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A Garota Ideal
(Lars and the Real Girl, 2007)
Por Gabriel Lopes Pinheiro Avaliação:                   9.0
Este comentário é recomendado pela equipe Cineplayers.

Lars é uma pessoa reclusa, anti-social e que prefere não expor seus sentimentos para ninguém, nem mesmo para seu irmão. Até o dia em que Lars conhece Bianca, aquela que parecia ser a garota ideal: Ela não fala inglês muito bem – por isso, não consegue se comunicar perfeitamente com as pessoas ao seu redor, com exceção de Lars -, é paraplégica e só vai de um lugar para outro com a ajuda de sua cadeira de rodas, porém ela não pode ter filhos. Mas, para Lars, Bianca era o que faltava em sua vida: Ela é bonita, educada, gentil e se dá muito bem com ele. O único problema é que Lars a comprou em uma loja online. Essa é a premissa inicial de A Garota Ideal, e tenho que admitir que a ideia de acompanhar a história de um homem que se apaixona por uma boneca inflável (um pouco mais sofisticada) não tinha me despertado nenhum tipo de interesse possível.

E exatamente por isso que A Garota Ideal é um filme que respeita o público que optou por vê-lo, mesmo tendo concorrentes do gênero que também são desconhecidos e têm uma premissa muito mais envolvente. É uma daquelas poucas produções cinematográficas que deixam você totalmente gratificado. Quem gosta de filmes indie (que é o meu caso) vão se divertir muito mais ouvindo uma trilha sonora intensa e tocante, que acompanha os picos emocionais da narrativa com sutiliza e graciosidade, jamais parecendo desnecessária ou abrupta. Além disso, a direção de Craig Gillespie mantém esse lado mais particular do filme, se preocupando mais em fazer um filme tocante e leve, do que agradar o grande público com reviravoltas e acontecimentos inesperados, ou um final trágico que está ali apenas para arrancar lágrimas (por isso, esse é um daqueles filmes que não pode ser recomendado para qualquer pessoa).

Porém, a grande qualidade vem do roteiro: Essa é uma daquelas histórias onde o foco são os personagem, e não o que acontece ao redor. Assim, é bom ver que o script escolhe desenvolver não apenas o intenso protagonista, mas também toda sua galeria de coadjuvantes: Karen se releva uma pessoa bem mais afetiva para Lars do que seu próprio irmão, e como essa não conhece a personalidade do ‘garoto’ muito bem ela é quem tenta conversar com ele, fazer com que ele saía de sua casa, assim é ótimo ver que a atuação de Emily Mortimer faz jus a personagem – é impossível não abrir um sorriso ao ver a expressão da mulher ao ouvir que Lars finalmente conheceu uma pessoa especial, para logo depois, descobrir que era uma boneca com fins sexuais. Da mesma forma, Kelli Garner dá a graça e simpática para Margo sabendo pontuar os momentos mais relevantes de sua personagem, e Paul Schneider se saí bem como o irmão do personagem principal imprimindo uma melancolia e estranheza correta para Gus, explorando apenas com gestos e expressões o passado pesado e culposo da família.

É impossível negar que o filme pertence completamente á Ryan Gosling e seu Lars, já que o ator ultrapassa barreiras dramáticas de maneira impressionante com o objetivo de criar uma pessoa complexa e repleta de maneirismos, deixando o protagonista parecido com qualquer pessoa normal, provocando uma deliciosa identificação para com quem assiste. Assim, Gosling não só explora o lado estranho do personagem com piscadas rápidas e tiques frequentes, como também expõe sua melancolia aparentemente incurável nos primeiros quinze minutos (basta vez o olhar assustado do homem ao ver a cunhada batendo na janela de sua casa) e sua alegria infinita após conhecer Bianca.

Vale ressaltar, porém, que Lars é um personagem muito mais complexo de quando é visto apenas em sua superfície: O roteiro segue o caminho certo ao não retratar o protagonista como uma pessoa psicótica e com problemas mentais (algo que não seria muito incomum em algum outro filme), mas sim, como alguém só, que se vê todo dia num conflito pessoal: Ele gosta de ficar sozinho, isolado socialmente, porém, sabe que isso não é uma coisa boa, assim ele cria o romance com Bianca (mesmo que inconscientemente) apenas para criar uma âncora para a realidade e, assim, conseguir se relacionar com as pessoas ao seu redor. Além disso, um dos fatores que deixam Lars ainda mais afastado dos outros seres humanos é o fato de se ver como um garoto que não cresceu, e com isso mais créditos devem ser dados á Ryan Gosling dão a doçura e inocência correta ao personagem, e está ansioso para isso acontecer, assim Bianca não é apenas um caminho para a sociedade, como também para o bem estar consigo mesmo. E todas essas características do protagonistas são bem exploradas pelo roteiro que nos propõe cenas e diálogos como quando Lars confessa que sente uma espécie de dor ao tocar nas pessoas ou quando o personagem pergunta ao irmão ‘Como você sabe que já é um homem?’.

Equilibrando muitíssimo bem um humor negro eficiente com o drama puro, A Garota Ideal termina da maneira mais previsível possível, porém, nenhum outro final faria muito sentido: Assistir toda a trajetória de Lars passando por suas incertezas, por seus altos e baixos e vê-la terminando de outra forma seria algo injusto não só conosco, mas, principalmente, com Lars.

Por Gabriel Lopes Pinheiro, em 10/09/2012 Avaliação:                   9.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 6.0
• Daniel Dalpizzolo 6.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 7.5
• Silvio Pilau 8.0
• Emilio Franco Jr. 8.0
•  Média 7.3
Notas - Usuários
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 Garota Ideal, A
(Lars and the Real Girl, 2007)
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