Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.
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Sacha Baron Cohen ganhou fama e respeito com o seu Borat – O Segundo Maior Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, 2006) e pode-se dizer que isso não foi injusto. O filme, um mockumentary (falso documentário), que utilizava o formato para expor os preconceitos dos entrevistados de forma ácida e crítica, colecionou elogios por aí. Tanto que, por essa obra, Cohen ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator (comédia ou musical) em cinema e foi indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado (ao lado de Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mazer e Todd Phillips).
O sucesso de Borat foi tão grande que Cohen resolveu protagonizar e roteirizar outro filme no mesmo formato, Brüno (idem, 2009), mas o resultado não foi o mesmo. E o motivo é fácil de explicar: a falta de um tom crítico que justificasse o humor, que nesse último filme parecia vulgar e artificial.
Felizmente, O Ditador (The Dictator, 2012), nova parceria entre Cohen e Larry Charles (diretor também dos filmes citados anteriormente), recupera um pouco da essência de Borat. O longa gira em torno de Aladeen (Cohen), ditador de um país árabe que tem horror à democracia. Após ser traído pelo tio Tamir (Ben KIngsley) e substituído por um sósia, ele conhece e se apaixona pela ativista Zoey (Anna Faris) ao mesmo tempo em que possui a ajuda de Nadal (Jason Mantzoukas) para tentar recuperar sua identidade.
A comédia politicamente incorreta que é a marca de Cohen e Charles continua, mas não obtém o efeito desejado. Algumas sacadas ácidas se destacam positivamente, como a mania de seu protagonista de substituir qualquer palavra cujo significado ele desconhece por Aladeen, o que gera momentos hilários, mas são exceções. De modo geral, o filme não traz muitas piadas inspiradas, tendo como principal charme o caráter desprezível do personagem principal, que chega, por exemplo, a querer jogar uma criança recém-nascida no lixo apenas por ser menina.
Decepcionante, também, é constatar o quão convencional este longa é. O formato de mockumentary foi descartado e o que temos aqui é uma trama fraca e, como prova o romance entre os personagens de Cohen e Anna Faris, clichê. Aliás, tal envolvimento é desenvolvido de forma apressada e sem o menor cuidado pelo roteiro. Tecnicamente, o filme não chega a chamar a atenção, mas as imagens de construções árabes se assemelham aos castelos reais daquela região, embora sejam pouquíssimo aproveitadas.
Com pontas interessantes de celebridades como Megan Fox e John C. Reilly, o longa conta com uma boa interpretação de Sacha Baron Cohen que, apesar de não fazer nada de excepcional, consegue extrair graça da personalidade de seu personagem de forma que ele não desagrade ao público por ser uma pessoa desprezível (apesar disso, a mudança de personalidade de Aladeen é pessimamente trabalhada). Mas é uma pena ver a hilária Anna Faris relegada a um papel que não faz jus ao seu talento.
E o resultado acaba ficando num meio termo. Afinal, mesmo com alguns momentos divertidos e uma boa sátira à ditadura, os problemas citados acabam dando aquela impressão de "poderia ter sido melhor".
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