu sou chato mesmo.
Por Luiz Fernando de Freitas, em 26/07/2012 | 15:28:46 h
Dei nota: 6,5.
Não tem a força e o carisma da trilogia de Raimi. O roteiro é fraco e insosso também. De bom apenas a dupla Garfield e Stone, que possuem uma boa química. O vilão não tem a presença de tela dos anteriores, além de ser unidimensional. As cenas de ação não empolgam como antes. Os efeitos não tem o mesmo impacto. Enfim, uma diversão rápida e descompromissada, no máximo!
Por Rafael W. Oliveira, em 24/07/2012 | 10:37:25 h
Também dei 7,0.
Por Victor Ramos, em 24/07/2012 | 02:32:34 h
Um bom filme.

Dei 7.0.
Por Felipe Laurindo Nunes, em 11/07/2012 | 13:03:51 h
Hmm... Me deu uma certa vontade de ver, parece que subestimei bastante esse filme.
Por Wellington Lima, em 10/07/2012 | 22:31:56 h
Concordo com a nota...
O Espetacular Homem-Aranha - 7,5
.
Homem-Aranha - 8,0
Homem-Aranha 2 - 9,0
Homem-Aranha 3 - 7,0
Por Samuel antao ferreira do nascimento, em 10/07/2012 | 11:32:00 h
Vontade de assistir = 0³²!
Por Raphael da Silveira Leite Miguel, em 09/07/2012 | 23:55:25 h
Também me decepcionei, o filme do Raimi é bem melhor no fim das contas. Claro que esse possui suas qualidades, como a fidelidade aos HQs, mas o resto fica devendo.

Não deixa de ser um bom filme comparado aos filmes de heróis atuais.
Por Jonas Pacheco, em 09/07/2012 | 21:44:12 h
Me decepcionei..no geral é divertido, mas os furos no roteiro subestimam a inteligência do espectador...Vale pra ver o Stan Lee
Por Vinícius De Vita, em 09/07/2012 | 21:10:33 h
Muito melhor que o filme do Raimi.
Por Matheus Viana, em 09/07/2012 | 15:11:45 h
Vontade de assistir = 0! [2]
Por Rodrigo Torres de Souza, em 09/07/2012 | 14:54:07 h
Heitor foi longe e muito bem em sua interpretação do subtexto proposto. Mesmo tendo achado o reboot cretino (apesar de divertido), cópia da trilogia anterior, adorei a crítica!
Por Rafael W. Oliveira, em 09/07/2012 | 10:34:03 h
Muito boa critica, Heitor. Fez jus ao filme, que no geral das contas, é muitro bom.
Por Alexandre Koball, em 09/07/2012 | 10:01:52 h
Vontade de assistir = 0!
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Ficha do Filme


 Espetacular Homem-Aranha, O
(Amazing Spider-Man, The, 2012)
• Direção:
- Marc Webb
• Elenco Principal:
- Andrew Garfield
- Emma Stone
- Rhys Ifans
• Sinopse: Peter Parker encontra uma pista que pode ajudá-lo a entender por que seus pais desapareceram quando ele era jovem. Sua trajetória o coloca em rota de colisão com o Dr. Curt Connors, ex-sócio de seu pai.
Cineplayers Ltda. (2003 - 2013)

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